01/05/2026
Resgatei esse registro de 20 anos atrás quando ainda trabalhava na área financeira.
Creio que sou muito louca. Diria isso a Freud numa prosa. Comecei a trabalhar cedo, em lugares que deixaram marcas. Lembro bem de uma ótica chique no bairro; eu adorava ganhar uns dinheiros a mais para pagar meu cursinho, não só isso, desenvolvi uma forma de vender que não era qualquer, porque habitava em mim um grande valor estético: me satisfazia ver as formas e estruturas naturais das pessoas ganharem vida, destacadas pela armação que eu escolhia. Eu não entregava apenas óculos, eu revelava contornos.Depois, a formação em Administração me jogou na importação e exportação. De alguma maneira, eu tentava me manter na conexão de 'estudar letras', buscando um sentido textual entre navios e portos. Mas o Real do Trabalho veio sem aviso e me arrastou para a área financeira.Acabei em uma agência de publicidade, e ali a angústia virou minha sombra: eu era um sujeito tentando gerir os recursos de um lugar que vende sonhos, enquanto o meu próprio desejo morria de sede. Foi quando busquei o chão. Me tornei professora de , disciplinada e rigorosa, mas a minha curiosidade me fez ir além: inventei de seguir o caminho da yogaterapia.Nesse movimento, o inevitável aconteceu: o meu mat se tornou um Divã. O tapete que sustentava o corpo passou a sustentar o sujeito, e esse chão, mestre, me conduziu sem volta ao ofício da Psicanálise."
Acho que o Freud me diria que isso que chamo de loucura é Sublimação de uma pulsão de vida que não aceita ser soterrada. Emoldurei o olhar do outro na ótica, depois busquei "a letra" no financeiro, até sentir o curto-circuito de gerir sonhos alheios como se fossem moedas. No yoga, finalmente encontrei a unidade, mas percebi que o corpo é um texto que precisa ser lido, não apenas alongado. Hoje meu ofício esta na psicanálise. Conclusão: e são grandes potências criativas. Feliz dia do Trabalho.