Marcelo Carvalho Spolzino

Marcelo Carvalho Spolzino Trabalho na área esportiva á aproximadamente 20 anos como preparador físico e psicólogo.

A Sublimação no Esporte: Quando a fúria vira arte Por Marcelo de CarvalhoSpolzino, Psicólogo do Esporte, Neuroperformanc...
05/06/2026

A Sublimação no Esporte: Quando a fúria vira arte

Por Marcelo de CarvalhoSpolzino, Psicólogo do Esporte, Neuroperformance e preparador físico

Há uma ferocidade que nos habita. Uma fome que não é só de pão, mas de sentido, de expressão, de descarga. Nascemos com um caldeirão de impulsos — uns luminosos, outros sombrios — que a vida em sociedade nos ensina a domar. Mas domar não é enterrar. O que fazemos com a nossa agressividade inata? Com a nossa tristeza oceânica? Com a ânsia de poder e a vertigem do caos?

A psicanálise nos oferece um mapa para essa geografia interna através do conceito de sublimação. Para Freud, é o mais elevado dos mecanismos de defesa: a capacidade de redirecionar a energia de impulsos primitivos ou socialmente indesejáveis para realizações culturalmente valorizadas. O cirurgião que sublima a pulsão sádica na precisão do bisturi. O artista que canaliza a melancolia na tela. E o atleta? Ah, o atleta talvez seja o maior dos alquimistas.

O treinamento esportivo, quando visto por essa lente filosófica e psicológica, deixa de ser mera preparação física. Ele se torna um laboratório existencial de transmutação.

Pense na agressividade. Não se trata de eliminá-la — tentativa que seria tão inútil quanto negar a gravidade — mas de dar a ela um destino nobre. No tatame, a fúria vira técnica. Na pista de atletismo, a vontade de explodir se converte em explosão muscular controlada na largada. O boxeador não está simplesmente "batendo" em alguém; ele está compondo uma sinfonia de esquivas, distâncias e precisão, onde o impulso destrutivo se transfigura em estratégia, arte e autossuperação. É o caos interno encontrando a estética do movimento.

A sublimação no esporte é, portanto, uma forma de tratamento. Não porque "cansa" o indivíduo e o deixa manso, mas porque ressignifica. O atleta aprende, na repetição do gesto técnico, que a dor pode ser narrativa, e não apenas sofrimento. A angústia difusa que antes paralisava transforma-se no foco agudo do pré-competitivo. A rebeldia sem causa encontra a disciplina escolhida — aquela que liberta, e não a que aprisiona. É um processo de cura pela beleza do esforço.

Nietzsche nos provocou dizendo que "é preciso ter um caos dentro de si para gerar uma estrela dançante". O esporte oferece a pista de dança para esse caos. O treinador, mais que um prescritor de cargas, torna-se uma espécie de guia filosófico: ele ensina a conduzir a força vital — a vontade de potência — não contra o outro de forma vil, mas em direção a um limite a ser transposto. Cada arremesso, cada salto, pode ser um ato de poesia corporal onde o chumbo da angústia se faz ouro do movimento.

É por isso que vemos o olhar de um atleta após uma luta perdida: há lágrimas, mas não há vergonha. A energia foi gasta em sua forma mais pura. O que foi sublimado não retorna como sintoma — a depressão, a explosão violenta sem sentido —, mas como cansaço digno e consciência expandida.

Tratar pelo esporte, nesse sentido, é ajudar o sujeito a não ter medo da própria intensidade. É mostrar que a fera interior pode rugir em um estádio, em vez de devorar o peito em silêncio. O treino diário vira um pacto: "Eu reconheço minhas sombras e as convido para correr comigo, não contra mim."

Na era da medicalização da vida, onde qualquer desconforto psíquico busca um comprimido, a sublimação esportiva nos lembra de uma verdade ancestral: somos seres de movimento. E o movimento consciente, ritualizado, é uma das mais potentes formas de curar a cisão entre o que sentimos e o que fazemos com o que sentimos.

Que as pistas, campos, academias e ginásios sejam vistos como o que realmente são: ateliês de escultura da alma, onde o mármore bruto do nosso impulso encontra a forma que escolhemos dar a ele.

Às vezes, a melhor coisa que podemos fazer por alguém é tirar o chão que ela pisa. 🕳️🧠Existe um conforto que anestesia. ...
04/06/2026

Às vezes, a melhor coisa que podemos fazer por alguém é tirar o chão que ela pisa. 🕳️🧠

Existe um conforto que anestesia. É aquele abraço morno da rotina onde as perguntas cessam e as certezas reinam. Na psicologia, chamamos de Zona de Conforto: um espaço de baixa ansiedade e desempenho estável, mas que, se nunca for arejado, se transforma em uma prisão de paredes invisíveis.

A filosofia, por sua vez, sempre teve uma relação tensa com a calmaria. Sócrates não foi condenado por dar respostas, mas por fazer perguntas. Ele se autodenominava um "moscardo", um inseto importuno cuja missão era perturbar o sono dos cavalos pesados — no caso, os cidadãos atenienses adormecidos em suas crenças não examinadas. Para ele, uma vida sem questionamento não merecia ser vivida.

Perturbar não é agredir. Como psicólogo, sei que existe uma linha tênue entre a violência e o convite ao despertar. A verdadeira perturbação produtiva não nasce do grito ou do ataque pessoal, mas de uma fagulha cognitiva que desorganiza o sistema. É a pergunta que você não queria ouvir. É o espelho que mostramos para o outro revelando um ponto cego. É o silêncio estratégico depois de um "por quê?".

Jean Piaget falava em "desequilíbrio cognitivo": para aprendermos, precisamos ser confrontados com uma informação que não se encaixa nas nossas estruturas mentais atuais. Isso é desconfortável. Dói. Mas é nessa fricção entre o que eu sou e o que o mundo me mostra que nasce o pensamento de verdade.

Vivemos tempos de extremo conforto superficial e extremo medo da desaprovação. As bolhas digitais são zonas de conforto ideológicas. Ali, ninguém nos perturba, todos concordam, e o ego infla. Mas o que cresce sem atrito, apodrece sem resistência.

Perturbar alguém para fazê-la pensar é um ato de coragem e, paradoxalmente, de amor. É dizer: "Recuso-me a deixar você murchar na superficialidade. Sua mente merece o conflito da dúvida. Seu coração merece a expansão da empatia pelo diferente."

Claro, nem todos estão prontos para sair da caverna. Como dizia Platão, a luz do sol fere os olhos de quem viveu muito tempo na escuridão. Mas precisamos de mais "moscardos" no mundo. De mais pessoas dispostas a estender a mão para o desconforto, não por sadismo, mas por acreditarem no potencial humano para a lucidez.

Que possamos ser o desconforto que cura e a pergunta que liberta.

O que te tirou da zona de conforto recentemente?

24/05/2026

A Interrupção do Pensamento e a Política Atual: Uma Análise

Observo que a técnica de thought stopping (parada do pensamento), amplamente estudada pelo psiquiatra Robert Jay Lifton em seu trabalho sobre reforma do pensamento, transcendeu o setting clínico para se tornar uma dinâmica social alarmante.

Lifton não a descreveu como uma ferramenta terapêutica saudável, mas como o núcleo de um mecanismo de controle mental. Em sua essência, o thought stopping é um ato de violência cognitiva autoimposta ou coagida. Diante de um pensamento "proibido" — uma dúvida, uma contradição, um impulso crítico —, o indivíduo aprende a erguer um bloqueio mental imediato. Pode ser uma imagem (um muro, uma luz vermelha), uma palavra de ordem interna ("pare!", "é o demônio", "isso é fake news") ou uma âncora física. O resultado é a interrupção do fluxo associativo que levaria à reflexão profunda.

Filosoficamente, isso representa a antítese do exercício socrático do exame da vida. Se pensar é estabelecer conexões, questionar premissas e transitar da opinião (doxa) para o conhecimento (episteme), o thought stopping é a desconexão forçada. Ele cria uma "bolha de certeza" que impede a dialética interna, essencial para a autonomia e a maturidade moral. A mente que pratica isso cronicamente não se torna plena, mas mutilada em sua capacidade de lidar com a complexidade e a angústia da incerteza.

Transportando esse conceito para a política atual, vemos o thought stopping operar como uma ferramenta central de radicalização e polarização. No ambiente digital e nos discursos de massa, ele é treinado e disparado automaticamente através de rótulos que funcionam como interruptores mentais: "comunista", "fascista", "ideologia de gênero", "globalista". Quando um cidadão se depara com um fato ou argumento que desafia a narrativa de seu grupo, o rótulo surge como o comando "Pare!". A cognição é interrompida antes da avaliação do mérito da ideia.

O uso político dessa técnica cria sujeitos epistemicamente fechados, que substituem a investigação pela reação pavloviana. O adversário não é alguém com quem se debate, mas uma fonte de "poluição mental" a ser imediatamente silenciada internamente. Assim, o corpo social adoece, pois perde a capacidade de se autocorrigir através do pensamento crítico. Transforma o diálogo democrático em uma guerra de interruptores mentais, onde a verdade deixa de ser uma busca comum para se tornar uma mera afirmação de poder de quem grita o rótulo mais alto.

21/05/2026
Vendo uma bela casa em um bairro nobre no município de Araçatuba, monitorada inteiramente por câmeras de segurança, poss...
15/05/2026

Vendo uma bela casa em um bairro nobre no município de Araçatuba, monitorada inteiramente por câmeras de segurança, possuindo em todos os seus cômodos sistema de climatização.
Este imóvel possui as seguintes características:
✅️garagem para até 4 automóveis;
✅️2 salas senso uma de star e outra de jantar;
✅️3 quartos sendo um suíte;
✅️cozinha ampla com armários embutidos e cooktop;
✅️área gourmet ampla, com churrasqueira, onde comporta mais de 30 pessoas;
✅1 ️kitnet nos fundos do imóvel;
✅️ lavanderia coberta.

Contato: (18)9971227-65 Marcelo

Ah se todas as mães soubessem o quão importante é o seu colo na vida dos seus filhos.Uma lembrança de que, antes de apre...
10/05/2026

Ah se todas as mães soubessem o quão importante é o seu colo na vida dos seus filhos.
Uma lembrança de que, antes de aprendermos a pensar ou a sentir de forma organizada, fomos acolhidos.

Mãe representa o primeiro Outro. É o espelho primordial onde confrontamos a angústia da separação e a descoberta do "eu". Ela é, para muitos, a primeira prova de que o amor existe além do narcisismo — alguém que acolhe a nossa existência antes mesmo de merecermos ou retribuirmos, mas que infelizmente nem todas sabem sua importância na formação da vida de seus filhos.

O vínculo materno é a arquitetura invisível da nossa mente, o alicerce que perdurará em nossas vidas. É no colo, no olhar e no tom de voz, ações como estas é o que se constroem as fundações da nossa segurança emocional e, que nos faz tornar o que somos hoje. A qualidade desse amor, mesmo que imperfeito, mesmo que humano, ecoa na forma como amamos, permitindo sermos resilientes nas adversidades da vida.

Homenagear as mães é reconhecer que a subjetividade humana não nasce do vazio, mas do cuidado. Seja a mãe biológica, adotiva, simbólica ou aquela que a vida nos deu na forma de uma avó, um pai ou um amigo. A função materna transcende corpos; é um ato ético de responsabilidade pelo florescimento do outro.

Neste dia, não celebramos a perfeição idealizada, mas a presença que cura. Celebramos quem escolheu ficar, mesmo quando partir seria mais fácil. A mulher que se submete a certas humilhações e á vários tipos de dores, para o bem de seus filhos. Que hoje possamos honrar essa força que humaniza o caos e nos ensina, desde o primeiro suspiro, que existir só faz sentido se for ao lado de alguém.

Feliz Dia das Mães.

A neurociência é uma aliada fundamental que nos permite sair do “achismo” e atuar com base na compreensão do cérebro em ...
25/03/2026

A neurociência é uma aliada fundamental que nos permite sair do “achismo” e atuar com base na compreensão do cérebro em ação, nos fornecendo o “manual de instruções” do cérebro. No esporte de alto rendimento, onde frações de segundo definem campeões, treinar a mente com base na biologia cerebral é o que diferencia o talento bruto da performance consistente.

Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso. É a área que busca entender como o cérebro e os neurônios funcion...
13/03/2026

Neurociência é o estudo científico do sistema nervoso. É a área que busca entender como o cérebro e os neurônios funcionam, desde o nível molecular e celular até o comportamento, as emoções, a cognição (como pensamento e memória) e o funcionamento do corpo como um todo.

Como profissional da área de psicologia, posso afirmar que a saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser um difer...
12/03/2026

Como profissional da área de psicologia, posso afirmar que a saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser um diferencial e se tornou um pilar estratégico fundamental.

Uma empresa que promove o bem-estar psicológico não está apenas "cuidando" dos seus colaboradores, mas construindo a base para a inovação, a produtividade sustentável e a retenção de talentos.

Ambientes psicologicamente seguros, onde há espaço para o diálogo, o erro é visto como aprendizado e há equilíbrio entre demanda e recursos, geram equipes mais engajadas, criativas e resilientes.

Investir em saúde mental é reconhecer que, por trás de cada entrega, resultado e meta batida, existe uma pessoa. Quando a organização cuida da pessoa, o resultado é uma consequência natural.

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Araçatuba, SP

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