Pediatra João

Pediatra João Pediatra, Neonatologista, pai de 3
(4)

28/07/2026

Fui eu que gravei este vídeo.

E quando o revi, pensei: o maior perigo nesta imagem pode muito bem ser o telemóvel que a está a filmar.

Os afogamentos nas crianças são, muitas vezes, silenciosos. Não há gritos. Não há pedidos de ajuda. Não acontecem como nos filmes.

E o mais assustador é que podem acontecer em poucos segundos e em apenas alguns centímetros de água.

A maioria de nós acredita que está atento… até o telemóvel vibrar, chegar uma mensagem, aparecer uma chamada ou surgir aquela vontade de gravar “só mais um vídeo”.

É por isso que, sempre que há crianças na água, deve haver uma regra muito simples:

👀 Um adulto é o responsável pela vigilância.
📱 Sem telemóvel.
💬 Sem conversas que desviem a atenção.
🔄 Ao fim de 15-20 minutos, outro adulto assume essa função.

Assim, há sempre alguém cuja única missão é olhar para as crianças.

Não se trata de viver com medo. Trata-se de criar hábitos que reduzem o risco.

Porque, quando uma criança está na água, a supervisão não deve ser partilhada com o telemóvel. 💙

27/07/2026

Hoje celebra-se o Dia do Pediatra. 💙

Há quem ache que ser pediatra é só tratar crianças. Na verdade, é também tranquilizar pais, celebrar pequenas vitórias, enfrentar dias difíceis e, muitas vezes, emocionar-nos com histórias que levamos connosco para casa.

Entre respostas improváveis e algumas demasiado previsíveis 😅, f**a um bocadinho dos bastidores de quem vive esta profissão com o coração.

Feliz Dia do Pediatra a todos os colegas. 👶🩺

Aos que cuidam, acolhem, ensinam e amam sem medida. Feliz Dia dos Avós. ♥️
26/07/2026

Aos que cuidam, acolhem, ensinam e amam sem medida. Feliz Dia dos Avós. ♥️

🚗☀️ SÍNDROME DO BEBÉ ESQUECIDOChama-se Síndrome do Bebé Esquecido ao fenómeno em que um cuidador, muitas vezes um pai ou...
24/07/2026

🚗☀️ SÍNDROME DO BEBÉ ESQUECIDO

Chama-se Síndrome do Bebé Esquecido ao fenómeno em que um cuidador, muitas vezes um pai ou uma mãe atento e responsável, se esquece involuntariamente que a criança está no carro.

Não é um mito. Não acontece apenas a pais negligentes. Pode acontecer a qualquer um de nós.

🌡️ POR QUE É TÃO PERIGOSO?

O interior de um carro pode aquecer rapidamente, atingindo temperaturas fatais em poucos minutos, mesmo num dia moderadamente quente. O corpo de uma criança aquece 3 a 5 vezes mais depressa do que o de um adulto.

A hipertermia grave pode provocar lesão cerebral irreversível, falência multiorgânica e morte.

🧠 Porque é que o esquecimento acontece?

A neurociência ajuda-nos a compreender este fenómeno. Quando há uma alteração da rotina (por exemplo, é o pai a levar o bebé à creche em vez da mãe), o cérebro pode entrar em “piloto automático” e seguir a rotina habitual. Se o bebé estiver a dormir em silêncio, pode não existir qualquer estímulo que interrompa esse processo.

📊 Embora os dados europeus sejam escassos e fragmentados, nos EUA morrem, em média, 37 crianças por ano dentro de veículos por hipertermia. A maioria destes casos ocorre após um esquecimento involuntário.

✅ COMO PODEMOS PREVENIR?

Além das medidas resumidas neste post, deixo mais duas recomendações importantes:

1️⃣ Estabeleça um sistema de check-in com a creche ou ama.
Combine que, se a criança não chegar à hora habitual sem aviso prévio, entrem imediatamente em contacto consigo.

2️⃣ Se encontrar uma criança sozinha num carro quente, ligue de imediato para o 112. Não espere. Não assuma que os pais estão “já a chegar”. Nestes casos, cada minuto conta.

💛 UMA NOTA PARA OS PAIS

Se alguma vez chegaram ao destino e, por um instante, se surpreenderam ao perceber que o vosso filho ainda estava a dormir no banco de trás, não estão sozinhos.

O cérebro humano é falível, sobretudo sob stress, privação de sono e alterações da rotina.

A prevenção não passa por confiar mais na memória. Passa por criar sistemas que compensem essa falibilidade.

📤 Partilhe este post. Pode salvar uma vida.

23/07/2026

Há coisas que preocupam tanto os pais que, por vezes, parecem uma emergência. E depois há coisas que fazem um pediatra levantar realmente a sobrancelha. Nem sempre são as mesmas.

Estas são 5 situações que costumam assustar muito mais os pais do que os pediatras:

1️⃣ Os percentis 📈
Muitos pais f**am preocupados porque o filho está no percentil 15 em vez do 75. Mas, na maioria das vezes, o percentil, por si só, diz-nos muito pouco. O importante é que a criança cresça de forma consistente ao longo da sua curva.

2️⃣ A idade exata das aquisições 👶
“Ainda não anda.” “Ainda não fala.” O desenvolvimento infantil não é uma corrida. Existem janelas de normalidade relativamente amplas e comparar com outras crianças costuma gerar mais ansiedade do que respostas.

3️⃣ Estar “sempre constipado desde que entrou para a creche” 🤧
É extremamente frequente nos primeiros anos. O importante não é o número de constipações, mas sim como a criança recupera entre elas e se existem sinais que justifiquem investigação.

4️⃣ A cor do cocó 💩
Poucas coisas geram tantas mensagens. Na maioria das vezes, a cor do cocó, por si só, não nos preocupa. Mas há cores que nunca devem ser ignoradas, como fezes brancas ou negras (sem uma explicação óbvia), e também a presença de sangue em determinados contextos.

5️⃣ Não comer durante um ou dois dias 🍽️
Quando uma criança está doente, preocupa-me muito mais que esteja bem hidratada do que a quantidade que come. O apetite costuma regressar quando melhora.

⚠️ Isto não signif**a que estas situações devam ser ignoradas. O contexto é sempre fundamental. Signif**a apenas que, isoladamente, raramente são aquilo que mais pesa na avaliação de um pediatra.

E a si? Qual destas já o preocupou mais? 👇

21/07/2026

1. Não é só “começar a dar sopa”.
É uma fase de crescimento, desenvolvimento motor e sensorial e que influencia a relação do bebé com a comida para o resto da vida.

2. Ajuste expectativas.
Os primeiros dias são mais de sujidade e brincadeira do que de “refeições completas”. Olhar, tocar, esmagar e lamber é aprendizagem.

3. Comece simples, não perfeito.
Não precisa de menus elaborados. O bebé está a aprender sabores e texturas, não a fazer degustações.

4. Ferro primeiro, dramas depois.
Nos primeiros 6 meses as reservas de ferro baixam. Carnes, peixe, leguminosas e cereais ajudam, combinados com vitamina C para melhor absorção.

5. Não fuja dos alergénios.
Ovo, peixe, glúten, frutos secos… a introdução precoce e progressiva é protetora. Adiar só aumenta a ansiedade.

6. Não há um método ideal.
O melhor método é o que é seguro e que se adapta melhor à sua família.

7. Atenção à janela das texturas.
Manter tudo passado durante meses dificulta a aceitação de pedaços depois. Há uma altura ideal para espessar, juntar grumos e oferecer pedaços.

8. Gag reflex não é engasgamento.
Tossir, fazer caretas ou empurrar comida para fora pode ser apenas reflexo. Saber distinguir reduz metade do stress à mesa.

9. A pressão é o maior inimigo da boa relação com a comida.
Distrair com ecrãs, insistir ou enfiar a colher à força faz o bebé ignorar os sinais internos. Os pais decidem o que come, o bebé decide quanto.

10. Olhe para as semanas, não para o dia.
Vai haver dias de brincadeira, dias de recusa e dias de apetite. Importa o padrão: variedade, segurança e ambiente calmo.

Isto não é para assustar, é para dar clareza. Quando percebe o porquê das recomendações, reduz a culpa e desfruta mais desta fase.

Se quiser aprender comigo o essencial (desde o quando começar até ao como compor pratos completos, progredir nas texturas, gerir alergénios, água, leite, medo de engasgamento) e ter apoio e resposta a dúvidas…

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17/07/2026

Por muito que se estude, há coisas só percebemos quando passamos por elas.

Ser pai mudou a forma como vejo as famílias que acompanho. Há sentimentos que nenhum manual ensina: a culpa, o medo de falhar e a vontade constante de fazer melhor. Concordam?

13/07/2026

Um gráfico pode ser verdadeiro e, ainda assim, ser usado para transmitir uma conclusão errada.

É precisamente isso que acontece quando se mostra um gráfico da mortalidade por sarampo e se conclui que o sarampo “já estava a ser erradicado” antes da introdução da vacina.

É verdade que, ao longo do século XX, a mortalidade por sarampo começou a diminuir em muitos países, muito antes da vacinação em massa. As principais razões foram a melhoria das condições de vida, da nutrição, dos cuidados médicos e do tratamento das complicações, como a pneumonia bacteriana.

Mas isso não signif**a que as crianças tenham deixado de apanhar sarampo.

Antes da vacinação, mais de 95–98% das pessoas contraíam sarampo ao longo da vida, sendo uma doença praticamente universal na infância. O vírus continuava a circular intensamente.

O impacto da vacinação foi diferente: reduziu drasticamente a transmissão da doença, levando a uma queda abrupta do número de casos, de hospitalizações e, consequentemente, também das mortes. Sempre que a cobertura vacinal diminui, os surtos reaparecem! Isto é algo que continuamos a observar em vários países.

Por isso, utilizar um gráfico de mortes para afirmar que “o sarampo já estava a desaparecer” é confundir dois indicadores distintos e retirar uma conclusão que aquele gráfico, por si só, não permite.

A ciência constrói-se analisando toda a evidência disponível, e não escolhendo um único gráfico que parece confirmar aquilo em que já queremos acreditar.

🎥 Excerto do vídeo publicado por .joanes e

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