Goretti Moreira Psicóloga

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Quando alguém que amamos recebe um diagnóstico de cancro, procuramos palavras que transmitam esperança. Queremos encoraj...
23/10/2026

Quando alguém que amamos recebe um diagnóstico de cancro, procuramos palavras que transmitam esperança. Queremos encorajar, confortar, lembrar-lhe que acreditamos na sua força.

Mas nem sempre pensamos no peso que essas palavras podem ter para quem as recebe.

Ser chamada de «guerreira» pode ser reconfortante para algumas pessoas. Para outras, pode trazer uma pressão silenciosa: a de terem de demonstrar coragem mesmo quando sentem medo, tristeza ou um cansaço difícil de explicar.

O testemunho de Kate Loweth convida-nos a refletir sobre algo que, por vezes, esquecemos: quem atravessa uma doença oncológica também precisa de espaço para se sentir vulnerável, para ter dias difíceis e para não saber como lidar com tudo o que está a acontecer.

O apoio emocional exige sensibilidade para compreender que cada pessoa vive a doença à sua maneira. E que as palavras que confortam alguém podem não ter o mesmo signif**ado para outra pessoa.

Neste Outubro Rosa, que a nossa vontade de transmitir esperança seja acompanhada pela disponibilidade para escutar, respeitar os silêncios e acolher todas as emoções.

Às vezes, uma das formas mais bonitas de cuidar começa com uma pergunta simples:

Do que precisas de mim? 🎀

“Aos psicólogos vão os malucos!”Uma frase que muitos de nós já ouvimos. Por vezes, dita em tom de brincadeira. Outras, c...
19/10/2026

“Aos psicólogos vão os malucos!”

Uma frase que muitos de nós já ouvimos. Por vezes, dita em tom de brincadeira. Outras, com a convicção de quem acredita que procurar ajuda psicológica é sinal de fraqueza ou de que alguma coisa está profundamente errada.

Mas quem chega a uma consulta de psicologia traz, antes de tudo, uma história.

Uma mãe que procura reencontrar-se depois da maternidade. Um homem que tenta reconstruir a confiança após uma traição. Uma filha que continua a aprender a viver sem a mãe. Um jovem que sente o peso das expectativas. Alguém que passou a vida a colocar as necessidades dos outros à frente das suas.

Histórias diferentes, com uma coisa em comum: a vontade de compreender aquilo que estão a viver.

A saúde psicológica faz parte da nossa vida, das nossas relações, das perdas, das mudanças e das decisões que nos acompanham.

Procurar acompanhamento psicológico é também permitir-nos olhar para a nossa própria história com mais atenção, compreender padrões que se repetem e encontrar novas formas de lidar com aquilo que nos inquieta.

E não precisamos de esperar que tudo se torne insuportável para o fazer.

A tua história também merece ser escutada.

Podemos dormir ao lado de alguém todas as noites e continuar profundamente sós.A intimidade também se perde devagar, ent...
16/10/2026

Podemos dormir ao lado de alguém todas as noites e continuar profundamente sós.

A intimidade também se perde devagar, entre conversas adiadas, preocupações guardadas e dias que se sucedem sem grande espaço para perguntar ao outro como se sente.

Continuamos a conhecer os horários, os hábitos, as preferências. Sabemos como correu o dia, o que falta comprar, os compromissos da semana. Mas, com o tempo, podemos deixar de conhecer aquilo que verdadeiramente inquieta a pessoa com quem partilhamos a vida.

As palavras tornam-se mais difíceis. As mágoas encontram lugar no silêncio. E a vontade de conversar vai cedendo ao receio de não ser compreendido.

E que estranha forma de saudade é esta, de alguém que continua a dormir ao nosso lado.

Podemos conhecer uma pessoa há muitos anos e, ainda assim, perder o caminho até ela.

O amor pode continuar presente, assim como a vontade de permanecer juntos. Mas uma relação também precisa de atenção, de disponibilidade emocional e de conversas que nem sempre sabemos como começar.

A terapia de casal oferece um espaço para compreender o afastamento, dar voz ao que ficou por dizer e trabalhar a reconstrução da proximidade emocional.

Se sentem que a distância entre vocês tem crescido e já não sabem como voltar a conversar, procurar acompanhamento psicológico pode ser um primeiro passo.

Para agendar uma consulta de terapia de casal, entrem em contacto por mensagem privada.

Estas mensagens são fictícias, mas representam realidades que merecem ser escutadas.Na adolescência, a confiança constró...
14/10/2026

Estas mensagens são fictícias, mas representam realidades que merecem ser escutadas.

Na adolescência, a confiança constrói-se também nos momentos difíceis. Na forma como os pais reagem a um erro, recebem uma confidência ou acolhem uma emoção que não compreendem.

Porque um filho que se sente ouvido terá mais facilidade em procurar os pais quando realmente precisar.

A pergunta que f**a é: o que poderá o teu filho estar a guardar para si por não saber como te contar?

Aos 17 anos, parece que toda a gente espera que já saibamos alguma coisa sobre a vida.Que curso escolher, que pessoa que...
10/10/2026

Aos 17 anos, parece que toda a gente espera que já saibamos alguma coisa sobre a vida.

Que curso escolher, que pessoa queremos ser, que amizades manter, como devemos parecer, o que fazer com aquilo que sentimos.

E, no meio de tantas expectativas, nem sempre encontramos espaço para admitir que estamos confusos, inseguros ou simplesmente com medo de falhar.

A adolescência é uma fase de grandes mudanças, mas também de uma enorme necessidade de compreensão, pertença e segurança emocional.

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, gostava de deixar uma pergunta a quem tem 17 anos e a quem já passou por eles:

**O que gostavas que alguém te tivesse dito nessa altura?**

Às vezes, aquilo que nos faltou ouvir pode ser precisamente aquilo que alguém precisa de escutar hoje.

Cuidar da saúde mental é cuidar de nós, respeitar o que sentimos e reconhecer que também precisamos de tempo, equilíbrio...
10/10/2026

Cuidar da saúde mental é cuidar de nós, respeitar o que sentimos e reconhecer que também precisamos de tempo, equilíbrio e cuidado. 🤍

A tua saúde mental importa. Hoje e todos os dias. 🌿

Quando deixamos os nossos filhos na escola, confiamos aos professores muito mais do que a aprendizagem de uma matéria.Co...
06/10/2026

Quando deixamos os nossos filhos na escola, confiamos aos professores muito mais do que a aprendizagem de uma matéria.

Confiamos-lhes crianças com personalidades diferentes, dias bons e maus, inseguranças, dificuldades, mudanças de comportamento e emoções que nem sempre conseguem explicar.

E, enquanto pais, nem sempre vemos o que acontece do outro lado.

O professor que reparou que o nosso filho estava mais calado. Que insistiu mais uma vez. Que ficou preocupado. Que chegou a casa a pensar se poderia ter feito alguma coisa de forma diferente.

Nem sempre pais e professores vão concordar — e faz parte. Mas talvez seja importante lembrarmo-nos mais vezes de que estamos do mesmo lado: a acompanhar o crescimento da mesma criança.

Às vezes, uma relação mais próxima entre família e escola começa simplesmente por reconhecermos isso.

Chegar aos 30 tornou-se, para muitas pessoas, uma espécie de avaliação silenciosa.Olham para os amigos que já compraram ...
30/09/2026

Chegar aos 30 tornou-se, para muitas pessoas, uma espécie de avaliação silenciosa.

Olham para os amigos que já compraram casa, para quem saiu de casa dos pais mais cedo, para relações que parecem mais estáveis, carreiras mais definidas, contas bancárias mais confortáveis. E começam a fazer contas à própria vida como se todos tivessem partido do mesmo lugar.

Só que não partiram.

Crescer também implica perceber que algumas das expectativas que carregamos não nasceram propriamente de nós. Foram sendo absorvidas da família, da geração anterior, do grupo de amigos e, cada vez mais, daquilo que vemos todos os dias nas redes sociais.

E quando a vida real não acompanha esse calendário imaginado, é fácil transformar uma circunstância numa conclusão sobre nós próprios: *“estou atrasado.”*

Em terapia, pode ser importante perceber de onde vem essa régua, porque é que continua a ter tanto peso e o que aconteceria se começasses a construir uma definição de vida adulta que tivesse mais a ver contigo.

Aos 30, a tua vida não precisa de estar no mesmo ponto que a de ninguém.

Ultimamente tenho pensado muito na quantidade de coisas que vamos aprendendo sobre nós sem sequer darmos conta.Numa conv...
28/09/2026

Ultimamente tenho pensado muito na quantidade de coisas que vamos aprendendo sobre nós sem sequer darmos conta.

Numa conversa que f**a a ecoar. Num livro que nos encontra numa fase específ**a. Numa reação nossa que nos surpreende. Naquilo que repetimos, mesmo depois de prometermos que desta vez seria diferente.

Conhecermo-nos não acontece de uma vez, nem termina quando finalmente conseguimos dar um nome ao que sentimos. Vamos mudando, e aquilo que antes fazia sentido pode deixar de fazer.

Talvez por isso continue a gostar tanto de ler sobre pessoas, relações e tudo aquilo que nos atravessa. Porque quanto mais sabemos sobre o comportamento humano, mais percebemos a complexidade que existe por detrás de uma história.

E, mesmo sendo psicóloga, continuo também desse lado: a aprender, a questionar e a conhecer-me pelo caminho. 🤍

Talvez ninguém se tenha zangado.O almoço continuou, alguém levantou os pratos, falou-se do trabalho, dos miúdos, do que ...
25/09/2026

Talvez ninguém se tenha zangado.

O almoço continuou, alguém levantou os pratos, falou-se do trabalho, dos miúdos, do que era preciso comprar para a semana.

E aquilo que estava prestes a ser dito ficou por dizer.

Com o tempo, isto pode tornar-se tão familiar que quase deixamos de reparar. Sabemos quando mudar de assunto, o que é melhor não contar, quem não convém contrariar. Percebemos o ambiente antes de abrir a boca e, muitas vezes, decidimos f**ar em silêncio antes sequer de percebermos aquilo que queríamos dizer.

Não foi uma regra que alguém nos ensinou. Fomos aprendendo.

E algumas dessas aprendizagens saem de casa connosco.

Aparecem quando ensaiamos uma conversa várias vezes antes de a ter. Quando dizemos “não faz mal” mesmo tendo feito. Quando cedemos para que o outro não fique chateado. Quando sentimos que dizer “não” pode colocar uma relação em risco.

Às vezes, demoramos anos a perceber que aprendemos a proteger tanto a tranquilidade à nossa volta que deixámos pouco espaço para o nosso próprio desconforto.

Em terapia, podemos começar precisamente por aí: perceber o que tivemos de aprender para pertencer à nossa família e escolher o que queremos fazer diferente nas relações que construímos hoje.

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