Psicóloga Bianca Finco

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Estava eu refletindo enquanto encarava uma pia cheia de louça:  Aquele amontoado de coisas parecia uma tarefa difícil e ...
06/05/2026

Estava eu refletindo enquanto encarava uma pia cheia de louça:  Aquele amontoado de coisas parecia uma tarefa difícil e logo veio um desânimo, acompanhado daquele pensamento conhecido de “não vou dar conta”. E foi inevitável perceber o quanto essa sensação se parece com a vida quando ela se enche de problemas e tudo parece acumulado, confuso e de difícil resolução.

Assim como a louça, os problemas também não aparecem todos de uma vez, mas, quando percebemos, já estão ali ocupando um grande espaço e energia. E, muitas vezes, nos paralisamos e achamos que vai ser tão difícil de resolver que é melhor deixar para depois. No entanto, assim como a louça,  os problemas também só vão se acumulando e ganhando dimensões ainda mais complexas de resolução. 

Mas, ainda ali, diante da pia, comecei com um item de cada vez, sem pressa. Comecei pelos mais fáceis, tal como copos e talheres, depois fui ampliando para os mais “complexos” ou chatos de resolver. E, aos poucos, o que antes parecia muito desgastante, foi ganhando uma sensação de alívio, de ter tirado um peso por ter eliminado toda aquela bagunça e sujeira, dando espaço para um lugar limpo, organizado e harmonioso.

Parece que a vida funciona assim também: quando paramos de olhar para o todo que parece tão difícil de enfrentar e começamos pelo possível, pelo o que dá para resolver agora, descobrimos que somos capazes de superar muitas situações difíceis e de encontrar a tranquilidade que tanto buscamos.

Nesta cadeira, na sala 03 do CRAS Caetetuba já se passaram muitas pessoas com histórias de vida de muitas dificuldades e...
21/03/2026

Nesta cadeira, na sala 03 do CRAS Caetetuba já se passaram muitas pessoas com histórias de vida de muitas dificuldades e sofrimento, mas também de muita força e potência.  

Foi um prazer ter feito parte da vida de cada uma dessas pessoas; ter podido contribuir não só para a superação de uma situação de vulnerabilidade, mas de ofertar escuta e acolhimento.  

Hoje me despeço do CRAS e levo comigo tudo o que aprendi e vivi nas trocas, tanto com os munícipes,  quanto com a equipe. 

Falar da equipe do CRAS Caetetuba é um capítulo à parte; lá encontrei pessoas maravilhosas que me acolheram com muito carinho e me possibilitaram ampliar, de forma significativa, a minha bagagem profissional.

Sou grata por cada palavra, gesto e compartilhamento de vivências e experiências que tive com todos, sem exceção,  neste CRAS. 

Sentirei muitas saudades, mas me despeço com o coração quentinho por ter me conectado com tanta gente boa e potente.  

Foi um prazer caminhar ao lado de todos! 

E que os novos caminhos profissionais reservem muita aprendizagem e realizações.  Obrigada! ❤️

Uma das coisas que gosto de compartilhar por aqui são as minhas reflexões sobre filmes que assisto e me fazem pensar coi...
02/03/2026

Uma das coisas que gosto de compartilhar por aqui são as minhas reflexões sobre filmes que assisto e me fazem pensar coisas interessantes sobre a vida. O mais recente que assisti foi “A noiva Cadáver” que, por incrível que pareça,  nunca havia assistido. 

Confesso que me surpreendi com a profundidade das reflexões que o filme alcança, mas sendo do Tim Burton, não poderia esperar menos. 

O filme utiliza uma história aparentemente sombria para fazer uma crítica delicada à forma como a sociedade molda nossas escolhas e sentimentos.

No mundo dos vivos, tudo é cinza, rígido e formal. As pessoas parecem mais preocupadas com status, dinheiro e aparência do que com o que realmente sentem. O casamento de Victor e Victoria, por exemplo, começa como um acordo entre famílias, não como uma escolha livre. Esse cenário mostra como muitas vezes vivemos tentando corresponder às expectativas dos outros (família, tradição, sociedade), mesmo que isso nos deixe inseguros ou desconectados de nós mesmos.

Já o mundo dos mortos é colorido, animado e cheio de música. Paradoxalmente, ali há mais espontaneidade e expressão emocional do que entre os vivos. Essa inversão nos provoca a pensar sobre quantas vezes estamos biologicamente vivos, mas emocionalmente apagados? O filme sugere que seguir regras sem refletir, viver apenas para agradar ou manter aparências pode nos tornar “mortos” por dentro.

Emily, a noiva cadáver, representa alguém presa a uma promessa de amor que foi interrompida de forma violenta. Sua dificuldade de seguir em frente mostra como expectativas sobre o amor, muitas vezes idealizadas, podem nos manter presos ao passado. Quando ela decide libertar Victor, também se liberta. É um momento de maturidade emocional: ela escolhe não repetir a dor que viveu.

No fundo, o contraste entre o cinza e o colorido não fala sobre morte, mas sobre autenticidade. O filme nos lembra que viver de verdade envolve sentir, escolher e assumir nossos próprios desejos, mesmo quando isso significa romper com expectativas externas.

Tem algum filme que você gostaria que eu refletisse por aqui? 

Me conte nos comentários.

Ontem recebemos em nosso CRAS do Caetetuba a obra de arte do Arthur Bispo do Rosário.  Bispo do Rosário foi um homem que...
24/01/2026

Ontem recebemos em nosso CRAS do Caetetuba a obra de arte do Arthur Bispo do Rosário.

Bispo do Rosário foi um homem que transformou o sofrimento psíquico em potência criativa. Internado por grande parte da vida em um hospital psiquiátrico, ele fez da arte uma forma de existir, organizar o mundo e dar sentido à própria experiência.

Por meio de bordados, mantos e objetos Bispo construiu uma obra única, que rompe as fronteiras entre arte e loucura e questiona visões reducionistas sobre a doença mental. Sua produção revela que há lógica, linguagem e significado mesmo onde a sociedade costuma enxergar apenas loucura.

Para a Saúde Mental, Bispo do Rosário é um símbolo ético e político: lembra que cuidar é reconhecer a singularidade do sujeito, valorizar a expressão e defender práticas baseadas em direitos humanos, escuta e dignidade.

E o mais legal de ter recebido essa obra de arte, é que foi produzido pelos alunos da Escola Therezinha Sirera, que é a Escola de nosso território do Caetetuba.

Quero, em nome do CRAS Caetetuba, agradecer a maravilhosa .black pela idealização da obra do Bispo do Rosário e pela doação ao CRAS, ao diretor .augusto pela parceria intersetorial de sempre, à Coordenadora do CRAS e ao pela brilhante ideia de trazer ao nosso cotidiano a figura de uma pessoa que é símbolo de resistência e luta por política pública mais humanizada.

O que você sentiria se, de uma hora para outra, você parasse de envelhecer e se tornasse imortal? Para muitas pessoas, n...
11/01/2026

O que você sentiria se, de uma hora para outra, você parasse de envelhecer e se tornasse imortal?
Para muitas pessoas, não ter que lidar com a finitude da vida seria visto como um privilégio, algo muito positivo. Porém, o filme “A incrível história de Adaline” nos convida a refletir sobre o turbilhão de sentimentos e atitudes que essa nova condição de vida poderia nos despertar.

Adaline, ao parar de envelhecer, também interrompe sua possibilidade de existência plena e, a imortalidade, que à primeira vista parece um privilégio, transforma-se em uma prisão. Adaline passa a viver em constante estado de alerta, evitando vínculos, cidades e compartilhamento de sua história. Seu modo de existir torna-se defensivo e evitativo. Ao invés de escolher livremente com o objetivo de se conectar com o outro e lidar com a perda desse, marcado pela passagem do tempo, ela apenas se protege do sofrimento.

Sob esse olhar, Adaline vive uma vida marcada pela falta de autenticidade e conexão. Para não sofrer, ela renuncia ao encontro profundo com o outro. Esse modo a protege da dor, mas também a desconecta de suas necessidades emocionais básicas: amor, pertencimento, segurança e vínculo.

O filme nos faz refletir sobre o fato de que não é a morte em si que dá sentido à vida, mas a consciência da finitude. É justamente porque o tempo acaba que a conexão com o outro importa.

Portanto, o enredo nos faz pensar que viver muito não é o mesmo que viver profundamente. Fugir da dor pode significar fugir das nossas necessidades emocionais e da própria existência, pois é no vínculo, no risco e na passagem do tempo que a vida acontece.

Endereço

Atibaia, SP

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