Nayara A. Vasques - Psicóloga

Nayara A. Vasques - Psicóloga CRP: 12/26863

🌻 Psicoterapia direcionada ao público feminino.

🌸 Sou Nayara Alves Vasques, psicóloga clínica especialista em psicologia hospitalar e Oncologia multiprofissional.

22/06/2026

Há perdas que não cabem só no instante em que acontecem. Elas se espalham pelo tempo, atravessam o presente e tocam outras histórias dentro de nós. O luto tem esse jeito de abrir memórias antigas e fazer tudo se misturar por dentro.

A distância da família, nesses momentos, pesa de um jeito silencioso. Não é só falta de presença física, é falta de colo possível, de olhar que sustenta sem precisar explicar. E isso torna tudo mais interno, mais sensível, mais sozinho em alguns pontos.

Mesmo assim, também existe o cuidado com quem está por perto e sofre junto. O luto nunca é só de um. Ele alcança quem ama, quem acompanha, quem sente de algum modo a mesma dor refletida. Acolher quem também sofre é parte desse caminho.

As memórias de infância voltam com força. Pequenos gestos, cenas simples, afetos que pareciam guardados, mas que reaparecem quando a ausência f**a mais real. É como se o amor encontrasse outro lugar para existir dentro da lembrança.

E essa perda atual também toca outras perdas antigas. Pessoas queridas que já se foram voltam à memória, não como repetição da dor, mas como ecos de tudo aquilo que um dia também foi amor e presença.

O luto é assim. Ele não chega sozinho, nem fala de uma única história. Ele reorganiza tudo o que dentro de nós já conhecia a ausência.

E talvez, no meio de tudo isso, o mais importante seja permitir sentir. Sem pressa, sem cobrança de estar bem, sem precisar dar forma rápida ao que ainda está vivo por dentro.

Porque alguns amores não acabam. Eles mudam de lugar. E seguem existindo na gente como lembrança que não se apaga.

E no fim, o que f**a não é só a dor da despedida, mas também a delicadeza do que foi vivido. Alguns encontros não terminam de verdade, apenas se transformam em um até logo silencioso, desses que a gente não diz com palavras, mas sente no peito como quem guarda alguém para sempre de um outro jeito. 🤍🖤

09/03/2026
Hoje eu não fui a uma passeata “por um cachorro”.Eu fui a uma passeata porque estamos falhando feio como sociedade.O cas...
01/02/2026

Hoje eu não fui a uma passeata “por um cachorro”.
Eu fui a uma passeata porque estamos falhando feio como sociedade.

O caso do Orelha revolta. Dá náusea. Dá raiva. Dá vergonha.
Mas ele não é um ponto fora da curva ele é o resultado.

Resultado de crianças que crescem sem ouvir “não”.
Resultado de adolescentes que machucam e escutam: “coisa da idade”.
Resultado de pais que chamam crueldade de “erro”.
Resultado de adultos que têm mais medo de frustrar os filhos do que de formar caráter.

Vamos falar sem suavizar: quem maltrata um animal não “perdeu a cabeça”. Escolheu atravessar um limite moral básico.

Adolescentes sabem o que é dor.
Sabem o que é sofrimento.
Sabem que aquilo é errado.

O que muitos não sabem é lidar com consequência.
Porque nunca precisaram.

Estamos criando jovens que fazem — e alguém limpa depois.
Que ferem — e alguém justif**a.
Que ultrapassam limites — e alguém diz que “não foi bem assim”.

Isso tem nome: treinamento para a impunidade.

Toda vez que um adulto poupa um filho da consequência real do que ele causou, ensina três coisas perigosas:

• O sofrimento do outro não importa tanto assim.
• Eu posso fazer e alguém resolve por mim.
• Se eu minimizar, eu escapo.

Maus-tratos a animais não são fase.
São sinal claro de ausência de empatia + ausência de responsabilização.
E essa combinação é o berço da violência.

Violência não nasce grande.
Começa quando o choro do outro não importa.
Quando a dor vira espetáculo.
Quando ninguém diz: “você fez isso, e vai responder por isso.”

Sem consequência, não há consciência.
Sem consciência, qualquer ser vulnerável vira alvo.

Hoje foi o Orelha.
Amanhã pode ser alguém da sua casa.

Por isso eu peço justiça.
Não por vingança.
Mas porque justiça é limite.
É freio.
É o que ensina que o outro não é descartável.

Proteger crianças não é livrá-las da consequência.
É impedir que cresçam achando que podem destruir sem responder.

Justiça pelo Orelha.
Justiça por todos os que sofrem maus-tratos.
E responsabilidade para que a próxima violência não seja a próxima tragédia.

Sem justiça, a violência se sente autorizada.

Hoje eu recebi um presente que não veio embrulhado.Uma paciente em hemodiálise me contou que o dia em que conversei com ...
24/12/2025

Hoje eu recebi um presente que não veio embrulhado.

Uma paciente em hemodiálise me contou que o dia em que conversei com sua mãe e com seu marido foi muito importante para ela. Mas que o mais marcante foi quando, depois, eu perguntei se ela gostaria de conversar sozinha. Quando segurei sua mão. Quando a abracei ao final, algo essencial se fez claro: ela compreendeu que não estava atravessando tudo aquilo sozinha.

Esse foi o meu presente de Natal.

Mais um ano em que passo essas datas longe de pessoas muito importantes para mim. E assim também será o Ano Novo. Ainda assim, passei o dia 24 exatamente onde precisava estar:

Trabalhando. Cuidando. Sendo psicóloga hospitalar. Enquanto o mundo se preparava para a festa, naquele espaço atravessado pela vida real, algo em mim se reorganizava. Mais uma vez, entendi o meu propósito.

A vida deles não acabou.
Mas agora ela carrega limites.
No ingerir líquidos.
Na alimentação.
No tempo ligado à máquina.
E é ali que a vida pede mais cuidado.

Que a gente aprenda a valorizar o que tem.
As pessoas que caminham ao nosso lado.
A saúde que hoje nos permite ir e vir, comer, beber, escolher.
Porque nada disso é garantido.

Talvez o Natal — e o Ano Novo — também sejam isso: um convite silencioso à gratidão e à presença.

Feliz Natal e que o próximo ano nos encontre mais atentos à vida. 🎄🤍✨

Endereço

Balneário Camboriú, SC

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