16/09/2026
A idade da mulher e a fertilidade viraram assunto comum. Reserva ovariana, qualidade dos óvulos, janela reprodutiva — essa conversa existe, é importante e precisa acontecer.
Mas existe uma parte dessa equação que quase nunca é mencionada.
A idade dele também entra nessa conta.
Durante décadas, a medicina tratou a fertilidade masculina como praticamente imune ao envelhecimento. A idéia de que homem produz espermatozóide a vida inteira criou uma narrativa de que a idade dele não importa.
A ciência mais recente mostra que importa — e mais do que se pensava.
A partir dos 40 anos, a qualidade do DNA espermático começa a declinar de forma progressiva. Isso não signif**a que a gravidez se torna impossível — mas signif**a que o risco de algumas alterações aumenta.
Estudos mostram que a idade paterna avançada está associada a maior tempo para conseguir a gestação, maior risco de perdas gestacionais no primeiro trimestre, e aumento na incidência de algumas condições no bebê — incluindo autismo e esquizofrenia, segundo pesquisas recentes.
O espermograma convencional avalia quantidade, motilidade e morfologia. Mas ele não avalia fragmentação do DNA espermático — um marcador de qualidade que só aparece em exames específicos e que se torna mais relevante conforme a idade avança.
Isso não é motivo de alarme. É motivo de investigação completa — dos dois lados.
Quando um casal busca a gravidez e ela não vem, a investigação precisa incluir ele desde o início. Não como suspeito. Como parte do sistema.
Porque fertilidade é sempre uma equação de dois.