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Autonomia financeira não é um manifesto contra o amor.É uma proteção contra a impossibilidade de escolher.Existe uma dif...
23/08/2026

Autonomia financeira não é um manifesto contra o amor.

É uma proteção contra a impossibilidade de escolher.

Existe uma diferença brutal entre querer ficar e não conseguir sair.

Quando moradia, comida, transporte e qualquer decisão básica dependem integralmente de outra pessoa, a relação deixa de ser atravessada apenas pelo afeto. O dinheiro também entra na conversa. E, curiosamente, ele nunca é neutro.

Estudar, trabalhar e ter algum recurso próprio não garante uma vida perfeita. Garante algo mais concreto: margem de decisão.

Amar alguém não exige entregar a essa pessoa todas as condições materiais da sua permanência.

Dependência pode parecer parceria enquanto tudo está bem. O problema aparece quando você precisa dizer “não” e descobre que não tem para onde ir.

📕 No livro O Mito do Amor que Aprisiona, eu aprofundo as estruturas afetivas que fazem permanência parecer escolha mesmo quando quase não existem alternativas. Link na bio.

Nem toda parceria distribui futuro.Às vezes, um cresce porque o outro ficou responsável por impedir que a vida desmorona...
23/08/2026

Nem toda parceria distribui futuro.

Às vezes, um cresce porque o outro ficou responsável por impedir que a vida desmoronasse enquanto ele crescia.

Ela lembrou datas.
Organizou filhos.
Administrou conflitos.
Adiou projetos.
Fez caber o cotidiano.

Depois, no currículo dele, aparecem as conquistas.

Na história dela, aparece uma palavra simpática: apoio.

Só que tempo também é patrimônio.

E quando apenas uma pessoa consegue transformar tempo em estudo, carreira, dinheiro, descanso e projeto próprio, a desigualdade não está apenas nas tarefas domésticas.

Está no futuro que cada um teve autorização para construir.

Estar ao lado de alguém não deveria custar desaparecer da própria planta.

📕 Em O Mito do Amor que Aprisiona, eu escrevo sobre relações em que amor, cuidado e renúncia começam a ocupar lugares perigosamente parecidos. Link na bio.

Existe uma diferença importante entre ser forte e não ter alternativa.Quando uma mulher continua trabalhando, cuidando, ...
22/08/2026

Existe uma diferença importante entre ser forte e não ter alternativa.

Quando uma mulher continua trabalhando, cuidando, produzindo e sustentando tudo mesmo adoecida, é tentador transformar sobrevivência em qualidade moral.

“Ela é forte.”

Conveniente. Porque o elogio evita a pergunta mais incômoda: com quais recursos essa mulher está tendo de continuar?

O estudo citado no carrossel não diz que esconder emoções causa lúpus. O que ele permite discutir é outra coisa: condições econômicas, apoio e exigências sociais não ficam do lado de fora da experiência de adoecer.

Nem toda força é escolha. Às vezes, é o nome bonito que damos para uma vida sem margem.

🦉 Na Ágora, discutimos o feminino sem transformar sofrimento social em defeito individual. Link na bio.

Tem gente que vê o caos inteiro e ainda transforma a ajuda em mais uma tarefa da mulher.Não basta estar sobrecarregada.E...
22/08/2026

Tem gente que vê o caos inteiro e ainda transforma a ajuda em mais uma tarefa da mulher.

Não basta estar sobrecarregada.
Ela ainda precisa perceber que está sobrecarregada, pedir, explicar o que precisa, distribuir função e agradecer pela boa vontade.

Isso não é ajuda.
É terceirização moral da responsabilidade.

A pergunta “precisa de ajuda?” nem sempre é cuidado.
Às vezes, é só o jeito mais educado de continuar sentado sem culpa.

💬 Você já ouviu isso quando estava visivelmente precisando de ajuda?

“Por que ela não vai embora?” é uma pergunta confortável para quem imagina que sair depende apenas de vontade.Na pesquis...
22/08/2026

“Por que ela não vai embora?” é uma pergunta confortável para quem imagina que sair depende apenas de vontade.

Na pesquisa Ipec/Instituto Patrícia Galvão, 53% apontaram a dependência econômica como obstáculo à saída de relações violentas. 43%, o medo de ser morta. 42%, o medo de perder a guarda dos filhos. (assets-institucional-ipg.sfo2.digitaloceanspaces.com)

Sair pode significar enfrentar, ao mesmo tempo, falta de dinheiro, moradia, isolamento, filhos, ameaças e risco de retaliação. Serviços especializados reconhecem essas barreiras há décadas. (thehotline.org)

Por isso, a pergunta mais séria não é apenas: “por que ela voltou?”

É: o que faltou para que ela conseguisse permanecer longe?

Ele demora, faz pela metade ou espera você perder a paciência e resolver.Depois diz que você “gosta das coisas do seu je...
22/08/2026

Ele demora, faz pela metade ou espera você perder a paciência e resolver.

Depois diz que você “gosta das coisas do seu jeito”.
Não é falta de capacidade. É uma incompetência muito conveniente.

📌 Envie para uma mulher cansada de trabalhar por dois.

21/08/2026

Você não queria fazer tudo sozinha.

Só se cansou de pedir, explicar, esperar e acabar fazendo do mesmo jeito.

Autonomia é escolha. Isso é falta de apoio.

📖 Leia O Mito do Amor que Aprisiona. Disponível no link da bio.

A tranquilidade também pode ser socialmente produzida.Em 2022, mulheres brasileiras dedicaram, em média, 21,3 horas sema...
21/08/2026

A tranquilidade também pode ser socialmente produzida.

Em 2022, mulheres brasileiras dedicaram, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados. Entre os homens, foram 11,7 horas. Quase o dobro. Somando trabalho remunerado e não remunerado, a jornada feminina chegou a 54,4 horas semanais. (Educa IBGE)

A sociologia chama parte disso de trabalho reprodutivo: aquilo que mantém a vida funcionando antes que alguém perceba que ela poderia parar.

Lembrar. Prever. Organizar. Conferir. Antecipar.

Curiosamente, quem vive protegido por essa infraestrutura costuma parecer muito mais “calmo”.

Claro. Alguém está se preocupando antes.

A paz de uma pessoa pode estar sendo financiada pelo estado permanente de vigilância de outra.

📕 O Mito do Amor que Aprisiona aprofunda essas engrenagens invisíveis das relações. Link na bio.

É fácil chamar de exagero aquilo que você observa de fora.Quem não carrega a conta emocional da casa, da relação, dos fi...
21/08/2026

É fácil chamar de exagero aquilo que você observa de fora.

Quem não carrega a conta emocional da casa, da relação, dos filhos, dos conflitos e das pequenas urgências costuma enxergar apenas o momento da reação.

Não viu o acúmulo.
Não ouviu as repetições.
Não sustentou o peso.

A explosão vira o problema porque tudo o que veio antes permaneceu convenientemente invisível.

E existe um privilégio bastante confortável nisso: provocar o excesso e depois criticar quem finalmente não conseguiu mais suportá-lo.

Nem toda reação começa no momento em que você a vê.

Às vezes, ela começou meses atrás.

💬 Você já teve sua reação julgada por alguém que ignorou tudo o que aconteceu antes?

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