26/06/2026
“Consegues gerir tudo tão bem, Marisa.”
Perdi a conta à quantidade de vezes que ouvi esta frase ao longo deste último ano. E perdi também a conta às vezes em que, por dentro, me senti uma fraude ao ouvi-la. Talvez por isso hoje tenha decidido publicar uma fotografia que mostra um dos muitos momentos invisíveis deste ano: eu, a chorar, enquanto estudava.
A decisão de voltar a estudar foi assustadora para mim. Acho que nunca nada na vida me meteu tanto medo. E eu sabia exatamente de onde vinha esse medo.
Costumo dizer que a ignorância é uma bênção e que, às vezes, preferia não saber tão bem o que quero. Mas sei. E o medo vem daí. De saber exatamente o que quero.. e de existir sempre a possibilidade de falhar.
Este ano fez-me sair da minha zona de conforto de uma forma tão intensa que só consigo comparar à experiência da maternidade. Foi bonito, sim. Mas também foi duro. Houve cansaço, dúvidas, culpa, lágrimas, noites mal dormidas, e muitos momentos em que achei que não ia conseguir. Mas consegui.
Hoje terminei o 1° ano da Licenciatura, e não queria deixar passar este momento sem agradecer a quem, de tantas formas, me segurou.
Aos meus pacientes, que ao longo deste ano tiveram uma compreensão enorme perante atrasos nas respostas, alterações de consultas e todos os ajustes que esta fase exigiu. Obrigada pela paciência, pelo carinho e por confiarem em mim mesmo nos momentos em que eu não consegui estar tão disponível como gostaria.
Aos meus amigos, que em momento algum me deixaram sozinha. Que respeitaram os meus silêncios, mas continuaram a aparecer com mensagens de apoio, incentivo e orgulho. Que me fizeram sentir, muitas vezes, aquilo que eu própria tinha dificuldade em reconhecer. E aos meus colegas de curso que, ao longo deste caminho, também se tornaram amigos.
Ao meu marido e à minha filha, pela paciência, pelo amor e pela capacidade de me verem atravessar este ano em modo sobrevivência.
Termino este primeiro ano cansada, emocionada e muito consciente de que nem sempre “gerir tudo bem” signif**a fazê-lo sem cair. Às vezes, signif**a cair muitas vezes.. mas continuar.