08/03/2026
8 de março - Dia Internacional da Mulher
Ontem eu vivi uma situação que poderia ter terminado muito mal.
Eu estava dirigindo com a minha filha no banco de trás, a caminho de um restaurante. Fiz uma conversão em uma rua de mão dupla. Um motoqueiro vinha ultrapassando pela esquerda e quase aconteceu um acidente.
Ele buzinou e seguiu.
Achei que tinha acabado ali.
Mas alguns minutos depois, já em outra via, ele apareceu novamente. Esperou meu carro passar, acelerou a moto e atravessou na minha frente, freando em cima do meu carro em movimento.
Ele não queria seguir caminho.
Ele queria que eu parasse.
Quando eu desviei para continuar dirigindo, ele veio ao lado do meu carro gritando, xingando, completamente descontrolado. Em movimento, aproximou a moto e deu um chute no meu carro.
Isso tudo em plena luz do dia.
Com uma criança no banco de trás.
Meu coração acelerou. Meu corpo inteiro entrou em estado de alerta. E naquele momento uma pergunta atravessou a minha cabeça:
O que teria acontecido se eu tivesse parado?
Essa é uma pergunta que muitas mulheres conhecem bem.
Porque ser mulher ainda significa viver com um tipo de cálculo silencioso que raramente é necessário para os homens. Aprender desde cedo a medir riscos. Mudar caminhos. Evitar horários. Compartilhar localização. Ficar atenta ao entorno. Escolher palavras. Pensar duas vezes antes de reagir.
Naquele momento eu não sabia se aquele homem estava armado, se estava drogado, se estava disposto a algo pior.
Eu só sabia que ele estava confortável em agir daquela forma.
E isso diz muito sobre o mundo em que vivemos.
Segundo dados recentes, 1.518 mulheres foram assassinadas no Brasil apenas no último ano. Isso significa quatro mulheres mortas por dia.
No mundo, 137 mulheres são mortas diariamente.
Enquanto você lê esse texto, estatisticamente, uma mulher morreu por ser mulher.
Por isso o 8 de março nunca foi apenas um dia de flores.
É um dia de memória.
É um dia de luta.
E, para muitas mulheres, também é um dia de luto.
Ontem, dirigindo com minha filha no banco de trás, eu senti de forma muito concreta algo que muitas mulheres sentem todos os dias: a vulnerabilidade de estar no mundo sendo mulher.
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