22/09/2021
Segundo a literatura científica, este tema (suicídio, ideação suicida ou tentativas de suicídio) é um grande problema de saúde pública e tem sido uma das principais causas de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos (OMS, 2018).
Por este e outros motivos, as especialidades médicas estão cada vez mais envolvidas nos estudos da temática para assim prestar suas contribuições.
E a Neuropsicologia também pode contribuir bastante!
A Neuropsicologia é o estudo das relações entre o cérebro e o comportamento. Investiga as funções cerebrais (processos atencionais, mnemônicos, de linguagem, percepção e funções cognitivas) e sua relação com a cognição, bem como o reflexo no comportamento humano. E dentre as funções cerebrais, as funções executivas são as que parecem manter relação com o comportamento suicida.
Vamos entender melhor esta relação: as funções executivas são um conjunto de habilidades integradas que nos permitem direcionar comportamentos a objetivos e realizar ações. Dentre elas destacam-se: planejamento, resolução de problemas, controle inibitório, tomada de decisão, flexibilidade cognitiva, entre outras, que podem ser utilizadas como estratégias de enfrentamento diante de condutas autodestrutivas, como o suicídio que pressupõe uma inflexibilidade cognitiva e dificuldade na resolução de problemas.
Então, a preservação do bom funcionamento das funções executivas garante a adaptação e resposta adequada às demandas do indivíduo e, sua alteração, também chamadas por disfunções executivas ou síndromes disexecutivas, estão facilmente associadas a transtornos depressivos, transtorno bipolar, transtornos de personalidade, dentre outros.
Portanto, a neuropsicologia pode ajudar na prevenção do suicídio num trabalho conjunto com médicos psiquiatras e neurologistas através, primeiramente, da avaliação neuropsicológica, que possibilita uma revisão diagnóstica, manejo medicamentoso e/ou terapêutico.
Ana Beatriz S. Montassier ()
Neuropsicóloga / Psicóloga Clínica
CRP 06/89364