07/07/2026
MENINGITE VIRAL: ETIOLOGIA, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
A meningite viral é uma inflamação das meninges geralmente menos grave do que a meningite bacteriana aguda. É frequentemente autolimitada, com evolução favorável na maioria dos casos, embora possa causar sintomas significativos e, em situações específicas, complicações.
O termo meningite viral é, por vezes, utilizado como sinónimo de meningite asséptica. No entanto, meningite asséptica refere-se a qualquer meningite não causada pelas bactérias típicas da meningite bacteriana aguda, podendo incluir vírus, fungos, doenças não infecciosas e outros agentes.
A etiologia da meningite viral está mais frequentemente associada aos enterovírus, sendo estes os principais responsáveis pelos casos, especialmente em períodos sazonais. Outros agentes incluem o vírus do herpes simples tipo 2 (HSV-2), vírus varicela-zóster, vírus do Nilo Ocidental e, mais raramente, vírus como o Zika e o chikungunya. Em alguns casos, a meningite pode ocorrer em contexto de infeção por HIV ou COVID-19.
A transmissão ocorre, na maioria das vezes, por via hematogénica. Em infeções por HSV-2 e varicela-zóster, pode ocorrer reativação de infeções latentes. A meningite por HSV-2 pode apresentar caráter recorrente, conhecida como meningite de Mollaret.
Clinicamente, a meningite viral inicia-se frequentemente com sintomas inespecíficos de infeção viral, como febre, mialgias e sintomas respiratórios ou gastrointestinais. Posteriormente, surgem sinais típicos de irritação meníngea, incluindo cefaleia, febre e rigidez da nuca. Em geral, os sintomas são semelhantes aos da meningite bacteriana, porém menos intensos.
Diferentemente da meningite bacteriana, a meningite viral geralmente não afeta o parênquima cerebral, razão pela qual manifestações como confusão mental, convulsões ou défices neurológicos são menos comuns. No entanto, casos mais graves podem mimetizar meningite bacteriana, exigindo atenção clínica rigorosa.
O diagnóstico baseia-se na análise do líquido cefalorraquidiano obtido por punção lombar. Os achados típicos incluem pleocitose com predomínio linfocítico, níveis de glicose normais ou ligeiramente reduzidos e proteínas moderadamente elevadas. Métodos moleculares, como a PCR, são fundamentais para a identificação do agente etiológico.
É importante salientar que os achados laboratoriais podem sobrepor-se aos da meningite bacteriana, especialmente em casos parcialmente tratados. Assim, na dúvida diagnóstica, deve-se iniciar tratamento empírico para meningite bacteriana até sua exclusão.
O tratamento da meningite viral é predominantemente de suporte, incluindo hidratação, controlo da febre e alívio sintomático. Em casos suspeitos de infeção por herpes simples ou varicela-zóster, o aciclovir é indicado. Pacientes com infeção por HIV devem receber terapêutica antirretroviral adequada.
Em conclusão, embora a meningite viral apresente geralmente bom prognóstico, o reconhecimento precoce e a diferenciação em relação à meningite bacteriana são fundamentais para uma abordagem segura e eficaz.