14/01/2026
Três anos, na primeira foto.
Nessa foto, eu ainda não sabia dar nome ao tempo, ele era só presença, um bolo simples, um chapéu torto, um olhar sério demais pra quem ainda cabia no colo. Eu não sabia o que era crescer, apenas crescia.
Hoje são 33.
Entre essa criança e o homem que escreve agora, o mundo ficou mais denso, vieram os desafios, os silêncios longos, as responsabilidades que não pedem licença, vieram também as perdas que mudam o eixo da gente. A vó Zú e a vó Mença partiram, e com elas foi um tipo de abrigo que só avó sabe ser, Ficaram as lembranças, os gestos herdados sem perceber, a sensação de que certas ausências nunca se preenchem, apenas se aprendem a carregar.
Crescer, descobri, não é vencer sempre, é sustentar, é seguir mesmo quando algo em nós ficou pelo caminho, é aceitar que algumas versões nossas morrem para que outras possam existir.
Houve conquistas, sim!Conquistas silenciosas, que não cabem em festa, o trabalho que faz sentido, os encontros verdadeiros, a coragem de olhar para dentro sem romantizar a dor, conquistas que não pedem aplauso, mas pedem presença.
Nunca gostei muito de comemorações, talvez porque aniversário, pra mim, não seja sobre celebrar o ano que passou, mas reconhecer o que resistiu, o que permaneceu de pé apesar de tudo, o que amadureceu sem endurecer.
Essa foto me lembra que, apesar do tempo, algo essencial ainda está aqui. O mesmo olhar atento, a mesma sensibilidade, a mesma tentativa honesta de viver com verdade.
Hoje não celebro com barulho.
Celebro em silêncio.
Com gratidão.
Com memória.
Com a consciência de que chegar aos 33 não é pouco, é travessia.
E seguir, ainda assim, é o maior presente.