17/06/2026
Grandes ressecções tumorais, reconstruções complexas de mandíbula, separações de gêmeos siameses. Existem cirurgias que começam de manhã e terminam na madrugada. Para o cirurgião, é uma maratona de precisão. Para o anestesiologista, é uma vigília técnica sem pausas, onde cada hora adicional multiplica os riscos.
A partir de determinado tempo, o corpo humano começa a responder ao trauma cirúrgico de forma acumulativa. A temperatura cai, os fatores de coagulação se esgotam, os rins começam a receber menos fluxo. O anestesiologista monitora e trata cada uma dessas variáveis em tempo real, muitas vezes gerenciando simultaneamente transfusões, vasopressores, controle de temperatura e ventilação.
O posicionamento cirúrgico é outro desafio silencioso. Em cirurgias longas, a pressão constante sobre determinados pontos do corpo pode causar lesão por pressão ou neuropatia por compressão. O anestesiologista participa do posicionamento e está atento a essas complicações ao longo de toda a jornada. Ninguém vê esse trabalho, mas ele é essencial.
Ao final de uma grande cirurgia, quando o paciente acorda e começa a se recuperar, dificilmente imagina quantas decisões foram tomadas para mantê-lo estável durante aquelas horas. Isso é o que me move: ser o guardião silencioso de um processo que o paciente nunca vai testemunhar, mas cujo resultado ele vai sentir pelo resto da vida.
Tem curiosidade sobre como são as grandes cirurgias por dentro? Deixe sua pergunta nos comentários.
Dr. Cristiano Hiroshi - Médico Anestesiologista
CRM MG 42366 | RQE 36140
Especialista em dor - RQE 63277
Imagem: FreePik