20/05/2026
A ascensão de líderes populistas não revela apenas um fenômeno político, mas também um funcionamento psíquico coletivo.
Freud já apontava, em Psicologia das Massas, que grupos tendem a substituir o pensamento crítico pela identificação emocional com uma figura percebida como forte. O líder ocupa o lugar daquele que promete proteção, ordem e respostas simples para angústias complexas.
Ferenczi, por sua vez, ajuda a compreender como sujeitos inseguros e fragilizados podem se apegar a figuras autoritárias em busca de amparo psíquico. Quando o medo e o desamparo aumentam, a verdade perde força diante da necessidade de acreditar.
Por isso, discursos simplistas seduzem tanto: eles aliviam a angústia de pensar. O sujeito deixa de sustentar a dúvida e entrega ao líder a tarefa de dizer o que é certo, quem é o inimigo e qual caminho seguir.
Na lógica das massas, convicção costuma valer mais do que reflexão. O grito supera o argumento. A certeza tranquiliza mais do que a complexidade.
Talvez o maior risco para uma democracia não seja apenas a mentira, mas o desejo coletivo de ser poupado do trabalho de pensar.