23/01/2023
Alguns meses atrás você me enviou essa foto. Uma vaca e uma abóbora numa festa de Holloween. Gargalhamos lembrando desse dia, de quando te avisaram que tinha uma vaca, bêbada, perdida no meio da rua, e que era pra você ir resgatar. E você foi assim na minha vida, desde que nos conhecemos. Um ponto de equilíbrio, uma paz; a opinião mais sensata, o emocional mais racional, o racional mais emocional.
Não sou de homenagens em Instagram, mas me recuso a te deixar ir sem gritar pro mundo o quanto sou grato pela sua existência. Por ter sido um amigo incomparável, um colo sempre acolhedor nos meus momentos de angústia. Quem entendia minhas angústias. E compartilhava delas.
Sempre tive e tenho muito orgulho de falar de você, de que você é um dos meus melhores amigos. E mais do que um amigo, você é uma inspiração, um guia. Quase um guru, que me ensinou que a medicina podia ser mais e que ela esperava mais de mim.
Dois anos atrás me vi fazendo aula de oratória em inglês, porque queria dar aula e ser aplaudido no mundo inteiro, assim como você. Quero ser igual ao Rodrigo, eu falava. Tentando imitar o seu inglês e rindo da forma como você imitava o meu. “Grapefruit”, em um sotaque australiano muito caricato. E muita risada.
E em uma das nossas últimas trocas de mensagens você me disse: “você é a única pessoa que eu não posso acelerar o áudio, você fala muito rápido”. E foi essa sua última lição pra minha vida. Desacelerar. Viver com calma. Amar com alma.
Amo você, meu amigo. Vá em paz. Te vejo por aí.