06/07/2021
É fácil prevermos que palavras, ideias, pensamentos e conceitos, a despeito de suas diferenças, são todos memórias. Assim, Leca poderá trazer as minhas memórias e as suas também (quem sabe?), como poderá ser apenas um devaneio meu. Mas isto não importa! O que importa é que ela sempre trará alguma ideia/conceito de algum modo, evidentemente, sem a possibilidade de “aprofundamento” em função do local onde ela já começou a falar. Ela já sabe que tudo que percebemos e fazemos altera nossos circuitos elétricos cerebrais que nos permitem acessar o mundo, construir associações pela experiência, o que nos permite um jogo reiterado de impressionar e impressionar-nos. Sabe, ainda, que conseguimos evocar memórias específicas, contanto que as outras memórias estejam desativadas (“fora da mente”), pois duas memórias não podem ser ativadas, simultaneamente, pela atenção sem perderem sua identidade. As memórias interferem umas nas outras e, a cada instante, é preciso que uma predomine sobre a outra na consciência para que o pensamento passeie por ali. Somos também bons para esquecer quase tudo que não nos interessa, pois nossa atenção seletiva, para nosso conforto e sobrevivência, armazena apenas as memórias as quais atribuímos valor adaptativo (Ribeiro, 2019).