Consultório de Psicanálise

Consultório de Psicanálise Existem situações na vida que nos causam sofrimento, nos provocam angústia, desespero, tristeza e

20/05/2026

A ascensão de líderes populistas não revela apenas um fenômeno político, mas também um funcionamento psíquico coletivo.

Freud já apontava, em Psicologia das Massas, que grupos tendem a substituir o pensamento crítico pela identificação emocional com uma figura percebida como forte. O líder ocupa o lugar daquele que promete proteção, ordem e respostas simples para angústias complexas.

Ferenczi, por sua vez, ajuda a compreender como sujeitos inseguros e fragilizados podem se apegar a figuras autoritárias em busca de amparo psíquico. Quando o medo e o desamparo aumentam, a verdade perde força diante da necessidade de acreditar.

Por isso, discursos simplistas seduzem tanto: eles aliviam a angústia de pensar. O sujeito deixa de sustentar a dúvida e entrega ao líder a tarefa de dizer o que é certo, quem é o inimigo e qual caminho seguir.

Na lógica das massas, convicção costuma valer mais do que reflexão. O grito supera o argumento. A certeza tranquiliza mais do que a complexidade.

Talvez o maior risco para uma democracia não seja apenas a mentira, mas o desejo coletivo de ser poupado do trabalho de pensar.

No Dia das Mães, a psicanálise nos lembra: o amor entre mães e filhos não nasce da perfeição, mas da presença, do cuidad...
10/05/2026

No Dia das Mães, a psicanálise nos lembra: o amor entre mães e filhos não nasce da perfeição, mas da presença, do cuidado e da humanidade possível. Amar também é permanecer, mesmo nas imperfeições.

07/05/2026

A tirania, hoje, já não precisa de um tirano explícito. Ela pode operar de forma difusa, atravessando discursos, instituições e até nossos modos de desejar. Não se trata apenas de regimes autoritários clássicos, mas de uma lógica que se infiltra no cotidiano, transformando diferenças em ameaças e o outro em inimigo.
Na política — especialmente no Brasil — vemos a construção de narrativas que simplificam o real, oferecendo respostas fáceis para angústias complexas. A tirania se sustenta justamente aí: na recusa da dúvida, no desprezo pelo conflito simbólico e na necessidade de um saber total que elimina o espaço da escuta. Em vez de diálogo, produz-se polarização; em vez de laço social, instala-se o ódio.
Precisamos pensar que a democracia não é confortável — ela exige tolerar a falta, a incompletude, o desacordo. A tirania, ao contrário, promete consistência absoluta: um povo uno, uma verdade única, um inimigo claro. Mas essa promessa cobra um preço alto — o apagamento da singularidade e a erosão da responsabilidade subjetiva.
Resistir à tirania, então, não é apenas um gesto político, mas também clínico. É sustentar a complexidade, recusar soluções totalizantes e insistir na palavra como espaço de elaboração. Em tempos de certezas estridentes, talvez o ato mais subversivo seja justamente manter aberta a pergunta.

Freud acrescenta um ponto decisivo: a tirania não é apenas um fenômeno político externo, ela encontra suas condições de possibilidade na própria constituição psíquica dos sujeitos.

Em textos como Psicologia das Massas e Análise do Eu, Freud mostra que, nas massas, os indivíduos tendem a abrir mão de sua singularidade em nome de uma identificação comum, frequentemente com um líder ou uma ideia que ocupa o lugar de ideal. Isso ajuda a entender por que discursos autoritários ganham tanta força: eles oferecem pertencimento, sentido e alívio para a angústia — mesmo que ao custo da autonomia.

A tirania, hoje, já não precisa de um tirano explícito. Ela pode operar de forma difusa, atravessando discursos, institu...
07/05/2026

A tirania, hoje, já não precisa de um tirano explícito. Ela pode operar de forma difusa, atravessando discursos, instituições e até nossos modos de desejar. Não se trata apenas de regimes autoritários clássicos, mas de uma lógica que se infiltra no cotidiano, transformando diferenças em ameaças e o outro em inimigo.
Na política — especialmente no Brasil — vemos a construção de narrativas que simplificam o real, oferecendo respostas fáceis para angústias complexas. A tirania se sustenta justamente aí: na recusa da dúvida, no desprezo pelo conflito simbólico e na necessidade de um saber total que elimina o espaço da escuta. Em vez de diálogo, produz-se polarização; em vez de laço social, instala-se o ódio.
Precisamos pensar que a democracia não é confortável — ela exige tolerar a falta, a incompletude, o desacordo. A tirania, ao contrário, promete consistência absoluta: um povo uno, uma verdade única, um inimigo claro. Mas essa promessa cobra um preço alto — o apagamento da singularidade e a erosão da responsabilidade subjetiva.
Resistir à tirania, então, não é apenas um gesto político, mas também clínico. É sustentar a complexidade, recusar soluções totalizantes e insistir na palavra como espaço de elaboração. Em tempos de certezas estridentes, talvez o ato mais subversivo seja justamente manter aberta a pergunta.

Freud acrescenta um ponto decisivo: a tirania não é apenas um fenômeno político externo, ela encontra suas condições de possibilidade na própria constituição psíquica dos sujeitos.

Em textos como Psicologia das Massas e Análise do Eu, Freud mostra que, nas massas, os indivíduos tendem a abrir mão de sua singularidade em nome de uma identificação comum, frequentemente com um líder ou uma ideia que ocupa o lugar de ideal. Isso ajuda a entender por que discursos autoritários ganham tanta força: eles oferecem pertencimento, sentido e alívio para a angústia — mesmo que ao custo da autonomia.

05/05/2026

Traição não é só sobre o ato. É sobre silêncios, pactos rompidos e sentidos que se perdem. Entre quem trai e quem é traído, há dor, mas também algo que pede elaboração. Falar pode ser difícil — mas é onde algo novo pode começar.

Traição não é só sobre o ato. É sobre silêncios, pactos rompidos e sentidos que se perdem. Entre quem trai e quem é traí...
05/05/2026

Traição não é só sobre o ato. É sobre silêncios, pactos rompidos e sentidos que se perdem. Entre quem trai e quem é traído, há dor, mas também algo que pede elaboração. Falar pode ser difícil — mas é onde algo novo pode começar.

12/12/2024

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