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Crónicas Oncológicas Eu sou eu e as minhas circunstâncias

Corajosa, eu?A senhora estava na sala de espera para o tratamento de radioterapia. De couro cabeludo à mostra, maquilhag...
01/08/2026

Corajosa, eu?

A senhora estava na sala de espera para o tratamento de radioterapia. De couro cabeludo à mostra, maquilhagem feita, vestido às manchas coloridas, de alças, fino, fresco, muito feminino.
O meu olhar fugia para ela, intrigado e talvez um pouco enciumado.
A certa altura ela levanta os olhos do telemóvel, encara-me e sorri.
Eu sorrio de volta um pouco embaraçada.
Repentinamente a vergonha desaparece e digo:
- Desculpe, eu estava a reparar que anda tão à vontade, o oposto de mim, de t-shirt de algodão do avesso por baixo desta túnica com mangas e de lenço na cabeça.... Estava a pensar se voltarei a vestir-me assim também...

A resposta surpreendeu-me:
- Eu não gosto de t-shirts lisas sem graça e com o calor que está tenho de andar mais fresca e não uso nem lenço nem boné e muito menos peruca.
O médico falou-me nisso tudo mas eu não aguento a t-shirt. Ponho o creme hidratante mas também não suporto aquele da Uriage sem cheiro nenhum. Que horror. Coloco o meu habitual e tenho andado muito bem. Eles exageram!!

Sorri e como fui chamada nesse mesmo instante não precisei de fazer nenhum comentário. Limitei-me a desejar-lhe tudo de bom e despedi-me. Durante os minutos que durou a minha sessão de radioterapia pensei nos conselhos do médico e da enfermeira:
- a importância da hidratação;
- a importância de não apanhar sol;
- a importância de usar uma tshirt 100% de algodão branco virada do avesso;
- a importância de tomar banho com água morna/fria sem esfregar a pele e com um gel específico;

E pensando na forma como cumpria à risca todos os conselhos por entender o motivo de cada um, e querer evitar a todo custo os efeitos desagradáveis que podiam vir da falta de cuidado, dei comigo a concluir:

- Quem me chama de corajosa por eu enfrentar tudo isto de cabeça levantada, nem sonha a cobarde que sou.




E se voltar?  O medo que aprisiona o sorriso, acorda o sono e esquece os sonhos ...
30/07/2026

E se voltar?
O medo que aprisiona o sorriso, acorda o sono e esquece os sonhos ...




“E se o cancro voltar?” O medo da recaída

O tratamento terminou. A quimioterapia acabou. A radioterapia ficou para trás. Os exames estão normais. A família diz: “Agora tens de aproveitar a vida.”

🪖 Mas, para muitas pessoas, é precisamente aí que começa uma nova batalha.

Uma dor nas costas que dura mais alguns dias. Uma tosse diferente. Um gânglio que parece maior. Uma chamada perdida do hospital. A proximidade de uma TAC ou de uma consulta. Tudo isto pode desencadear uma avalanche de pensamentos.

“E se voltou?”
“E se encontrarem alguma coisa?”
“E se eu tiver de passar por tudo outra vez?”

Se alguma vez sentiu isto, saiba que não está sozinho. A psico-oncologia tem estudado intensamente este fenómeno e chegou a uma conclusão clara: o medo da recaída é uma das consequências psicológicas mais frequentes e mais incapacitantes da sobrevivência ao cancro.

😱 O paradoxo que ninguém espera

A maioria das pessoas acredita que o momento mais difícil é receber o diagnóstico ou começar os tratamentos. E, para muitos doentes, é verdade.
Mas vários estudos mostram que, depois do fim dos tratamentos, muitas pessoas vivem um período inesperadamente difícil.
Durante meses, havia consultas frequentes, análises, exames, médicos, enfermeiros e uma sensação de combate constante. De repente, tudo abranda.

É nesse silêncio que surgem perguntas difíceis.
“E agora?”
“Como é que volto à vida normal?”
“Como é que confio no meu corpo outra vez?”
A isto chama-se, muitas vezes, “a segunda fase da doença”: a tentativa de viver depois do cancro, carregando a incerteza de que ele possa regressar.

😪 Porque é que uma simples dor nas costas pode provocar pânico?

Antes da doença, uma dor muscular era apenas uma dor muscular.
Depois de um diagnóstico oncológico, o cérebro aprende uma associação nova: sintomas podem significar perigo.

A neurociência mostra que experiências altamente stressantes deixam marcas profundas nos circuitos cerebrais ligados à vigilância e ao medo. Áreas como a amígdala, envolvida na deteção de ameaças, tornam-se mais sensíveis.
Por isso, algo banal pode ser interpretado como um sinal de alarme.

Uma dor de cabeça transforma-se numa possível metástase. Um cansaço pode parecer o início de uma recaída. Uma simples dor lombar pode desencadear horas de pesquisa na internet e noites sem dormir.

Isto não significa fraqueza. Não significa falta de controlo emocional. Significa apenas que o cérebro passou por uma experiência extrema e tenta, a todo o custo, evitar que ela volte a acontecer.

😦 O “scanxiety”: quando um exame começa semanas antes

Existe uma palavra cada vez mais utilizada em oncologia: scanxiety.
O termo resulta da junção das palavras inglesas scan (exame) e anxiety (ansiedade) e descreve o medo intenso associado a TAC, PET scan, ressonâncias magnéticas e consultas de vigilância.

Muitas pessoas começam a sofrer dias ou semanas antes do exame.
Dormem pior. Ficam mais irritáveis. Têm dificuldade em concentrar-se. Evitam fazer planos para o futuro porque, no fundo, sentem que a sua vida está suspensa até ouvir as palavras: “Está tudo bem.”

Estudos internacionais mostram que esta ansiedade associada aos exames é extremamente frequente e pode afetar profundamente a qualidade de vida, mesmo muitos anos depois do fim dos tratamentos.

☎️ O telefone toca. O coração acelera.

Há experiências que só quem passou por elas compreende.
Uma chamada do hospital.
Uma carta para casa.
Uma mensagem a pedir para antecipar uma consulta.
Durante alguns segundos, o mundo parece parar.
A maioria das vezes, não se trata de más notícias. Mas o corpo reage como se estivesse perante uma ameaça real.
O medo da recaída não vive apenas nos exames. Vive também na rotina, nas pequenas coisas do dia a dia e na sensação constante de que a tranquilidade pode desaparecer a qualquer momento.

🧑‍🧑‍🧒‍🧒 O impacto na família

O medo não pertence apenas ao doente.
Parceiros, filhos, pais e amigos próximos vivem frequentemente numa tensão silenciosa.
Muitos familiares evitam falar sobre o assunto para não “assustar” a pessoa doente. Outros ficam hipervigilantes, interpretando cada sintoma como um sinal de perigo.
Há casais que discutem porque um quer “seguir em frente” e o outro sente necessidade de falar constantemente sobre a doença.
Há filhos que observam os pais em silêncio, tentando perceber se tudo está realmente bem.

O cancro pode terminar. O medo nem sempre desaparece ao mesmo tempo.
O medo da recaída é normal. Mas há sinais de alerta.
Sentir medo ocasional é uma resposta humana e expectável.

No entanto, esse medo merece atenção quando começa a dominar a vida da pessoa.

Alguns sinais importantes incluem:
• Pensar na recaída praticamente todos os dias.
• Evitar fazer planos para o futuro.
• Procurar constantemente sintomas no corpo.
• Pesquisar obsessivamente na internet.
• Não conseguir dormir por causa do medo.
• Faltar ao trabalho ou afastar-se da família.
• Viver permanentemente em estado de alerta.

Quando isto acontece, o sofrimento psicológico merece ser valorizado e tratado.

👩‍⚕️ O que pode realmente ajudar? A ciência já tem algumas respostas.

A primeira estratégia é talvez a mais difícil: aceitar que nenhum exame consegue eliminar completamente a incerteza.
A medicina moderna consegue reduzir riscos, vigiar a doença e atuar precocemente, mas não consegue oferecer garantias absolutas. Aprender a viver com essa incerteza faz parte do processo de recuperação.

A segunda estratégia é evitar o isolamento.
A psico-oncologia mostra repetidamente que o apoio social — família, amigos, grupos de doentes e profissionais de saúde — é um dos fatores mais importantes para lidar com o medo.

Também é importante recuperar progressivamente a vida fora da doença: voltar a caminhar, praticar atividade física adaptada, retomar hobbies, reencontrar amigos, criar novos projetos.
O objetivo não é esquecer o cancro. É impedir que ele ocupe todo o espaço.

A terapia psicológica pode fazer uma enorme diferença
Uma das abordagens com melhores resultados é a terapia cognitivo-comportamental.
Diversos estudos demonstraram que esta estratégia pode ajudar a:
• Reduzir pensamentos catastróficos.
• Diminuir a ansiedade associada aos exames.
• Melhorar o sono.
• Ensinar técnicas para lidar com a incerteza.
• Recuperar a qualidade de vida.

Outras abordagens, como programas baseados em mindfulness e intervenções específicas para sobreviventes de cancro, também têm mostrado benefícios importantes.
Pedir ajuda psicológica não significa que esteja a lidar mal com a doença. Significa apenas que reconhece que o sofrimento emocional merece cuidados, tal como a dor física ou a fadiga.

🔔 Há uma verdade difícil, mas importante

Muitas pessoas acreditam que o objetivo é deixar de ter medo.
Talvez não seja.
Talvez o verdadeiro objetivo seja conseguir voltar a viver apesar desse medo.
Voltar a fazer planos. Voltar a rir. Voltar a viajar. Voltar a apaixonar-se pela vida, mesmo sabendo que ninguém — tenha tido cancro ou não — conhece o futuro.
Porque sobreviver ao cancro não significa apenas derrotar a doença.
Significa também aprender, lentamente, a confiar novamente no amanhã.

👂 Agora queremos ouvir-vos.

Se já passou por um diagnóstico oncológico, queremos saber:
Depois dos tratamentos terminarem, o medo da recaída acompanhou-o?
Como vive os dias antes de uma TAC ou de uma consulta?
Há alguma estratégia que o tenha ajudado?
Partilhe a sua experiência nos comentários. Muitas vezes, descobrir que outras pessoas sentem exatamente o mesmo pode ser um enorme alívio.

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Hoje é o primeiro dia de andar com uma tshirt vestida normalmente. Parece esquisito e acordou o medo de tal forma que es...
25/07/2026

Hoje é o primeiro dia de andar com uma tshirt vestida normalmente.

Parece esquisito e acordou o medo de tal forma que escolhi uma tshirt com 85% de algodão e branca.
Vestir o soutien junto à pele foi ao mesmo tempo confortável e assustador. Disse a mim mesma entretanto que se a meio do dia sentisse irritação sempre o podia tirar, e calmamente arranjei-me.
Sem esquecer o hidratante com protetor solar fator 50 que ainda tenho e vou usar até acabar.😇

A sensação de sair à rua assim foi indescritível.

Uma leveza, uma frescura... Uma sensação de "pertencer ao grupo normal"...
E percebi que toda eu me sentia mais direita como se estivesse orgulhosa e até vaidosa.
Como se tivesse vestida uma roupa de "griffe". 😂

Como é possível que o dito normal nos assuste tanto??🫤





Imagem criada com recurso a IA

Enquanto aguardo que me chamem para um exame de rotina observo e analiso o que me rodeia.De repente passa uma pergunta n...
23/07/2026

Enquanto aguardo que me chamem para um exame de rotina observo e analiso o que me rodeia.

De repente passa uma pergunta na minha mente:
- Será que o médico da radioterapia me pregou uma partida e eu caí como um patinho?

Porquê? - perguntará quem me lê.

Bem, ele recomendou-me que não andasse ao sol, que andasse com uma Tshirt de algodão, branca, virada do avesso e que usasse o soutien sem aros por cima da tshirt. Tops de alças nem pensar.

Já a médica que me acompanhou durante a quimioterapia me tinha dito para evitar o sol, para usar hidratante com protector solar factor 50, e mesmo assim evitar o sol.

Tenho cumprido todas estas recomendações com todo o respeito e cuidado.

Durante a quimio, numa pequena viagem em que não pensei mas também não consegui evitar, apanhei sol no braço esquerdo através da janela aberta do carro. Asneira. Fiquei com a chamada 'pele de sapo". Nada de muito grave mas houve reação apesar do hidratante com protetor solar.

Após a radioterapia, completamente distraída, devido a uma ligeira comichão debaixo da mama, cocei uns segundos por cima da tshirt. Lembrei-me de imediato. Parei. Lavei a zona com o produto indicado e coloquei o creme hidratante. Não adiantou. A pele ficou muito vermelha e surgiu uma pequena ferida. Contactei de imediato à equipa de enfermagem que me tinha acompanhado e deram-me outro creme que resolveu rapidamente a questão.

Voltando ao início desta crónica.... Vejo mulheres de top, bronzeadas, vestidas normalmente sem a tshirt do avesso.... E interrogo-me: será que passam bem?? Será que estes cuidados todos não eram assim tão importantes?
Enfim, agora que já estou praticamente no fim do período recomendado, também não vale a pena pensar nisso.
Talvez mais ninguém tenha sido aconselhada como eu fui.... Talvez nem todos precisemos destes cuidados. Mas se quem me lê estiver a fazer o mesmo caminho, talvez valha a pena questionar a respectiva equipa de enfermagem ou os médicos que vos acompanham.....

Cuidados nunca são demais, porque não há nada no mundo que seja mais importante do que passar por todo este processo sem consequências de maior impacto.







23/07/2026

Dormir mal durante o cancro: O que pode realmente ajudar

“Estou exausto, mas não consigo dormir.”
“Adormeço, mas acordo várias vezes durante a noite.”
“Desde o diagnóstico, nunca mais consegui descansar como antes.”

😴 Os problemas de sono estão entre os sintomas mais frequentes e mais incapacitantes em oncologia. Estudos internacionais mostram que entre 30% e 75% dos doentes com cancro sofrem de insónia, despertares frequentes, sono pouco reparador ou alterações profundas do ritmo do sono. Apesar disso, continua a ser um problema frequentemente desvalorizado.

🤕 Dormir mal não significa apenas sentir-se cansado no dia seguinte. A falta de sono agrava a fadiga, aumenta a sensibilidade à dor, dificulta a concentração, piora a ansiedade e a depressão e pode tornar muito mais difícil enfrentar os tratamentos.
A boa notícia é que existem estratégias eficazes, muitas delas sem recorrer a medicamentos.

🛌 Porque é que tantas pessoas com cancro dormem mal?

Não existe uma única explicação. Normalmente, vários fatores somam-se.
O impacto emocional do diagnóstico é um deles. O medo, a incerteza, a preocupação com os exames ou com os tratamentos ativam os sistemas de alerta do cérebro e dificultam o relaxamento necessário para adormecer.

Por outro lado, a própria doença e alguns tratamentos podem interferir diretamente com o sono. A dor, as náuseas, a falta de ar, os afrontamentos provocados pela hormonoterapia, a corticoterapia, a fadiga extrema e as alterações hormonais podem contribuir para noites mal dormidas.

Há ainda um círculo vicioso particularmente cruel: dormir mal aumenta a fadiga, a fadiga reduz a atividade física, a redução da atividade física prejudica ainda mais o sono.

⏰ O nosso corpo funciona com um relógio interno

Dentro do cérebro existe uma estrutura chamada núcleo supraquiasmático, responsável por regular o ritmo circadiano, ou seja, o ciclo natural de sono e vigília.
Este relógio biológico depende sobretudo da luz.
Quando nos expomos à luz natural pela manhã, o cérebro recebe a mensagem de que é hora de estar desperto. Quando a luminosidade diminui ao final do dia, aumenta a produção de melatonina, a hormona que ajuda a preparar o organismo para dormir.

O problema é que os hábitos modernos interferem constantemente neste mecanismo.

☀️ A primeira estratégia: apanhar luz natural logo de manhã
Parece simples, mas é uma das medidas com maior evidência científica.
Sempre que possível, tente expor-se à luz natural durante os primeiros 30 a 60 minutos após acordar. Uma caminhada curta, tomar o pequeno-almoço perto de uma janela ou simplesmente passar alguns minutos ao ar livre pode ajudar a sincronizar o relógio biológico.
Mesmo em dias nublados, a luz exterior continua a ser muito mais intensa do que a iluminação dentro de casa.

🌘 À noite, menos luz significa melhor sono
Nas duas horas antes de dormir, o ideal é reduzir progressivamente a intensidade da luz.
Luzes muito fortes e muito brancas, sobretudo as emitidas por telemóveis, tablets, computadores e televisões, enviam ao cérebro o sinal errado: fazem-no acreditar que ainda é dia.

Se possível:
Diminua a luminosidade da casa.
Evite ecrãs durante a última hora antes de dormir.
Prefira luzes mais suaves e quentes.
Utilize modos noturnos nos dispositivos eletrónicos.
Não é necessário viver às escuras. O objetivo é apenas permitir que o cérebro inicie naturalmente o processo de preparação para o sono.

💧 Cuidado com os líquidos antes de deitar

A hidratação é extremamente importante, sobretudo durante os tratamentos oncológicos.
No entanto, beber grandes quantidades de líquidos imediatamente antes de dormir pode aumentar as idas à casa de banho durante a noite e fragmentar o sono.
Em algumas pessoas, deitar-se logo após uma refeição pesada ou depois de ingerir muitos líquidos pode também agravar sintomas de refluxo gastroesofágico.

A estratégia mais eficaz é simples: manter uma boa hidratação ao longo do dia e reduzir o consumo excessivo nas últimas horas antes de dormir.

🛏️ O quarto deve ajudar o cérebro a perceber que chegou a hora de descansar

Pequenos detalhes fazem diferença:
Manter horários relativamente regulares.
Evitar trabalhar ou passar longos períodos no telemóvel na cama.
Privilegiar um ambiente silencioso.
Manter uma temperatura confortável.
Reservar a cama para dormir e para momentos de descanso.
O cérebro aprende através da repetição. Quanto mais associar a cama ao sono, mais facilmente entrará nesse estado.

🏃 O exercício físico ajuda — mesmo quando parece impossível

Pode parecer contraditório, sobretudo para quem vive com fadiga oncológica, mas a atividade física regular está associada a uma melhoria significativa da qualidade do sono.
Não estamos a falar de treinos intensos.
Caminhar, fazer exercícios ligeiros ou praticar atividade física adaptada às capacidades de cada pessoa pode ajudar a reduzir a ansiedade, melhorar o humor e regular o ritmo circadiano.
Idealmente, o exercício deve ser feito durante o dia e não imediatamente antes de dormir.

💊 E a melatonina? Funciona?

A melatonina é uma hormona produzida naturalmente pelo organismo.
Em algumas pessoas, sobretudo quando existe desregulação do ritmo circadiano, pode ajudar a reduzir o tempo necessário para adormecer.

No entanto, é importante desfazer um mito: a melatonina não é um comprimido milagroso. Não resolve, por si só, a ansiedade, a dor, a depressão ou outros problemas médicos que estejam a perturbar o sono.
Além disso, o facto de ser vendida sem receita não significa que deva ser utilizada indiscriminadamente. Vale a pena discutir a sua utilização com o médico ou farmacêutico.

E a valeriana?

A valeriana é uma planta utilizada há muitos anos como auxílio ao sono.
Alguns estudos sugerem benefícios modestos em determinadas pessoas, sobretudo na redução da ansiedade ligeira, mas os resultados científicos continuam a ser inconsistentes.
Tal como acontece com qualquer suplemento, “natural” não significa automaticamente “seguro” ou “adequado para toda a gente”.

💉 Quando é que os medicamentos mais fortes podem ser necessários?

Por vezes, apesar de todas as estratégias anteriores, o problema persiste.
Nesses casos, o médico pode considerar medicamentos como benzodiazepinas, ansiolíticos ou outros fármacos destinados ao tratamento da insónia.
Estes medicamentos podem ser extremamente úteis em situações específicas, mas não são isentos de riscos.

A utilização prolongada pode estar associada a:
Sonolência durante o dia.
Quedas.
Problemas de memória.
Dependência.
Tolerância ao efeito.
Por isso, devem ser utilizados apenas sob orientação médica.

🤐 O problema não é apenas dormir pouco. É sofrer em silêncio.

Muitas pessoas acreditam que dormir mal faz parte do tratamento e acabam por não falar sobre isso nas consultas.
Mas a insónia não é um detalhe. É um problema médico real, com impacto profundo na qualidade de vida, na fadiga, na dor, na memória e na saúde mental.
Se dorme mal há semanas ou meses, fale com a sua equipa de saúde. Há soluções e estratégias que podem fazer uma diferença enorme.

👂 Agora queremos ouvir-vos.

Desde o diagnóstico ou desde o início dos tratamentos, a sua relação com o sono mudou?
O que mais o ajuda a descansar? Há alguma estratégia que tenha feito diferença?
Partilhe a sua experiência nos comentários. Muitas vezes, uma dica simples pode ajudar outra pessoa que está a passar exatamente pelo mesmo.

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Hoje vai ser um dia bom!Não vou dar ouvidos ao meu corpo em recuperação. Ele que se apresse a ficar 100% que eu já estou...
21/07/2026

Hoje vai ser um dia bom!
Não vou dar ouvidos ao meu corpo em recuperação. Ele que se apresse a ficar 100% que eu já estou a perder a paciência.
Coloquei garrafas de água em cada aposento: sala, quarto, escritório e varanda.
A intenção é: de cada vez que eu entrar num desses locais beber um gole de água. Assim não me esqueço! 😇

Vou me dedicar à découpage, costura e estudo.
Sim, falei à minha médica da minha dificuldade de concentração, dos meus esquecimentos e ela recomendou-me ler, ler, ler e trabalhar o cérebro por exemplo com palavras cruzadas. Como a escrita é uma paixão, também é um bom exercício. Como falo português, inglês, francês e arranho o espanhol, concluí que o melhor será ler e estudar nestas línguas. O que acham?




Nem todas as profissões continuam enquanto fazemos tratamentos e recuperamos dos mesmos.Até há pouco tempo dividia a min...
19/07/2026

Nem todas as profissões continuam enquanto fazemos tratamentos e recuperamos dos mesmos.

Até há pouco tempo dividia a minha vida entre duas atividades: o turismo e o ensino

O turismo ficou suspenso ( muitas vezes me pergunto se não terei feito mesmo a última viagem da minha vida sem o saber ).

O ensino ficou reduzido e é feito com muita calma e tolerância.

Porque o raciocínio ficou mais lento e por vezes até, vazio!
Coisas básicas que estavam interiorizadas de repente são espaços de memória vazios que geram stress e despertam a ansiedade, gerando um círculo vicioso que chega a pôr em causa a minha capacidade para trabalhar.

A minha aparência mudou e tornou-se um motivo de desconforto, para uma atividade tão exigente como todas as que exigem o contacto constante com diferentes pessoas.

E o cansaço? Este cansaço que parece ter vida própria, que aparece quando não o chamamos e me faz sentir incapaz?

A vida é implacável. Ela é um relógio imparável que nós não podemos deixar de acompanhar.

Mas às vezes temos de parar se queremos ser bons profissionais. Admitir que não estamos na nossa melhor forma para desempenharmos determinadas funções, pode ser a única solução para mantermos um bom profissionalismo.

Caminho não sei com que força. Não sei com que esperança. Não sei com que orientação.

Deixo a vida empurrar-me.




18/07/2026

Já aqui disse que há dias difíceis, mas hoje apetece-me falar daqueles dias bons.

São os dias em que acordo cheia de boa disposição e energia.
Dias em que fico deitada a olhar para o teto e a perguntar-me se realmente passei por momentos difíceis. Se esses dias difíceis terão ficado no passado e finalmente se estenderão na minha frente dias de força, de ânimo, de vida ativa e agitada.
Nesses dias nem espero a resposta do meu subconsciente. Levanto-me e visto-me saboreando esses minutos de saudável genica.
Tomo o pequeno almoço deliciando-me com o bom sabor da torrada e do café com leite.
Olho para uma laranja e pondero fazer um sumo.
E de repente, tudo desaparece.
Um leve enjoo acorda e lembra-me que a saúde ainda é uma conquista pela qual luto.

Desisto do sumo de laranja.

Resolvo ser surda à voz do meu corpo e dou início a trabalhos domésticos normais do dia a dia: ponho roupa a lavar e enquanto espero o programa acabar, aspiro, faço a cama, preparo uma sopa para o almoço e por fim sento-me a ler um pouco.

Quando me levanto e me dirijo à máquina para tirar e estender a roupa entretanto lavada, sinto um cansaço que me dá um nó na garganta.
Cada gesto com cada peça de roupa, faz o meu peito gemer de um cansaço triste.
Estendo a última peça e fujo para a cadeira da varanda.
Olho para o céu azul brilhante e pergunto:
- Quanto tempo vão durar estes altos e baixos?

Rendo-me à minha realidade:
bebo um copo de água, pego no meu livro e deixo a vida ir correndo enquanto mergulho na leitura e esqueço os meus limites.




Eu sou eu e as minhas circunstâncias

Olho para o último meio ano e custa-me a acreditar que tenha vivido o que vivi. Tenho vontade de perguntar a mim mesma s...
16/07/2026

Olho para o último meio ano e custa-me a acreditar que tenha vivido o que vivi.
Tenho vontade de perguntar a mim mesma se fui mesmo eu que fui para a cirurgia, que olhei os médicos nos olhos, que fui aos tratamentos de quimioterapia e radioterapia...
parece-me incrível que aquela mulher firme, de cabeça levantada, fosse eu.
Agora que me sinto fraquejar, fragilizada, carente, amedrontada e ansiosa, nem acredito que tenha estado consciente nestes últimos seis meses.

Tive cuidado e atenção com a alimentação;
Tive cuidado e atenção com a pele;
Tive cuidado e atenção com o corpo;

Evitei sol,
respeitei o organismo,
insisti suavemente quando o meu Eu estava cansado,
segui as indicações das equipas que me acompanharam,
com fé e segurança.

Segui os conselhos que me deram,
desde a alimentação
ao uso de uma t-shirt de algodão branca virada do avesso.

Confiei, entreguei e segui em frente.
Estou aqui.

Grata,
cansada,
crescida
e com medo.

Continuo em frente sem saber como consegui, consciente de que me superei e sem confiança mas com uma certeza: este momento, é o presente e é o futuro.
Não posso parar. Continuemos...




14/07/2026

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