17/09/2026
O poeta é um fingidor.
Com este verso, Fernando Pessoa resume-se.
Se Florbela viveu cada dor como se fosse a última, Pessoa fez o oposto: fingiu cada dor como se fosse de outro.
Fingimento, aqui, não é mentira. É arte. É a capacidade de criar um outro eu para poder dizer o que o eu não consegue dizer.
Por isso, Pessoa não foi um poeta. Foi vários:
Álvaro de Campos — o engenheiro futurista e angustiado;
Ricardo Reis — o clássico, sereno, que aceita o destino;
Alberto Caeiro — o guardador de rebanhos que só acredita no que vê;
E Fernando Pessoa, ele próprio — o que finge todos os outros.
A isto chamamos heteronímia: a fragmentação do eu. Um homem que se despedaçou em poetas para poder ser inteiro.
Durante as próximas 5 semanas, vamos ler 5 poemas / 5 máscaras. Começaremos com Autopsicografia — o poema onde ele explica o seu "truque". F**a atento às publicações.
De qual heterónimo gostas mais?
A saga começa agora.