12/07/2020
Defini-se Paralisia Braquial Obstétrica, ou como vem se modif**ando a nomenclatura atual para Perinatal. Uma incapacidade que ocorre no momento do nascimento, resultando em paralisia flácida associada ou não a perda da sensibilidade no membro afetado. Caracterizada como uma lesão que é provocada no plexo braquial por estiramento dos troncos nervosos ou avulsão radicular.
A Paralisia Braquial Perinatal (PBP), tem prevalência entre 0,13 a 5,1 para 1.000 nascidos vivos. Não sabendo ao certo sua prevalência no Brasil, mas acredita-se ser baixa. A lesão geralmente é uma consequência do trabalho de parto.
Quanto aos fatores de risco, existem alguns que podem contribuir, como: apresentação pélvica da criança, malformações pélvicas maternas, macrossomia fetal (peso igual ou superior a 4.000 kg), gemelaridade, uso inadequado do fórceps, encravamento do ombro fetal sob o púbis materno (distócia de ombros) e anóxia (ausência de oxigênio no sangue arterial). Outros fatores são o histórico materno, como: obesidade, diabetes mellitus, baixa estatura, multiparidade (múltiplas gestações) e idade materna superior a 35 anos.
Podem haver ainda alguns comprometimentos associados a PBP, como: paralisia facial, subluxação do ombro, fraturas de úmero e clavícula, torcicolo, lesões da coluna ou da medula cervical.
Seu quadro clínico é composto por fraqueza muscular, desalinhamento postural, atrofia/hipotrofia muscular, dificuldades nas transferências posturais com dificuldades para transferir o peso e dificuldades nas funções do membro superior. Isso tudo, no membro superior que for acometido.
Na Maioria dos casos a lesão mecânica ocorre na fase final do parto, por tração lateral da cabeça e ombro o que estira as raízes do plexo braquial e favorece suas rupturas parciais ou totais. Em casos raros pode ocorrer também em consequência de fatores intrauterinos, como útero bicorne (má formação uterina, onde o útero é dividido em dois lados), oligohidrâmnio (volume deficiente de líquido amniótico) ou bandas amnióticas (anomalia rara congênita onde o útero comprime estruturas fetais causando deformidades corporais diversas).
A recuperação da PBP ocorre de acordo com a gravidade da lesão. Existem três tipos de lesões, a Neuropraxia (estiramento, edema e hemorragia da estrutura nervosa, com recuperação espontânea e completa em aproximadamente 1 mês). Axoniotmese (destruição do cilindro eixo, com crescimento das fibras nervosas, leva aproximadamente 9 meses com recuperação não completa). Neurotmese (ruptura completa das estruturas nervosas, com paralisia dos músculos correspondentes).
Seu prognóstico pode variar de acordo com a extensão e gravidade das lesões, as lesões do plexo superior (Erb-Duchene é menos grave).
Existem três classif**ações para está patologia. A primeira delas é a Paralisia de Erb-Duchene, também chamada paralisia alta, corresponde de 80% a 90% dos casos e compromete as raízes nervosas C5, C6 e C7, onde o recém nascido apresenta paralisia da abdução (elevar lateralmente o braço) e rotação externa (rodar o braço para fora), associada a ausência da flexão do cotovelo, apresentando o sinal clássico da "Mão em gorjeta". A segunda é a Paralisia de Klumpke, caracterizada por paralisia baixa, sendo mais rara correspondendo a 5% ou menos dos casos, nessa o comprometimento está nas raízes nervosas de C8 a T1, causando o acometimento dos músculos da mão com ausência do reflexo de preensão palmar (fechar a mão quando sua palma é estimulada com pressão). A terceira é a Paralisia de Erb Klumpke ou Completa, onde todo o membro está acometido com paralisia flácida e todos os reflexos ausentes, podendo os dedos permanecerem em garra e haver perda da sensibilidade.
O diagnóstico é feito por exame de imagem e eletroneuromiografia.
O acompanhamento deve ser multidisciplinar. O Fisioterapeuta desempenha um papel de destaque no tratamento conservador dos pacientes com a lesão do plexo braquial, atuando com objetivos específicos, a fim de estimular o desenvolvimento motor da criança de acordo com a sua fase do desenvolvimento, embasado nos marcos do desenvolvimento motor típico. Atuando visando previnir retrações, encurtamentos e deformidades, melhorar a coordenação motora, fortalecer grupos musculares, manter e/ou ganhar amplitude de movimento e principalmente garantir a funcionalidade e independência do paciente na execução de suas atividades de vida diárias. Além de prescrever órteses e orientar os país.
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