27/08/2026
Deixei de insistir onde já não havia presença.
Soltei pedidos feitos com as mãos fechadas.
Levantei de lugares ocupados por ausências.
Retirei minhas expectativas de quem não podia me encontrar.
Pareis de fingir compreensão onde só havia distância.
Descansei o olhar e a esperança de corações que não desejavam pulsar junto ao meu.
E então, algo mudou.
Voltei para mim.
Como quem retorna ao único endereço possível.
Ao único caminho ainda aberto.
Ao reencontro que sempre foi adiado.
Quando voltei, vi minhas estruturas expostas.
As dores guardadas.
A alma ressecada, pedindo cuidado, pedindo água.
E eu me recebi.
Sem julgamento.
Me perdoei.
Apoiei a cabeça em meu próprio ombro.
Chamei por mim com a minha voz, não mais com a dos outros.
Eu me encontrei.
Diferente, sim.
Mas inteiro.
E me tive outra vez.
Agora, de forma consciente.
Então, outra magia se revelou.
Percebi que as chaves sempre estiveram aqui dentro.
Do lado de fora existem apenas portas.
Sou eu quem decide quais abrir.
Sou eu quem escolhe o ritmo, o caminho, as companhias.
Eu decido onde ficar.
Eu escolho como seguir.
Eu escolho com quem caminhar.
Eu reconheço o que desejo.
Eu assumo o que mereço.
Com o tempo, compreendi que essa magia nunca me abandonou.
Ela apenas aguardava que eu parasse de me rejeitar.
Foi preciso descer às minhas sombras para voltar à vida.
Me abracei.
Me aceitei.
E segui.
Agora, não sobrevivo.
Eu vivo.
Mais presente.
Mais inteiro.
Mais eu do que nunca