23/04/2015
Angolanos pelo Mundo - Edna Salles
Miss Huambo 2008, a modelo vive atualmente os seus dias em Lisboa onde estuda Gestão de Recursos Humanos.
Como é que tudo começou? Quando é que aconteceu a tua ligação com a moda?
Muito cedo, em criança já gostava de roupas, calçado, tendências. A moda sempre me despertou grande interesse, sabia que bastaria surgir uma oportunidade para experienciar o que ambicionava fazer!
Tudo começou no concurso de beleza Miss Huambo 2008 que marcou o início da minha carreira.
Ser modelo sempre foi um objectivo?
Desde pequena mostrei forte ligações com a moda, mas em tenra idade não sabia se era apenas uma pequena ilusão ou uma grande paixão pela moda.
Com o tempo, fui crescendo e obviamente comecei a perceber e a aprender mais sobre o assunto. Posso agora dizer que me apaixonei e sim ser modelo é um objetivo.
Porquê a escolha de Portugal para estudar? O que estudavas em Angola?
Cada um de nós tem objetivos e concluir meus estudos é uma das grandes prioridades para mim.
Em Angola estudava Engenharia Informática, a vinda para Portugal para estudar foi uma oportunidade que surgiu e que decidi aproveitar.
Como foi a adaptação? Quais foram os principais desafios e dificuldades ao chegar a Lisboa?
É sempre difícil estar distante dos nossos familiares, viver outra cultura e suportar um clima totalmente diferente . Tive que me adaptar o mais rápido possível e agora sinto-me bem cá em Portugal.
Como é estar longe de Angola? Do que sentes mais saudades?
Tenho sempre presente que vim para Portugal com objectivos bem definidos e que os pretendo cumprir, isso fortalece-me muito e ajuda-me nas adversidades. Do que sinto mais saudades… da minha família e dos meus amigos e, claro da gastronomia!
O que mais te surpreendeu em Lisboa? Pela positiva e pela negativa?
Não diria Lisboa especificamente, mas sim o País, e apenas me surpreendeu pela positiva. Já conhecia Portugal e outros Países Europeus, considero que fui bem acolhida e sinto-me bem emocionalmente.
Quanto a trabalho, tive oportunidade de fazer alguns desfiles e trabalhos publicitários em várias cidades Portuguesas e isso traz-me uma grande satisfação.
Foi um orgulho para mim participar num dos maiores e mais prestigiados eventos de moda Africana, o Black Fashion Week Lisboa. Posso até adiantar que estarei presente na 3º edição.
A realidade de Lisboa é bastante diferente da realidade da cidade do Huambo, quais consideras as principais diferenças?
Quando vim para Portugal já não vivia no Huambo, morava em Luanda onde permaneci por dois anos. As realidades das três cidades são bem distintas mas o Huambo será sempre a minha casa.
Tento dar o meu melhor e explorar ao máximo as opções que estão ao meu alcance, em termos de oportunidades de trabalho penso que elas poderiam surgir no Huambo, em Luanda ou aqui, é um pouco relativo. Tentarei sempre ser professional e conciliar o meu trabalho na moda com a minha formação superior.
Já tiveste oportunidade de conhecer outras cidades Portuguesas?
Sim, tenho vindo a fazer trabalhos por vários pontos do País, tanto ao Norte como ao Sul. Portugal é um País de grandes belezas e atrativos muito diversificados.
Como é viver e trabalhar como modelo em Lisboa?
Trabalhar como modelo em Portugal, é um desafio como é de certeza em qualquer outro local. Acredito que depende muito das perspectivas que se apresentam e de como nos aplicamos e dedicamos.
O que mais gostas de fazer nos teus tempos livres, entre a faculdade e a vida profissional?
Sempre que posso, gosto de ler. Adoro aprender todos os dias e considero isso muito importante em qualquer circunstância da vida.
Passo algum tempo entre amigos e pratico desporto.
Uma carreira internacional está sempre nos planos de uma modelo, gostarias de regressar a Angola ou de te radicar numa cidade europeia?
Claramente pretendo regressar ao meu País e contribuir com o pouco que tenho aprendido.
Devo dizer também, que apesar de estar a fazer trabalhos de moda cá em Portugal, tudo isso passa pelo suporte de um grupo baseado em Luanda que é a "J TO THE K Managements".
Pisar as passarelas internacionais é sempre aliciante, Milão, Paris é o sonho de qualquer modelo, ambiciono ser um dia vestida por grandes nomes da moda!
Para além da moda e dos estudos, também te dedicas à solidariedade social, o que sentes quando estás a ajudar?
Esse é um trabalho muito gratificante. Um dos nossos grandes projetos e que já é uma realidade, é ajudar as instituições polivalentes, em particular Lares de Crianças Orfãs. Temos visitado diversas instituições e aos poucos temos conseguido fazer algumas doações.
Qual é a melhor parte de se trabalhar no mundo da moda? e a pior?
A melhor é enfrentar novos desafios, gosto de aprender sempre! Gosto de me expressar, quer seja na passarela, ou em frente a uma câmara fotográfica.
Penso que a pior parte são as ausências… a distância aos nossos entes queridos, às nossas coisas… à nossa casa….
Depois, quem realmente quer “vingar” no mundo da moda tem que exigir de si próprio rigor e disciplina. Alimentação, exercicio físico, descanso são essenciais.
Planos para o futuro próximo?
Terminar meus estudos e alcançar outro patamar se a vida me sorrir, claro.