14/09/2026
A insónia pode começar associada a um período de grande ansiedade e emocionalmente difícil, no contexto de uma doença ou em resposta a alterações profundas na rotina. No entanto, com o passar do tempo, podem desenvolver-se comportamentos, pensamentos e associações que acabam por contribuir para a manutenção das dificuldades de sono, mesmo quando o fator que esteve na sua origem já se resolveu.
É precisamente sobre estes mecanismos que perpetuam a insónia que atua a Terapia Cognitivo-Comportamental para a Insónia (TCC-I).
A TCC-I é considerada a intervenção de primeira linha para a insónia crónica nas principais guidelines internacionais, incluindo as Guidelines Europeias para o Diagnóstico e Tratamento da Insónia, atualizadas em 2023 (Riemann et al., 2023).
A TCC-I é realizada num formato breve e estruturado, online ou presencialmente. Na grande maioria dos casos, são realizadas 6 a 8 sessões, correspondendo a cerca de 1 mês e meio a 2 meses de intervenção.
Importante: Isto não significa que a medicação não tenha lugar no tratamento da insónia. Em determinadas situações, nomeadamente em fases agudas, o tratamento farmacológico é importante e perfeitamente adequado. No entanto, no tratamento da insónia a longo prazo, a evidência científica favorece a TCC-I como intervenção preferencial. De acordo com as Guidelines Europeias, o tratamento farmacológico da insónia deve, de um modo geral, ser limitado a um máximo de 4 semanas, enquanto a TCC-I apresenta benefícios que tendem a manter-se para além do período de intervenção.
No entanto, é importante reforçar que, quando já existe tratamento farmacológico, a pessoa não deve suspender, reduzir ou alterar a medicação por iniciativa própria. Qualquer alteração do tratamento deve ser avaliada e acompanhada pelo/a médico/a, de forma individualizada e segura.