Dr. Flávio Zambelli - Urologista

Dr. Flávio Zambelli - Urologista Médico Urologista em Alfenas/MG. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)

31/07/2026

Receber a indicação de uma cirurgia para retirar a próstata costuma trazer muitas dúvidas. E, na maioria das vezes, elas não estão relacionadas apenas ao câncer, mas ao que acontece com o corpo depois da operação.

A próstata está localizada muito próxima de estruturas responsáveis pela continência urinária e pelos nervos relacionados à ereção. Por isso, durante a prostatectomia radical, algumas mudanças podem acontecer.

A ejaculação deixa de existir porque, sem a próstata e as vesículas seminais, não há mais produção do líquido que compõe o sêmen. O orgasmo pode continuar acontecendo, mas a fertilidade natural é perdida.

Também é comum que alguns pacientes apresentem escapes de urina nas primeiras semanas ou meses após a cirurgia. Isso ocorre porque o esfíncter urinário e os músculos do assoalho pélvico precisam se adaptar à nova anatomia. Felizmente, a grande maioria recupera a continência ao longo da recuperação.

Outra preocupação frequente é a ereção. Os nervos responsáveis por essa função passam muito próximos da próstata e, sempre que a segurança oncológica permite, procuramos preservá-los. A cirurgia robótica oferece uma visão ampliada e movimentos mais precisos, favorecendo uma dissecção anatômica mais delicada, mas o risco de alterações na função erétil ainda faz parte da conversa antes do tratamento.

Depois da cirurgia, existe ainda uma mudança muito importante: o PSA. Como a próstata foi removida, espera-se que esse exame caia para níveis muito baixos ou indetectáveis. A partir desse momento, ele passa a ser um dos principais exames de acompanhamento, ajudando a identificar precocemente qualquer sinal de recorrência da doença.

É importante lembrar que cada paciente tem uma recuperação diferente. Idade, condições de saúde, características do tumor, técnica cirúrgica e acompanhamento pós-operatório influenciam diretamente nos resultados.

Mais do que conhecer os possíveis efeitos da cirurgia, o fundamental é entender que muitos deles podem ser prevenidos, tratados ou minimizados com planejamento, uma técnica cirúrgica adequada e um seguimento especializado.

Ficou com alguma dúvida sobre a cirurgia da próstata? Deixe sua pergunta nos comentários.

29/07/2026

Quando falamos em cirurgia, é comum que a atenção fique voltada para a técnica. Mas, na prática, o que realmente importa é o impacto que ela tem na vida do paciente.

Este foi um dos casos mais desafiadores que realizamos nos últimos anos. O paciente apresentava uma estenose uretral extensa, que se iniciava na região do meato urinário e se estendia até próximo ao esfíncter. Em outras palavras, um longo segmento da uretra encontrava-se estreitado, dificultando de forma importante a passagem da urina.

Para reconstruir essa uretra, utilizamos três segmentos de mucosa oral, uma técnica empregada nos casos mais complexos de urologia reconstrutora. A mucosa da parte interna da boca possui características que favorecem sua adaptação ao trato urinário e, por isso, é amplamente utilizada nesse tipo de procedimento.

Quase três meses após a cirurgia, realizamos a avaliação do resultado. Na urofluxometria, exame que mede a força e o fluxo urinário, o paciente apresentou um jato forte e eficaz. Além disso, o ultrassom confirmou o esvaziamento completo da bexiga, algo que não acontecia antes da reconstrução.

Mais do que números ou imagens, esse resultado representa algo muito maior: voltar a urinar sem esforço, sem sofrimento e com qualidade de vida.

Casos como esse mostram que a urologia reconstrutora reúne planejamento, técnica e experiência. São cirurgias desafiadoras, mas que podem devolver funções essenciais e transformar a rotina de pacientes que conviviam há anos com limitações importantes.

Você já tinha ouvido falar que, em alguns casos, utilizamos mucosa da boca para reconstruir a uretra? Deixe sua dúvida nos comentários. Ela pode ser tema dos próximos conteúdos.

27/07/2026

Quando falamos em câncer de próstata avançado, uma das situações mais comuns é a disseminação da doença para os ossos.

Isso acontece porque algumas células tumorais podem deixar a próstata e se instalar em outras regiões do organismo, sendo os ossos um dos destinos mais frequentes.

As áreas mais acometidas costumam ser a coluna, a pelve, as costelas e os ossos das pernas. Dependendo do caso, podem surgir sintomas como dor óssea persistente, redução da mobilidade e, em situações mais avançadas, aumento do risco de fraturas.

Mas existe uma informação importante que muitas pessoas desconhecem: nem toda metástase óssea causa sintomas logo no início.

Por isso, o acompanhamento adequado e a realização dos exames indicados são fundamentais para identificar alterações precocemente.

Além disso, os tratamentos evoluíram muito nos últimos anos. Hoje existem diversas estratégias capazes de controlar a doença, retardar sua progressão, proteger os ossos e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Receber um diagnóstico de câncer de próstata avançado é um momento difícil, mas isso não significa que não existam opções de tratamento.

A medicina continua avançando, e cada caso deve ser avaliado de forma individualizada.

Compartilhe este conteúdo. Informação de qualidade ajuda pacientes e familiares a enfrentarem esse diagnóstico com mais conhecimento e menos medo.

23/07/2026

Um dos mitos mais antigos relacionados ao câncer de próstata é a ideia de que a biópsia poderia espalhar a doença.

Apesar de essa preocupação ainda existir entre muitos pacientes, as evidências científicas disponíveis mostram que a biópsia da próstata é um procedimento seguro e que o risco de disseminação tumoral causada pelo exame é extremamente raro.

A biópsia continua sendo a principal ferramenta para confirmar o diagnóstico do câncer de próstata. É ela que permite identificar a presença do tumor, avaliar sua agressividade e definir a estratégia de tratamento mais adequada para cada caso.

Nos últimos anos, a combinação da ressonância magnética com técnicas modernas de biópsia aumentou ainda mais a precisão diagnóstica, permitindo investigar áreas suspeitas com maior segurança.

Por isso, diante de uma indicação médica, o receio de "espalhar o câncer" não deve ser um motivo para adiar ou evitar o exame.

Muitas vezes, o maior risco está justamente no atraso do diagnóstico.

Compartilhe este conteúdo. Esse é um dos mitos mais comuns quando falamos sobre câncer de próstata e pode ajudar alguém a procurar investigação no momento certo.

Quando um homem recebe o diagnóstico de câncer de próstata, uma das dúvidas mais importantes que surgem na família é se ...
21/07/2026

Quando um homem recebe o diagnóstico de câncer de próstata, uma das dúvidas mais importantes que surgem na família é se as próximas gerações também terão risco.

A resposta é sim.

Embora muitos casos aconteçam de forma esporádica, cerca de 5% a 10% dos cânceres de próstata estão relacionados a alterações genéticas hereditárias.

Além disso, ter um familiar de primeiro grau como pai ou irmão, com histórico da doença, aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer de próstata ao longo da vida. Esse risco pode ser ainda maior quando existem vários familiares acometidos ou quando o diagnóstico aconteceu em idade mais jovem.

Nos últimos anos, também aprendemos mais sobre o papel de algumas mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2, conhecidas por sua relação com câncer de mama e ovário, mas que também podem aumentar o risco de câncer de próstata e estar associadas a tumores mais agressivos.

Por isso, o histórico familiar é uma informação que nunca deve ser ignorada durante a consulta.

Em homens com maior risco, muitas vezes é recomendado iniciar o acompanhamento urológico e o rastreamento mais cedo do que na população geral.

O diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.

Se você tem pai, irmão ou outros familiares próximos que tiveram câncer de próstata, converse com seu urologista sobre qual é o momento ideal para iniciar sua avaliação.

Compartilhe este conteúdo com familiares e amigos. Muitas pessoas não sabem que o histórico familiar pode influenciar diretamente o risco de desenvolver a doença.

15/07/2026

Receber um resultado de PSA elevado costuma gerar preocupação imediata. E é compreensível.

O PSA é um exame muito importante no rastreamento e acompanhamento das doenças da próstata, mas existe um detalhe fundamental que nem todos sabem: PSA alto não significa necessariamente câncer.

A próstata produz PSA naturalmente. Por isso, diversas condições benignas podem causar aumento desse marcador, incluindo o crescimento benigno da próstata (hiperplasia prostática benigna), inflamações, infecções urinárias e prostatites.

Além disso, fatores como retenção urinária, procedimentos urológicos recentes e algumas situações específicas também podem interferir no resultado.

Por esse motivo, a avaliação nunca deve ser baseada apenas em um número isolado.

Na prática, analisamos o valor do PSA juntamente com outros fatores importantes, como idade, histórico familiar, exame físico, exames de imagem e velocidade de crescimento do PSA ao longo do tempo.

Hoje sabemos que a medicina de precisão é muito mais eficaz do que decisões baseadas em um único exame.

Por isso, se o seu PSA veio alterado, não ignore o resultado. Mas também não conclua sozinho que se trata de câncer.

A avaliação correta faz toda a diferença.

Compartilhe este conteúdo. Muitas pessoas ainda associam PSA elevado diretamente ao câncer, e essa informação pode evitar preocupações desnecessárias e ajudar no diagnóstico adequado.

09/07/2026

Ao receber o resultado da biópsia da próstata, muitos pacientes se deparam com números como Gleason 6, 7, 8 ou 9 e não sabem exatamente o que isso significa.

O escore de Gleason é uma forma de avaliar o grau de agressividade do câncer de próstata. Quanto maior esse número, maior tende a ser o potencial de crescimento e disseminação do tumor.

De forma geral:
• Gleason 6 costuma estar associado a tumores de baixo risco e, em alguns casos, pode ser acompanhado com vigilância ativa.

• Gleason 7 representa um risco intermediário e exige análise mais detalhada.

• Gleason 8, 9 e 10 indicam tumores mais agressivos, que geralmente necessitam de tratamento mais ativo.

Mas o Gleason não define sozinho a melhor conduta. O PSA, a ressonância magnética, o estadiamento e as condições clínicas do paciente também fazem parte da decisão.

Entender esse resultado é um passo importante para que o paciente participe do tratamento com mais segurança e tranquilidade.

Se você ou alguém próximo recebeu esse diagnóstico, procure orientação especializada.

Compartilhe este conteúdo com quem também está tentando entender o resultado da biópsia.

07/07/2026

A medicina evolui quando existe troca de conhecimento.

Nos últimos dias, tive a satisfação de realizar cirurgias ao lado do Dr. Breno, colega urologista com atuação em urologia reconstrutora. Foram dias de muito aprendizado, discussão de casos e trabalho em equipe, sempre com um objetivo comum em oferecer o melhor tratamento possível aos nossos pacientes.

Em procedimentos mais complexos, reunir profissionais com experiências complementares pode fazer toda a diferença. Não significa que um substitui o outro, mas que somamos conhecimento para planejar e executar cada cirurgia com ainda mais segurança.

Outro aspecto que considero muito importante é poder oferecer esse nível de atendimento aqui na nossa região na Clínica Unica. Trazer colegas com experiência em áreas específicas da urologia permite que muitos pacientes tenham acesso a tratamentos de alta complexidade sem precisar se deslocar para grandes centros.

Agradeço ao Dr. Breno pela parceria e pela confiança. Tenho certeza de que esse intercâmbio de experiências fortalece nossa prática e, principalmente, beneficia quem realmente importa: o paciente.

Curta este conteúdo se acredita que, na medicina, trabalhar em equipe também faz parte de um tratamento de excelência.

A cirurgia robótica é uma das maiores evoluções da medicina nas últimas décadas.Mas um ponto importante que muitos pacie...
16/06/2026

A cirurgia robótica é uma das maiores evoluções da medicina nas últimas décadas.

Mas um ponto importante que muitos pacientes não imaginam é que o robô, por si só, não substitui a experiência do cirurgião.

Antes de realizar esse tipo de procedimento, o médico passa por um processo rigoroso de treinamento, que inclui cursos teóricos, simulações, prática em laboratório e acompanhamento supervisionado até obter a certificação.

E mesmo após a certificação, o aperfeiçoamento continua. Como em qualquer técnica cirúrgica avançada, existe uma curva de aprendizado, e a experiência acumulada ao longo dos casos faz diferença na precisão, na tomada de decisões e nos resultados.

Na minha prática, a cirurgia robótica passou a fazer parte da rotina após um treinamento específico e certificação concluída em 2021. Desde então, sigo aprimorando continuamente a técnica e aplicando essa tecnologia no tratamento de pacientes com câncer de próstata, câncer de rim e outras doenças urológicas.

A tecnologia é uma ferramenta extremamente valiosa, mas o que realmente determina a qualidade do tratamento é a combinação entre formação sólida, atualização constante e experiência cirúrgica.

Se você tem dúvidas sobre cirurgia robótica ou deseja entender se essa técnica é indicada para o seu caso, agende uma avaliação.

Compartilhe este conteúdo com alguém que queira entender melhor como essa tecnologia funciona na prática.

Ver sangue na urina costuma assustar. E, de fato, esse é um sintoma que merece atenção.Nem sempre o sangramento signific...
12/06/2026

Ver sangue na urina costuma assustar. E, de fato, esse é um sintoma que merece atenção.

Nem sempre o sangramento significa algo grave. Infecções urinárias, cálculos e aumento da próstata também podem causar esse tipo de sangramento.

Mas existe um ponto importante como o fato do câncer de bexiga frequentemente se manifestar exatamente dessa forma, com sangue na urina, muitas vezes sem dor e sem qualquer outro sintoma.

Além disso, o sangramento pode ser intermitente. Ele aparece, desaparece e pode não voltar por algum tempo. Isso faz com que muitas pessoas adiem a investigação, acreditando que o problema passou sozinho.

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de bexiga, mas a doença também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram.

Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de tratamento bem-sucedido são maiores e as opções terapêuticas costumam ser menos agressivas.

Por isso, minha orientação é simples: sangue na urina, mesmo que apenas uma vez, merece avaliação.

Se você ou alguém próximo apresentou esse sintoma, procure um urologista.

Compartilhe este conteúdo. Em alguns casos, agir cedo pode fazer toda a diferença.

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