29/09/2026
"Já tirei férias e continuo na mesma."
Esta frase aparece muito em consulta, e costuma vir com culpa atrás. Se descansei e não melhorei, então o problema sou eu.
Só que há um tipo de esgotamento que não responde a descanso, porque não foi o descanso que faltou. O burnout autístico não vem da carga de trabalho - vem de muito tempo a moldares-te a ambientes que exigem adaptação permanente, sem nunca haver recuperação real pelo meio.
Nota-se de uma forma específ**a: coisas que sempre soubeste fazer deixas de conseguir fazer. Responder a uma mensagem. Organizar o dia. Às vezes até falar. O barulho e a luz, que já eram difíceis, tornam-se insuportáveis. Qualquer imprevisto passa a ser demais.
E é por isso que só gerir melhor o tempo não resolve nada. O que está esgotado não é a organização, mas sim a capacidade de adaptação.
O que ajuda vai no sentido contrário do que normalmente se aconselha: baixar a exigência sensorial e social, aumentar a previsibilidade, e dar a isto muito mais tempo do que parece razoável.
Se te reconheceste, escreve-me. Podemos perceber juntas o que está a consumir a tua energia.