Inês Teixeira de Matos - Psicóloga Educacional

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Inês Teixeira de Matos - Psicóloga Educacional Psicóloga desde 2015
Avaliação e Acompanhamento Psicológico para adultos
Assessment & Therapy

"Já tirei férias e continuo na mesma."Esta frase aparece muito em consulta, e costuma vir com culpa atrás. Se descansei ...
29/09/2026

"Já tirei férias e continuo na mesma."

Esta frase aparece muito em consulta, e costuma vir com culpa atrás. Se descansei e não melhorei, então o problema sou eu.

Só que há um tipo de esgotamento que não responde a descanso, porque não foi o descanso que faltou. O burnout autístico não vem da carga de trabalho - vem de muito tempo a moldares-te a ambientes que exigem adaptação permanente, sem nunca haver recuperação real pelo meio.

Nota-se de uma forma específ**a: coisas que sempre soubeste fazer deixas de conseguir fazer. Responder a uma mensagem. Organizar o dia. Às vezes até falar. O barulho e a luz, que já eram difíceis, tornam-se insuportáveis. Qualquer imprevisto passa a ser demais.

E é por isso que só gerir melhor o tempo não resolve nada. O que está esgotado não é a organização, mas sim a capacidade de adaptação.

O que ajuda vai no sentido contrário do que normalmente se aconselha: baixar a exigência sensorial e social, aumentar a previsibilidade, e dar a isto muito mais tempo do que parece razoável.

Se te reconheceste, escreve-me. Podemos perceber juntas o que está a consumir a tua energia.

22/09/2026

Consegues estar seis horas seguidas numa coisa que te interessa. E depois não consegues responder a um email que demora apenas dois minutos.

Se isto te descreve, já ouviste com certeza que é falta de organização. Ou de vontade. Ou que “é só começar”.

Não é nada disso. O que decide se consegues iniciar raramente é a importância da tarefa, mas sim o interesse que ela tem, a novidade, o prazo que se aproxima, ou haver alguém à espera. Quando nenhuma dessas condições está presente, a tarefa pode ser urgentíssima e simplesmente não começas.

Visto assim, o hiperfoco e a paralisia deixam de ser contradições. São o mesmo sistema de atenção, que responde muito bem a umas coisas e quase nada à instrução “isto é importante, faz”.

O problema é que o mundo à tua volta está organizado ao contrário disto. E passam-se anos a achar que se é brilhante nos dias bons e preguiçosa nos maus, sem perceber que é o mesmo cérebro nos dois.

Quando percebemos o que é que ativa a tua atenção, deixa de se tentar forçar o arranque e começa a desenhar-se o dia à volta disso. Faz mais diferença do que parece.

Se quiseres saber mais sobre isto, envia-me uma mensagem 🩵

Há uma ideia muito comum de que receber um diagnóstico em adulta é uma má notícia. Que reduz a pessoa a uma sigla, que f...
18/09/2026

Há uma ideia muito comum de que receber um diagnóstico em adulta é uma má notícia. Que reduz a pessoa a uma sigla, que fecha portas, que passa a explicar tudo.

Não costuma ser isso que acontece.

A primeira reação de muitas mulheres, quando o nome finalmente chega, é alívio. Não porque alguma coisa tenha mudado, a vida é exatamente a mesma que era na véspera, mas porque passa a haver uma explicação que não é "eu é que sou preguiçosa", "eu é que sou dramática", "eu é que não me esforço o suficiente".

Durante anos, a única explicação disponível para a dificuldade era o carácter. E essa é muito mais difícil de gerir do que um diagnóstico.

O nome não te define. Ajuda sim a reorganizar a história que contas sobre ti , e isso, para quem passou décadas a achar que o problema era ser quem é, altera muito.

Se andas com esta dúvida, escreve-me e falamos melhor 🩵

Não é falta de disciplina.Os métodos de gestão do tempo que toda a gente recomenda assentam em duas coisas que um cérebr...
11/09/2026

Não é falta de disciplina.

Os métodos de gestão do tempo que toda a gente recomenda assentam em duas coisas que um cérebro com PHDA não faz da mesma maneira: estimar quanto tempo as coisas demoram e arrancar sem ajuda externa. Quando o método parte daí, a falha parece tua. Não é.

Deixo-te três estratégias que funcionam por outro caminho:

→ Time blocking visual - dar forma ao tempo, para deixar de ser abstrato.
→ Body doubling - usar a presença de outra pessoa como arranque.
→ Temporizador adaptado - deixar o relógio decidir o início, em vez da tua vontade.

Há dias em que uma só é suficiente e dias em que vais precisar das três. E estas são só três entre muitas: a ideia é teres opções para quando uma só não ajuda.

Por qual vais começar? Conta-me nos comentários 👇

10/09/2026

“Estás tão sossegada.”

Se tens PHDA, és capaz de conhecer bem esta frase.

Por fora estás quieta mas, por dentro, está a conversa de ontem que ainda estás a rever, o email por responder, o que é suposto dizeres a seguir, o barulho ali atrás, e três coisas de que te lembraste agora e vais esquecer daqui a nada.

Não é estares noutro sítio e também não é desinteresse. É um cérebro com dificuldade em fechar separadores. E manter todos abertos ao mesmo tempo gasta muita energia.

Por isso é tão comum que ao fim do dia o cansaço não faça sentido nenhum para quem está de fora. “Mas hoje não fizeste nada de especial.” Fizeste, só não se viu.

Quantos separadores tens abertos neste momento? Conta-me nos comentários 👇🏻

Hoje é o Dia Nacional do Psicólogo e, em vez de escrever sobre a profissão, deixo a parte que costuma f**ar de fora.Falo...
04/09/2026

Hoje é o Dia Nacional do Psicólogo e, em vez de escrever sobre a profissão, deixo a parte que costuma f**ar de fora.

Falo sobre adiamento, e adiei este post o dia inteiro. Falo sobre descanso, e já respondi a mensagens ao domingo à noite. Falo sobre dizer que não, e escrevo "nãos" com três parágrafos.

Não é falso o que digo em consulta. É que saber uma coisa e fazê-la são dois músculos diferentes, e nem sempre estão alinhados a todo o momento.

E não sou caso único. Os psicólogos não têm todas as gavetas arrumadas, não têm as respostas todas, e também precisam que alguém lhes diga o óbvio de vez em quando.

Escrevo isto porque há quem demore anos a marcar uma primeira consulta à espera de estar mais preparada, ou por imaginar que vai encontrar do outro lado alguém que fez tudo bem. Não vais. Vais encontrar alguém que treinou uma forma de olhar, e que a põe ao teu serviço.

Feliz dia a todos nós. E se andas a adiar essa marcação, hoje é um bom dia para me escreveres. 🧡

Inês Teixeira de Matos · Psicóloga · CP 20803 | ERS 144756
Consultas presenciais (Lumiar, Lisboa) e online

02/09/2026

“Porque é que ninguém viu isto antes?”

Esta pergunta aparece quase sempre. E a resposta, quase sempre, não tem que ver contigo.

Tem que ver com critérios que foram construídos a olhar para rapazes irrequietos. Com o facto de a desatenção incomodar muito menos que a agitação. E o que não incomoda tende a passar despercebido. E com tudo o que aprendeste a fazer para acompanhar, sem que esse esforço tenha alguma vez aparecido registado como esforço.

O que costumo ouvir de quem chega a um diagnóstico tardio não é “agora tenho um rótulo”. É sim “afinal não era falta de vontade”.

Não muda o que viveste mas muda a história que contas sobre isso.

Uma nota importante: reconheceres-te neste vídeo não é um diagnóstico. Uma avaliação a sério leva tempo, recolha da história de vida, instrumentos validados e um profissional habilitado. Se estiveres nesse momento de dúvida, escreve-me - ajudo-te a perceber o que faz sentido para ti.

E se isto te fez sentido, partilha com alguém que ainda possa estar à espera de respostas. 🩵

——
Inês Teixeira de Matos | Psicóloga | CP 20803 | ERS 144756

Chega ao fim do dia e não sobra nada.Não sobra energia para cozinhar, para responder à mensagem que está há três dias po...
25/08/2026

Chega ao fim do dia e não sobra nada.

Não sobra energia para cozinhar, para responder à mensagem que está há três dias por responder, para a série que dizias que ias ver. Às vezes, nem para estar com quem gostas.

E f**a a sensação de que o problema és tu - que és preguiçosa, que não te esforças o suficiente, que os outros conseguem e tu não.

Mas repara no que fizeste durante o dia inteiro: ajustaste a voz, ensaiaste conversas antes de as ter, riste na altura certa, aguentaste o barulho e a luz. Chamam-lhe masking, e é um trabalho a tempo inteiro que ninguém vê e que ninguém contabiliza.

A energia não desapareceu, mas gastaste-a a parecer que estava tudo bem.

Isto não te define nem te limita, mas saber que é isto que se passa muda a forma como olhas para o teu próprio cansaço. E abre espaço para começares a decidir onde queres, ou não, continuar a fazer esse esforço.

Guarda este post para uma amiga que possa estar a precisar 🩵

18/08/2026

Há uma conta que muita gente faz sem dar por isso: primeiro produzo, depois descanso. Primeiro mereço, depois paro.

O problema é que essa conta nunca fecha. Há sempre mais uma coisa por fazer, e o descanso f**a sempre para o fim de uma lista que não acaba.

Para quem já gasta uma quantidade enorme de energia só a acompanhar o ritmo dos outros, esta lógica é particularmente cara. Espera-se pelo momento em que se merece parar e chega-se lá exausta, quando parar já não é escolha.

Descansar não é o prémio no fim mas sim parte do que faz o resto funcionar.

Se te identif**as com esta ideia, envia-me uma mensagem. Estou de férias até 1 de setembro, a descansar, mas respondo-te assim que voltar 🩵

07/08/2026

Há coisas que parecem banais de fazer e que, para algumas pessoas, custam o dia inteiro. Atender uma chamada. Ir ao supermercado a uma hora cheia. Responder a uma mensagem que está há três dias por responder.

Não é falta de vontade ou preguiça. Nem todos temos a mesma gestão da energia, e quem vive assim costuma achar que o problema é ser pouco capaz.

Conta-me nos comentários: qual é a tua?

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