28/10/2025
A dependência afetiva pode ser observada em várias formas de se relacionar, mas é bastante comum encontrar tal fenômeno em relacionamentos amorosos. Como um vício pela presença do outro, o sujeito se vê incapaz de ter uma vida na ausência de seu parceiro, lutando para se manter na relação mesmo que esta não o faça feliz em aspectos cruciais. A moeda de troca é sempre mais valiosa, porém nem contabilizada por quem recebe, já que este que recebe não teme a ausência como o outro. Desgastando uma das partes em detrimento da outra.
Contudo, em uma sociedade criteriosa para a escolha de seus pares, soa genuíno a "luta pelo amor" quando este é minimamente correspondido. O sujeito dependente quer justificar ou amenizar o pouco amor recebido por suas razões particulares, dentre elas são comuns discursos como:
"Esse é o jeito dele de amar mesmo...preciso me acostumar"
"Ele está/é doente, precisa que eu esteja aqui!"
"Ele me ama, mas não pode expor agora nosso relacionamento por questões absolutamente compreensíveis"
Minado por essa necessidade de estar junto, os critérios desse amante vão diminuindo até que só os critérios de seu parceiro exista, fazendo desaparecer seu "EU" quase por completo.
Se você se reconhece de alguma forma neste pequeno texto, observe quais eram suas características, seus gostos, seus hábitos antes do início do relacionamento. Caso haja mudanças que te façam não existir e sofrer por isso, busque formas de autoconhecimento para descobrir se vale a pena ter uma identidade trocada para dividir a vida com alguém.
Quem eu sou sem ele?
Eu existo? Posso existir?
Para que haja amor pelo outro é crucial que se descubra quem se é para escolher (de forma lúcida), fundamentando-se em sua autossuficiência, autonomia e liberdade.
Mas decidir sair de um relacionamento é doloroso porque movimenta nossa forma de nos vincular. Transformar algo que já é costume de um sujeito requer dedicação ao processo de autoconhecimento e auto cuidado com ajuda de uma rede de apoio robusta e do processo psicoterapêutico para enfrentar o que não funciona mais.
Isabelle Delvalles Baioni
CRP: 14/08657-2