18/07/2026
Ainda esta semana tive uma conversa com alguém que relatava que um dos seus maiores medos era desenvolver demência. Quando lhe respondi que a grande maioria podia ser prevenida — e que está nas nossas mãos reduzir esse risco — a reação foi semelhante à que teve Galileu quando afirmou que a Terra girava em torno do Sol.
O pior é que esta ideia já nem é assim tão revolucionária. A própria OMS afirma que até 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos se abordássemos os fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, o consumo de álcool, a hipertensão, a diabetes, a perda auditiva, entre outros.
Pessoalmente, acredito que este número poderá ser ainda superior, mas porque continuamos a diagnosticar muitas doenças demasiado tarde, quando a sua história natural já decorre há anos ou décadas e o corpo já mostra que não está bem, mas ainda não tem um rótulo. Se atuássemos mais cedo, sobretudo nas causas que estão na origem dos componentes da síndrome metabólica, acredito que conseguiríamos prevenir muito mais casos do que atualmente prevemos.
Mais do que isso, já existe evidência que mostra que, em fases precoces, o declínio cognitivo pode ser revertido quando as causas são identif**adas e tratadas de forma intensiva, se soubermos onde aceder a essa informação. Se calhar não precisaríamos que fosse intensiva, se a mudança fosse bem antes de se bater na parede.
O declínio cognitivo não rouba apenas memória. Rouba independência, autonomia, dignidade e qualidade de vida. É precisamente por isso que vale a pena investir na prevenção. Porque quanto mais cedo começar, maior será a probabilidade de nunca chegar ao ponto em que a única opção é tratar as consequências. E muitas delas, nesse momento, não darão para resolver.
Este texto fala sobre demência, mas poderia substituir a palavra por qualquer outra doença da civilização.