22/06/2026
Há perdas que não cabem só no instante em que acontecem. Elas se espalham pelo tempo, atravessam o presente e tocam outras histórias dentro de nós. O luto tem esse jeito de abrir memórias antigas e fazer tudo se misturar por dentro.
A distância da família, nesses momentos, pesa de um jeito silencioso. Não é só falta de presença física, é falta de colo possível, de olhar que sustenta sem precisar explicar. E isso torna tudo mais interno, mais sensível, mais sozinho em alguns pontos.
Mesmo assim, também existe o cuidado com quem está por perto e sofre junto. O luto nunca é só de um. Ele alcança quem ama, quem acompanha, quem sente de algum modo a mesma dor refletida. Acolher quem também sofre é parte desse caminho.
As memórias de infância voltam com força. Pequenos gestos, cenas simples, afetos que pareciam guardados, mas que reaparecem quando a ausência f**a mais real. É como se o amor encontrasse outro lugar para existir dentro da lembrança.
E essa perda atual também toca outras perdas antigas. Pessoas queridas que já se foram voltam à memória, não como repetição da dor, mas como ecos de tudo aquilo que um dia também foi amor e presença.
O luto é assim. Ele não chega sozinho, nem fala de uma única história. Ele reorganiza tudo o que dentro de nós já conhecia a ausência.
E talvez, no meio de tudo isso, o mais importante seja permitir sentir. Sem pressa, sem cobrança de estar bem, sem precisar dar forma rápida ao que ainda está vivo por dentro.
Porque alguns amores não acabam. Eles mudam de lugar. E seguem existindo na gente como lembrança que não se apaga.
E no fim, o que f**a não é só a dor da despedida, mas também a delicadeza do que foi vivido. Alguns encontros não terminam de verdade, apenas se transformam em um até logo silencioso, desses que a gente não diz com palavras, mas sente no peito como quem guarda alguém para sempre de um outro jeito. 🤍🖤