22/07/2026
“Eu acho que já estou bem. Vou dar uma pausa na terapia.”
Essa é uma das frases que nós, psicólogos, mais escutamos no consultório. E ela pode significar muitas coisas.
Às vezes, realmente é o momento de encerrar um ciclo. Mas, em outras situações, ela pode surgir justamente quando o processo começa a tocar em conteúdos mais profundos.
Freud já descrevia esse fenômeno como resistência.
Na psicanálise, entendemos que nem sempre aquilo que a pessoa deseja conscientemente é o mesmo que ela consegue sustentar emocionalmente.
Entrar em contato com dores antigas, rever padrões, reconhecer responsabilidades ou questionar formas de funcionamento pode gerar ansiedade, desconforto e vontade de interromper o processo. Isso faz parte da experiência terapêutica. 🫨
Mas existe uma diferença importante. A resistência não deve ser combatida pelo psicólogo. Ela deve ser compreendida.
E é justamente por isso que, eticamente, não cabe ao profissional convencer, insistir ou perseguir o paciente para que permaneça em terapia.
O nosso papel é oferecer um espaço seguro de escuta, elaborar o que está acontecendo na relação terapêutica e, quando necessário, conversar sobre os possíveis impactos de uma interrupção precoce. A decisão final, porém, pertence ao paciente.
Porque psicoterapia é um encontro entre dois desejos: o desejo do psicólogo de sustentar um espaço de cuidado e o desejo do paciente de se implicar no próprio processo.
Quando apenas um sustenta esse movimento, a essência do tratamento se perde. Isso significa que quem interrompe a terapia está errado? Não.
Cada história precisa ser compreendida na sua singularidade. Mas vale a pena se perguntar:
Estou encerrando porque alcancei os objetivos do meu processo... ou porque tocar em determinadas questões ficou difícil demais?
Às vezes, aquilo que nos faz querer desistir é justamente o ponto que mais precisa ser elaborado.
🌳 Se você é paciente e está pensando em interromper sua terapia, ou até mesmo voltar para a terapia, converse sobre isso com seu psicólogo antes de tomar uma decisão. Muitas vezes, essa conversa pode ser uma das mais importantes de