21/05/2025
Esses dias vivi um episódio que, aos olhos de fora, poderia parecer irrelevante: minha filha dormiu sozinha no carrinho pela primeira vez.
Sem embalo, sem colo, sem mim.
Foi uma vitória — dela e minha. Mas logo depois da euforia, veio o silêncio. Um silêncio interno que me dizia: “ela não precisou de você agora”.
E então entendi: o peso da insignificância.
Ser mãe é viver esse paradoxo. Você se torna o mundo inteiro de alguém, e ao mesmo tempo precisa preparar esse alguém para sair desse mundo — para dormir só, andar só, decidir só. Winnicott chamava isso de ser uma mãe suficientemente boa: aquela que, após atender intensamente às necessidades do bebê, começa a se ausentar de forma gradual e saudável.
É uma tarefa cheia de amor, mas também cheia de dor.
Porque o ego materno, em muitos momentos, é inflamado. A maternidade nos coloca em um lugar de protagonismo absoluto, e pode ser difícil sair dele. Quando a criança cresce, mesmo que por segundos, e mostra que já pode algo sozinha, algo em nós sente um vazio.
Melanie Klein fala da angústia da separação. Do quanto a mãe, ao se afastar, precisa confiar que o vínculo já está instalado, mesmo sem a presença física constante.
É nesse espaço que a insignificância emerge — e com ela, um luto discreto. O luto de não ser mais o centro. Mas, é nesse mesmo espaço que surge algo ainda mais bonito: a confiança no vínculo, a força do invisível, o amor que não precisa se provar o tempo todo.
Quando minha filha dormiu sozinha, percebi: eu fui suficientemente boa para que ela pudesse dormir sem mim.
E isso… é tudo.
🦋 Psicóloga Evelini Ferraz Rodrigues | CRP: 185.740
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