18/06/2026
Um relatório divulgado em 2025 pelo Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), trouxe um alerta importante sobre a saúde infantil em escala global. Pela primeira vez na história, o número de crianças e adolescentes com obesidade superou o de jovens abaixo do peso considerado adequado.
Ao analisar os dados desde o ano 2000, o levantamento revela uma mudança significativa no perfil nutricional da população infantil. Nesse período, a obesidade infantil mais do que triplicou, passando de 3% para patamares muito mais elevados entre crianças e adolescentes. Em sentido oposto, o baixo peso apresentou queda consistente, saindo de 13% há cerca de 25 anos para índices menores na atualidade.
Esse cenário evidencia uma transformação no conceito de desnutrição. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o próprio Unicef, tanto o baixo peso quanto a obesidade são classificados como formas de desnutrição, uma vez que envolvem dietas inadequadas em termos de qualidade nutricional. Ou seja, não se trata apenas da falta de alimentos, mas também do consumo excessivo e desequilibrado de nutrientes.
O relatório aponta ainda que mais de 390 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos apresentam excesso de peso, sendo que cerca de 160 milhões já vivem com obesidade. Entre os principais fatores associados a esse crescimento está a presença cada vez maior de alimentos ultraprocessados na rotina infantil. Esses produtos concentram altas quantidades de açúcares, gorduras saturadas e sódio, ao mesmo tempo em que oferecem baixo valor nutricional.
Diante desses dados, o Unicef reforça a necessidade de ações preventivas desde a infância, com foco em educação alimentar, acompanhamento médico e incentivo a hábitos de vida mais saudáveis. Logo, a inversão dos indicadores nutricionais ao longo das últimas décadas deixa claro que a obesidade infantil não é apenas uma questão estética, mas um problema de saúde pública com impactos duradouros.