Ana Maria R. Gonçalves - Psipaliativa

Ana Maria R. Gonçalves - Psipaliativa Psicoterapia: Crianças, adultos e idosos. Cuidados Paliativos. Luto. Psicanálise

Às vezes, parece que o mundo tem um manual pronto sobre como a gente deve sofrer. Mas a verdade é que o luto não segue r...
27/04/2026

Às vezes, parece que o mundo tem um manual pronto sobre como a gente deve sofrer. Mas a verdade é que o luto não segue regra, não tem data de validade e, muito menos, é uma linha reta. 📉🚫

Fiz esse post porque cansei de ouvir "você precisa ser forte" ou "já passou muito tempo". O luto não é algo que a gente supera, é algo que a gente aprende a carregar. 🤍

A televisão brasileira, acostumada com o rigor do entretenimento e com o "show que não pode parar", foi atravessada nos ...
20/04/2026

A televisão brasileira, acostumada com o rigor do entretenimento e com o "show que não pode parar", foi atravessada nos últimos dias por uma humanidade que o roteiro não é capaz de prever. Em um intervalo curto de tempo, vimos Tadeu Schmidt e Ana Paula Renault ocuparem o espaço público não como personagens ou apresentadores, mas como pessoas em carne viva.
O luto, geralmente vivido entre quatro paredes, ganhou a luz direta do horário nobre. E, curiosamente, o que vimos não foi um espetáculo da dor, mas a desconstrução da postura invulnerável que se espera de quem está diante das câmeras.
Quando Tadeu Schmidt falou sobre a perda de Oscar, seu irmão e ídolo, o que transpareceu foi a quebra do protocolo profissional pelo afeto. Ali, o "exemplo" mencionado não era apenas o do atleta gigante, mas o do pilar familiar que se ausenta. Ao manter-se presente em seu posto de trabalho, ele não ignorou o luto; ele o carregou consigo, mostrando que a vida funcional e a dor emocional coexistem, ainda que pesem.
Já Ana Paula Renault, ao verbalizar a frase "não sou mais filha de ninguém", tocou em um ponto central da identidade humana: o pertencimento. A morte de um pai ou de uma mãe altera a nossa geografia interna; deixamos de ser o "filho de alguém" para nos tornarmos o nosso próprio ponto de origem, muitas vezes à força.
A exposição desses lutos, sem os filtros habituais da edição televisiva, oferece algumas reflexões necessárias. Estar de luto e continuar operando — ou desabar publicamente — não são sinais de fraqueza ou falta de profissionalismo, mas de honestidade.
Esses episódios nos lembram que, por trás de cada tela e de cada rotina profissional, há uma estrutura afetiva que pode ruir a qualquer momento. O que Tadeu e Ana Paula fizeram, talvez sem saber, foi nos dar permissão para sermos humanos.
A dor, quando compartilhada sem o peso do protocolo, deixa de ser um tabu para se tornar o que ela realmente é: o preço inevitável e digno de termos amado alguém profundamente. O luto não precisa de roteiro porque a saudade, por si só, já dita o ritmo dos dias.

À primeira vista, isso soa estranho, eu sei. Mas "se dar a devida insignificância" é um dos maiores atos de amor-próprio...
10/04/2026

À primeira vista, isso soa estranho, eu sei. Mas "se dar a devida insignificância" é um dos maiores atos de amor-próprio que você pode praticar.

​Sabe aquele peso no peito de que cada erro seu é um desastre monumental? Aquela sensação de que o mundo inteiro parou para observar o seu tropeço, ou que a felicidade das pessoas ao seu redor depende exclusivamente da sua perfeição?

​Isso é um fardo pesado demais para carregar.

​A verdade é que as pessoas estão ocupadas demais lidando com os próprios caos para monitorar os seus. E, por mais que pareça assustador, existe uma liberdade imensa nisso:

​Seus erros não definem o dia de ninguém além do seu. Você tem o direito de falhar sem que isso destrua o equilíbrio do universo.

​Suas escolhas não precisam de aplausos. A plateia que você imagina muitas vezes nem está lá; você é livre para escolher o que faz sentido para você.

​Você não é o centro das expectativas alheias. Quando você entende que não precisa atender ao que o outro "talvez" pense, o peso nos seus ombros diminui instantaneamente.

​Dar-se a devida insignificância não é se diminuir. É se humanizar. É entender que você pode — e deve — ser apenas uma pessoa, com permissão para descansar, mudar de ideia e não ser impecável o tempo todo.

​Terapia é, também, sobre redimensionar pesos e descobrir que a vida f**a muito mais leve quando você para de tentar ser o herói de uma história que nem é sua.

No Dia Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) nos lembra que saúde é um estado de completo bem-estar fís...
07/04/2026

No Dia Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) nos lembra que saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de afecções ou enfermidades. Mas, o que acontece quando a medicina curativa já não tem respostas para o corpo físico?

Como psicóloga de orientação psicanalítica atuando em cuidados paliativos, minha prática me confronta diariamente com essa questão. E a resposta que construí neste encontro de saberes está resumida neste carrossel.

Saúde, na terminalidade, é subjetividade preservada.

Pelos Cuidados Paliativos, entendemos que a saúde reside na manutenção da qualidade de vida, no alívio do sofrimento e no respeito à autonomia do paciente. É saúde do "cuidar".

Pela Psicanálise, compreendemos que o sujeito é feito de linguagem. Saúde, portanto, é a possibilidade de falar sobre sua história, seus medos e seus desejos. É a saúde do "dizer".

Quando unimos essas duas visões, percebemos que a verdadeira saúde é aquela que permite ao indivíduo ser o protagonista de sua própria existência até o último instante. É a vida que se afirma através do sentido que damos a ela, mesmo — e especialmente — diante da finitude.

Salva este post para reler quando precisar de uma perspectiva mais humana sobre o que é estar saudável.


Se precaver contra o erro é um mecanismo de proteção, mas você já se sentiu pronta para sustentar o seu próprio acerto?
22/03/2026

Se precaver contra o erro é um mecanismo de proteção, mas você já se sentiu pronta para sustentar o seu próprio acerto?

A busca incessante pela excelência pode ser uma forma sutil de nos sentirmos irreais.Donald Winnicott nos ensina que a s...
19/03/2026

A busca incessante pela excelência pode ser uma forma sutil de nos sentirmos irreais.

Donald Winnicott nos ensina que a saúde psíquica está profundamente ligada à capacidade de brincar — e no brincar, o "erro" não existe, apenas a experiência. Quando nos permitimos ser insuficientes, abrimos mão da máscara da competência (o Falso Self) para reencontrar nossa essência mais criativa.

Quantas coisas você deixou de fazer por medo de não ser bom o suficiente?

Talvez o que você precisa hoje não seja de mais produtividade, mas da liberdade de ser "ruim" e, finalmente, se sentir vivo.

A agressividade direcionada à mulher no espaço público e privado — seja o descontrole do atleta diante da árbitra ou a r...
13/03/2026

A agressividade direcionada à mulher no espaço público e privado — seja o descontrole do atleta diante da árbitra ou a reatividade de figuras midiáticas perante mulheres que se posicionam — revela uma estrutura psíquica que opera sob a lógica da dominação. Quando o homem recorre ao argumento do "momento de pressão" ou das "vivências traumáticas" para justif**ar o ato violento, ele opera um mecanismo de desresponsabilização subjetiva. Na psicanálise, entendemos que o trauma explica a origem de certos afetos, mas nunca deve servir como salvo-conduto para a repetição da violência. Utilizar o passado como escudo é, em última instância, uma recusa em elaborar o próprio sintoma.

Essa dificuldade em lidar com mulheres que não ocupam o lugar da submissão aponta para uma ferida narcísica profunda. Para esse sujeito, a mulher que exerce autoridade ou que sustenta um desejo próprio não é vista como um semelhante, mas como uma ameaça à integridade de seu ego inflado. A violência verbal surge, então, como uma tentativa arcaica de restaurar uma ordem de controle que a realidade insiste em frustrar. É a incapacidade de lidar com a alteridade: o outro (a mulher) só é tolerado enquanto espelho que confirma a potência masculina; quando ela se torna voz dissonante, o espelho se quebra e a agressividade transborda.

Por fim, a recorrente justif**ativa de "respeito às mulheres porque tenho mãe, filha ou esposa" expõe o que chamamos de fetichização do vínculo. Nesse discurso, o valor da mulher não é intrínseco à sua humanidade, mas dependente da função que ela exerce na economia afetiva do homem. É um respeito condicional e proprietário. O verdadeiro imperativo ético, que a clínica e a vida social nos convocam a sustentar, é o reconhecimento da mulher como sujeito de direito e desejo, especialmente aquela que é "estranha", que ocupa espaços de poder e que confronta as estruturas patriarcais sem pedir licença.

Na clínica, frequentemente escuto o esgotamento materno ser nomeado como "cansaço dos filhos". Mas, ao aprofundarmos a e...
10/03/2026

Na clínica, frequentemente escuto o esgotamento materno ser nomeado como "cansaço dos filhos". Mas, ao aprofundarmos a escuta, percebemos que o peso não vem da criança, e sim da solidão de uma função exercida sem o anteparo de um terceiro.

Para a psicanálise, a função paterna vai muito além da presença física ou do "ajudar nas tarefas". Ela opera como uma lei simbólica: é o lugar daquele que protege, mas também que interdita e corta a simbiose entre mãe e bebê, permitindo que a mulher não seja engolida exclusivamente pela maternidade.

Quando o homem não se implica nessa função, ocorre um deslocamento perverso na dinâmica familiar. Em vez de ocupar o lugar de adulto que sustenta o ambiente, ele recua para uma posição de passividade ou de "auxiliar" que aguarda comandos.

O resultado? A mãe acaba "adotando" simbolicamente o parceiro. Ela passa a gerenciar não apenas as necessidades do filho, mas também as demandas e a inércia de um adulto que se recusa a crescer para a paternidade. A conta não fecha porque falta um par; sobra uma sobrecarga psíquica onde a mulher precisa ser o sustento de todos, sem ter onde se sustentar.

O esgotamento materno, nesse contexto, é o sintoma de uma ausência. É o grito de uma mulher que transbordou porque o espaço que deveria ser de parceria foi ocupado por mais uma demanda de cuidado.

Paternidade não é ajuda. É a sustentação necessária para que o cuidado não se torne um cativeiro para quem cuida.

8 de março.
09/03/2026

8 de março.

Quem cuida também precisa de cuidado. Uma das premissas fundamentais dos Cuidados Paliativos é que a unidade de cuidado ...
11/01/2026

Quem cuida também precisa de cuidado. Uma das premissas fundamentais dos Cuidados Paliativos é que a unidade de cuidado não é apenas o paciente, mas o paciente e sua família.

Acompanhar alguém em uma jornada de adoecimento grave gera um desgaste emocional imenso. A psicologia em cuidados paliativos atua para evitar o colapso do cuidador e preparar o terreno para um luto mais saudável.

Estudos mostram que quando a família recebe suporte paliativo precoce, os níveis de depressão e ansiedade dos cuidadores diminuem signif**ativamente. O suporte emocional permite que os familiares deixem de ser apenas "vigias de sintomas" para voltarem a ser filhos, cônjuges e amigos. O cuidado paliativo oferece o suporte necessário para que o adeus não seja apenas dor, mas também um momento de conexão e amor.

E você? Ja foi cuidado ou cuidador?

Quando alguém enfrenta uma doença grave, a dor raramente é apenas física. Existe a "dor da alma".Cicely Saunders, a enfe...
10/01/2026

Quando alguém enfrenta uma doença grave, a dor raramente é apenas física. Existe a "dor da alma".

Cicely Saunders, a enfermeira e médica que revolucionou este campo, cunhou o termo **Dor Total**. Ela entendeu que para cuidar de um paciente, o profissional precisa olhar para quatro pilares:

Dor Física: Sintomas e desconfortos do corpo.
Dor Emocional: O medo, a ansiedade e a tristeza.
Dor Social: A preocupação com a família, as finanças e o isolamento.
Dor Espiritual: As perguntas sobre o sentido da vida e o que vem depois.

Cuidar da saúde mental em cuidados paliativos é ajudar o paciente e a família a organizar essas dores. É dar suporte para que as pendências sejam resolvidas e o coração encontre espaço para a paz, mesmo em meio à tempestade.

Endereço

Rua Virgilio Malta 17-41
Bauru, SP

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Ana Maria R. Gonçalves - Psipaliativa posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar

Categoria