Dr. Fabiano Serafim

Dr. Fabiano Serafim Saúde, cuidado, família e medicina. Será um prazer cuidar de vocês. Especialista em Saúde da Família. Atendimentos em Clinica Geral e Preventiva.

Avaliação da saúde da criança, adultos e idosos

Pré-Diabetes pode voltar ao normal?Receber um exame com “pré-diabetes” assusta muita gente.A primeira reação costuma ser...
27/08/2026

Pré-Diabetes pode voltar ao normal?

Receber um exame com “pré-diabetes” assusta muita gente.

A primeira reação costuma ser:

“Então é questão de tempo até eu ter diabetes.”

Não necessariamente.

Um dos estudos mais importantes sobre prevenção do diabetes, o Diabetes Prevention Program (DPP), acompanhou pessoas com alto risco de desenvolver diabetes tipo 2.

No grupo submetido a uma intervenção intensiva no estilo de vida, o objetivo incluía perda de aproximadamente 7% do peso e pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.

Durante o período avaliado, essa estratégia reduziu em 58% o risco de evolução para diabetes tipo 2, comparada ao grupo placebo.

E estudos de acompanhamento mostraram que parte desse benefício persistiu durante muitos anos.

Isso não significa que existe uma receita única para toda pessoa com pré-diabetes.

A própria diretriz reforça que não existe uma estratégia alimentar universal. Alimentação, atividade física, peso, condições de saúde e preferências individuais precisam ser considerados.

Mas existe uma mensagem importante:

pré-diabetes não significa que o diabetes seja inevitável.

Pode representar justamente uma oportunidade de descobrir o risco enquanto ainda existe muito espaço para agir.

Talvez seja melhor enxergar o pré-diabetes não apenas como um resultado alterado no exame.

Mas como um aviso de que chegou a hora de olhar com mais atenção para aquilo que pode ser modificado.

Descobrir antes pode mudar o que acontece depois.

Referências:

Sociedade Brasileira de Diabetes. Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the incidence of type 2 diabetes with lifestyle intervention or metformin. N Engl J Med. 2002;346:393–403.


Dr. Fabiano Serafim • Médico de Família em Bauru

Um dos problemas do diabetes tipo 2 é justamente este:você não precisa sentir alguma coisa para ter uma alteração na gli...
26/08/2026

Um dos problemas do diabetes tipo 2 é justamente este:

você não precisa sentir alguma coisa para ter uma alteração na glicose.

Por isso existe o rastreamento.

A recomendação atual da Sociedade Brasileira de Diabetes inclui rastrear adultos assintomáticos acima dos 35 anos.

Antes dessa idade, a avaliação também pode ser indicada para pessoas com sobrepeso ou obesidade quando existem outros fatores de risco, como histórico familiar de diabetes, hipertensão, sedentarismo, doença cardiovascular ou síndrome dos ovários policísticos.

Quem já apresentou pré-diabetes ou diabetes gestacional também merece atenção.

E descobrir uma alteração mais cedo não deveria ser motivo para medo.

Pode ser justamente uma oportunidade para agir antes.

Alimentação, atividade física, controle do peso quando necessário e acompanhamento adequado podem fazer parte das estratégias utilizadas para reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2.

Por isso, não espere necessariamente sede excessiva, muita vontade de urinar ou outros sintomas para pensar em diabetes.

Prevenção também significa saber quando vale a pena procurar uma doença antes que ela avise.

📌 Salve este post e converse sobre seu risco na próxima avaliação de saúde e já me segue por aqui para mais conteúdos sobre a diabetes. Dr. Fabiano Serafim • Médico de Família em Bauru

25/08/2026

Existe uma ideia perigosa quando falamos de diabetes:

“Se minha glicose estivesse alta, eu perceberia.”

Nem sempre.

O diabetes tipo 2 pode ser identificado em pessoas que não apresentam os sintomas clássicos da doença.

E antes do diagnóstico pode existir o pré-diabetes, uma condição em que os exames já apresentam alterações, mas ainda não atingiram os critérios diagnósticos para diabetes.

Isso não significa que toda pessoa com pré-diabetes necessariamente desenvolverá diabetes.

O risco varia de uma pessoa para outra.

E é justamente por isso que descobrir essa alteração pode ser uma oportunidade.

Pessoas com maior risco podem se beneficiar do rastreamento mesmo sem sintomas, permitindo identificar alterações mais cedo e iniciar estratégias de prevenção.

Histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo e outros fatores ajudam a identificar quem merece maior atenção.

Prevenção não é esperar a doença avisar.

É saber quando vale a pena procurar por ela antes disso.

E você sabe se deveria fazer o rastreamento para diabetes?

Já me segue aqui Dr. Fabiano Serafim • Médico de Família em Bauru para acompanhar essa série sobre diabetes e saber como cuidar melhor da sua saúde.

24/08/2026

Receber o diagnóstico de diabetes pode assustar.

E muitas vezes o medo não é apenas da doença.

É medo do que vem depois.

Das restrições.

Dos medicamentos.

Da insulina.

De não poder mais comer determinadas coisas.

Ou de imaginar que a vida, a partir daquele momento, será completamente diferente.

Mas tratamento de diabetes não deveria significar simplesmente entregar ao paciente uma lista de proibições.

A alimentação faz parte do cuidado, mas precisa ser individualizada, equilibrada e possível de ser mantida. Atividade física, controle do peso quando necessário, sono, outros hábitos e medicamentos, quando indicados, também fazem parte dessa estratégia.

E existe um motivo para cuidarmos tão bem do diabetes.

Não é apenas baixar a glicose.

É reduzir o risco de complicações e preservar a saúde ao longo dos anos.

O tratamento precisa caber na vida da pessoa — e não transformar a vida inteira em tratamento.

No próximo conteúdo vamos voltar um pouco no tempo.

Porque o dia em que alguém recebe o diagnóstico de diabetes geralmente não é o dia em que tudo começou.

16/08/2026

Mudança de estilo de vida não é um tratamento alternativo para colesterol.

Ela faz parte do tratamento.

Uma alimentação com melhor qualidade, menor consumo de gorduras saturadas, maior presença de fibras e alimentos minimamente processados, associada à atividade física, controle do peso e abandono do tabagismo, contribui para a redução do risco cardiovascular.

Mas existe uma diferença importante:

melhorar o LDL não significa necessariamente atingir a meta necessária para aquela pessoa.

Alguém de baixo risco e com pequena alteração pode ter uma estratégia diferente de quem já teve um infarto, AVC ou apresenta aterosclerose estabelecida.

É por isso que a decisão sobre medicamentos não deve ser baseada apenas em saber se o colesterol está “alto”.

Precisamos considerar risco cardiovascular + meta de LDL + resposta às mudanças de estilo de vida.

E, quando a medicação está indicada, hábitos saudáveis não competem com ela.

Eles se complementam.

📌 Salve para lembrar: tratar colesterol não é escolher entre hábitos ou medicamento. É escolher a estratégia adequada para reduzir o seu risco.

Referências

Rached FH, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025;122(9):e20250640.

Blumenthal RS, et al. 2026 ACC/AHA/AACVPR/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA Guideline on the Management of Dyslipidemia. Circulation. 2026;153:e1154–e1276. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001423.

Você pode ter um LDL aparentemente adequado e ainda carregar um fator de risco cardiovascular que nunca foi medido.Ele s...
15/08/2026

Você pode ter um LDL aparentemente adequado e ainda carregar um fator de risco cardiovascular que nunca foi medido.

Ele se chama lipoproteína(a), ou Lp(a).

A Lp(a) é uma partícula semelhante ao LDL e seus níveis são determinados principalmente pela genética. Por isso, alimentação e exercício, embora fundamentais para a saúde cardiovascular, costumam ter pouca influência sobre sua concentração.

E aqui está o ponto importante:

níveis elevados de Lp(a) estão associados a maior risco de doença cardiovascular aterosclerótica e também de estenose da válvula aórtica.

Como seus níveis tendem a permanecer relativamente estáveis ao longo da vida, as diretrizes mais recentes passaram a valorizar sua dosagem pelo menos uma vez na vida adulta, quando disponível.

Isso não significa que todo mundo com Lp(a) elevada terá um infarto.

Significa que essa informação pode ajudar a enxergar melhor o risco daquela pessoa e, principalmente, identificar quem pode se beneficiar de um controle mais rigoroso dos outros fatores modificáveis: LDL, pressão arterial, diabetes, tabagismo, alimentação e atividade física.

Às vezes, entender o risco cardiovascular exige olhar além do colesterol que aparece no exame de rotina.

📌 Você já dosou sua Lp(a) alguma vez?

——

Referências

A base principal é a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, que incorporamos à nossa série, além da ACC/AHA Guideline on the Management of Dyslipidemia – 2026.

Rached FH, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025;122(9):e20250640.

Blumenthal RS, et al. 2026 ACC/AHA/AACVPR/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA Guideline on the Management of Dyslipidemia. Circulation. 2026;153:e1154–e1276. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001423.

Quando falamos de pressão, colesterol, diabetes, alimentação ou exercício, é fácil transformar saúde em uma coleção de n...
14/08/2026

Quando falamos de pressão, colesterol, diabetes, alimentação ou exercício, é fácil transformar saúde em uma coleção de números.

Pressão 12 por 8.

LDL abaixo da meta.

Glicemia controlada.

Peso adequado.

Mas nenhum desses números deveria ser o objetivo final.

O que realmente queremos preservar é aquilo que eles representam.

Disposição para trabalhar.

Autonomia para envelhecer.

Energia para viajar, caminhar, brincar, encontrar os amigos e estar presente com quem importa.

Talvez por isso eu goste tanto de falar sobre prevenção.

Não porque acredito que precisamos viver preocupados tentando evitar todas as doenças.

Mas porque aquilo que fazemos hoje pode aumentar nossas chances de continuar fazendo amanhã as coisas que dão sentido à nossa vida.

No final, longevidade não deveria significar apenas acrescentar anos.

Deveria significar preservar qualidade de vida dentro desses anos.

E para você: o que gostaria de continuar fazendo daqui a 10 ou 20 anos?

11/08/2026

Quando você recebe um exame de colesterol, provavelmente procura duas coisas: o valor do LDL e se existe algum asterisco indicando alteração.

Mas isso não responde à pergunta mais importante.

Qual é o seu risco cardiovascular?

As diretrizes atuais trabalham com metas de LDL diferentes conforme o risco de cada pessoa.

Alguém sem doença cardiovascular e com poucos fatores de risco pode ter uma meta.

Uma pessoa com diabetes, doença renal, aterosclerose conhecida ou que já sofreu um infarto pode precisar de outra completamente diferente.

Por isso, “estar dentro do valor de referência do laboratório” não significa necessariamente estar na meta adequada para você.

O exame fornece o número.

A história clínica ajuda a dar significado a ele.

E é justamente por isso que prevenção cardiovascular precisa ser individualizada.

No próximo conteúdo podemos entrar nas diferentes categorias de risco e mostrar, de maneira simples, por que algumas pessoas precisam de LDL abaixo de 100, outras abaixo de 70, 50 ou até menos, conforme a estratificação utilizada.

10/08/2026

Então colesterol não faz mal?

Não foi isso que eu disse.

O colesterol é necessário para o organismo. O problema cardiovascular está relacionado principalmente à exposição das artérias às lipoproteínas aterogênicas, especialmente partículas contendo ApoB, entre elas o LDL.

Quando essas partículas ficam retidas na parede arterial, participam do processo que leva à aterosclerose.

E isso acontece lentamente.

Durante anos.

Às vezes, durante décadas.

Por isso, reduzir o LDL quando indicado não significa simplesmente fazer um exame “voltar ao normal”.

Significa diminuir a exposição das artérias a um dos principais fatores causais da doença aterosclerótica.

E existe outro detalhe importante: o mesmo valor de LDL não significa necessariamente o mesmo risco para duas pessoas.

É justamente sobre isso que vou falar no próximo conteúdo.

Referências

Ference BA, et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. European Heart Journal. 2017;38(32):2459–2472. DOI: 10.1093/eurheartj/ehx144.

Rached FH, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025;122(9):e20250640.

Blumenthal RS, et al. 2026 ACC/AHA/AACVPR/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA Guideline on the Management of Dyslipidemia. Circulation. 2026;153:e1154–e1276. DOI: 10.1161/CIR.0000000000001423.

A placa de gordura não aparece de um dia para o outro.Ela é resultado de um processo lento, que pode levar décadas.Tudo ...
09/08/2026

A placa de gordura não aparece de um dia para o outro.

Ela é resultado de um processo lento, que pode levar décadas.

Tudo começa com pequenas agressões à parede das artérias. O colesterol LDL consegue penetrar nessa região, desencadeando uma resposta inflamatória. Com o passar do tempo, células de defesa acumulam gordura, formando as chamadas placas de aterosclerose.

Na maioria das pessoas, isso acontece sem qualquer sintoma.

Por isso, o colesterol elevado não deve ser encarado apenas como um número no exame.

Ele representa um fator que pode acelerar esse processo ao longo da vida.

A boa notícia é que muitos dos fatores envolvidos podem ser modificados.

Controlar a pressão, parar de fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e tratar o colesterol quando indicado ajudam a proteger suas artérias.

📌 Compartilhe este carrossel. Entender como a aterosclerose se forma é o primeiro passo para preveni-la.

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