05/07/2026
MINDFULNESS E DOR EM ANIMAIS
As intervenções baseadas em Mindfulness têm sido alvo de inúmeras pesquisas e evidências científicas nos últimos anos, com resultados cada vez mais positivos no âmbito da saúde. No Brasil, apesar da crescente expansão, os estudos sobre o assunto ainda são considerados escassos. A palavra mindfulness, do budismo sati, pode ser traduzida de forma livre para o português como “atenção plena” ou “consciência plena” (DEMARZO; CAMPAYO, 2015).
Diversos estudos demostram a eficácia no tratamento de uma série de condições clínicas, incluindo ansiedade, depressão, transtornos alimentares e dor crônica. Além disso, atividades que envolvem concentração e atenção plena influenciam positivamente aspectos de saúde física, incluindo a melhora da função imunológica, redução da pressão sanguínea e dos níveis de cortisol (LOPES et al, 2019).
Já em 2003, Baer revisou vários estudos apontando que a prática da atenção plena promove neuroplasticidade e atua como uma intervenção benéfica diante da minimização dos quadros álgicos, bem como possui interferência positiva em muitas outras enfermidades.
Em medicina veterinária, pode-se adequar os conceitos de prática de atenção plena para exercícios que exijam a atenção dos pacientes, como exercícios que exigem certo grau de habilidade e/ou concentração. Aplica-se isso em atividades com o uso de bolas, feijões e placas proprioceptivas no caso dos cães, em que além de se trabalhar o fortalecimento isométrico é possível exigir concentração para o equilíbrio; uso de hidroterapia com turbulência e aquecimento aliado às terapias manuais, em que se promove alto grau de relaxamento nos pacientes, e a aplicação de atividades de ginástica funcional com obstáculos, em que se exige habilidades de coordenação motora, concentração e condicionamento aeróbico.
Em equinos, é possível o uso de hidroesteiras e atividades de ginástica funcional em pista, com exercícios geralmente diferentes daqueles que os pacientes estão habituados a fazer em seus treinos, de forma a promover desafio, concentração e desenvolvimento de novas habilidades, ou seja, neuroplasticidade.