14/05/2026
Amigos do Lar São Camilo de Lélis.
Boa tarde ❤️
❤️ CONHECER PARA AMAR ❤️
Projeto de Valorização e Visibilidade do Lar São Camilo de Lélis
CADA PESSOA É UM MUNDO.
ISRAEL GOMES.
O Israel me pediu para contar a história dele para vocês. Há alguns dias, escrevi e publiquei aqui a história dos irmãos Antônio e João — uma história linda.
Desde então, Israel vem me pedindo para escrever a dele. Ele me contou a sua história, e eu registrei tudo com muito respeito e amor.
Espero que vocês gostem!
Israel Gomes, 76 anos, nasceu e cresceu em Itapira (SP), filho de Rafael e Alzira. Cresceu na Vila Risca Faca, onde viveu uma infância típica das crianças do interior: jogar bola na rua, subir em árvores e aproveitar a liberdade simples e alegre de uma vida simples.
Lembra com saudades das comidas da mãe; o minestrone que ela fazia era maravilhoso. Ele lembra do gosto até hoje.
Junto com a lembrança do minestrone vem a saudade da mãe, da casa simples, do cheiro da lenha queimando no fogão...
Desde muito cedo, conheceu a dureza do trabalho. Ainda jovem, foi trabalhar na usina do Virgulino e enfrentava todo tipo de serviço: cortar cana, consertar cercas, carpir e plantar.
Depois de muitos anos dedicados à usina, passou a trabalhar como “boia-fria”. Junto com ele, também trabalhava uma família numerosa — pai, mãe e filhos.
Foi aí que ele conheceu Benedita, uma das filhas da família. Quando viu aquela morena linda chegando, foi amor à primeira vista — e o sentimento foi recíproco. No entanto, trocavam apenas olhares furtivos e conversas rápidas, porque o pai dela era muito bravo e não aceitava “gavião ciscando no terreiro”.
O tempo passou, os jovens ficaram mais velhos, o pai de Benedita faleceu, e Israel criou coragem. Pediu que sua mãe conversasse com a mãe da moça para pedir permissão para namorar. A resposta foi direta:
— Diga ao seu filho para deixar de ser frouxo e vir conversar comigo. Se ele gosta dela e ela gosta dele, podem namorar e casar.
E assim aconteceu. Casaram-se, e a mãe de Benedita cedeu uma casinha nos fundos de sua casa. Israel ajeitou o espaço, comprou móveis, deixou tudo aconchegante, e ali foram muito felizes por muitos anos. Eram companheiros, colegas de trabalho e viviam um relacionamento cheio de carinho e afeto.
Benedita, desde mocinha, enfrentava crises de epilepsia e outros problemas de saúde, que se agravaram com o tempo, até que, infelizmente, ela faleceu.
Desiludido e triste com a perda da esposa, Israel mudou-se para Serra Negra e foi trabalhar como copeiro no Rádio Hotel. Ele conta que esse período foi muito feliz: ganhava bem e fez muitos amigos.
Após um desentendimento no trabalho, perdeu o emprego e mudou-se para as Três Barras, onde cortava madeira para fazer mourões. Trabalhou ali por alguns meses, mas, como ganhava pouco, pediu as contas e ficou sem saber o que fazer da vida.
Era véspera de Natal quando resolveu passear por Lindóia. Sentado no Bar do Japão, comendo sardinha frita e tomando uma cerveja, pensava em que rumo dar à sua vida. Foi então que viu, sentada em um banco da praça, uma senhora acompanhada de um menino pequeno. Ela fez um sinal, chamando-o para conversar.
Ele terminou rapidamente a cerveja e a sardinha, pagou a conta, atravessou a rua e se encontrou com os dois. A empatia pelo menino foi imediata — e pela mãe também. Ela contou que era viúva, que moravam na Rua do Pito e que estavam esperando o Papai Noel, que distribuiria presentes para as crianças.
Quando o bom velhinho chegou, Israel conseguiu pegar uma bola para o menino e uma boneca para a senhora — ela havia dito que nunca tivera uma boneca na infância e gostaria de ganhar uma. Ele se encantou com a alegria dela ao receber o presente.
Depois, convidou os dois para lanchar no Bar do Português. Pediu refrigerante e coxinhas para eles e, quando perguntou se podia tomar uma pinga, ela respondeu que sim:
— Uma pinguinha de vez em quando não faz mal pra ninguém.
Aí ele se apaixonou.
Conversaram longamente, e ela o convidou para morar com eles. Assim começou um amor que durou até o fim da vida dela.
Quando a esposa adoeceu e já não conseguia mais andar, além de enfrentar outras doenças, Israel não conseguia cuidar dela sozinho. Ela veio para o Lar, e ele veio junto. Não queria ficar longe da esposa.
Ele conta com orgulho que ficou com as duas esposas até o fim, junto, cuidando, porque o amor tem que ser assim: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Quando ela se foi, Israel já estava habituado à vida no Lar. Encontrou ali tudo o que precisava: amigos, cama limpa, comidinha boa e quentinha e a paz merecida depois de uma vida inteira de trabalho duro.
Uma das alegrias do Israel é jogar na loteria. O Itamar, nosso residente, e a Josi, nossa nutricionista, ajudam ele a fazer e conferir os jogos, e o Robson ou Messias, funcionário e voluntário do Lar, levam o jogo na lotérica para ele.
É tão bonita essa interação entre as pessoas no Lar, um tentando proporcionar alegria para o outro.
Israel é muito querido por todos nós do Lar.
E a gente agradece imensamente a oportunidade de conviver com ele.
Marilene Rodrigues de Oliveira — 2026.
Israel Gomes, mais de uma década de convivência marcada por carinho, respeito e afeto.🙏