Psi Clara Nicolato

Psi Clara Nicolato Psicóloga, Psicanalista, Mestranda e Palestrante.

Você quer que te mostrem o caminho e te falem o que fazer? Ou você está disposto a entrar em contato com a falta de resp...
08/07/2026

Você quer que te mostrem o caminho e te falem o que fazer? Ou você está disposto a entrar em contato com a falta de respostas para construir algo próprio?

Nunca foi tão difícil escolher… não porque faltam opções, mas porque elas parecem infinitas. Seja escolher uma profissão...
01/07/2026

Nunca foi tão difícil escolher… não porque faltam opções, mas porque elas parecem infinitas. Seja escolher uma profissão, uma pessoa para se relacionar, uma cidade para morar, uma forma de trabalho, uma série para assistir, um objeto para comprar... Pois para cada escolha, existem milhares de outras possibilidades que precisam ser deixadas para trás, isto é, implica em suportar perder alguma coisa. Infelizmente o mundo de hoje tolera cada vez menos a perda. Estamos na época dos métodos, dos especialistas, dos tutoriais, dos "passos certos". Isso acaba vendendo uma ilusão de que existe uma escolha ideal, um caminho perfeito ou uma trajetória sem erros e equívocos. E aí se torna ainda mais difícil escolher, porque muitas vezes as pessoas querem a GARANTIA de que aquela é a escolha "certa".

Mas não existe um caminho sem pedras. Já dizia Carlos Drummond de Andrade: tinha uma pedra no meio do caminho e no meio do caminho tinha uma pedra. Toda escolha, por menor que seja, encontrará momentos de dúvida, de frustração, de desencontro, de falta, de perda. O que não significa que foi a escolha “errada"... mas significa que na vida existem atravessamentos da realidade. Muitas pessoas não suportam bem isso e, ao encontrarem a primeira pedra, já querem mudar de caminho. Já antecipam que escolheram o caminho errado e que precisam buscar esse outro caminho onde não haverá nenhuma pedra, fixados nessa fantasia ilusória de plenitude e de completude.

A psicanálise acrescenta ainda uma outra dimensão nessa questão: nem todas as pedras que encontramos são obras do acaso. Muitas delas têm relação com nossa própria forma singular de funcionar, de desejar, de g***r, de nos defender… produzindo padrões de repetição. E muitas vezes acham que estão mudando de caminho, mas encontram os mesmos tipos de pedras nele. Ou seja, muda de trabalho, de parceiro(a), de projeto e acaba encontrando obstáculos muito familiares. O cenário muda, mas a repetição permanece.

A questão não é encontrar o caminho sem pedras… mas aprender a suportar que elas vão existir e são inevitáveis e, numa outra direção, reconhecer essas pedras que poderiam não existir mas que você mesmo coloca lá sem perceber.

A maioria das pessoas não se conhecem tão bem assim. Sabem se descrever, contar sua história, sem nem perceber que deixa...
10/06/2026

A maioria das pessoas não se conhecem tão bem assim. Sabem se descrever, contar sua história, sem nem perceber que deixam muita coisa de fora. Uma análise é um espaço para olhar pra isso que “ficou de fora” mas que aparece o tempo todo na sua forma de sofrer e de g***r.

27/05/2026

Será que ter alguém nos ensinando como viver a vida, como resolver nossos problemas, como fazer diferente… funciona?

A condução pedagógica do problema tende a não alcançar o subjetivo, pois ela assenta na consciência, cria um sentido, mas depois de um tempo isso se esvazia e o sujeito se vê repetindo as mesmas coisas de sempre.

Suportar a falta de resposta, um saber que não vem pronto, é fundamental para que você possa produzir algo próprio, construir o seu próprio saber em torno do seu sintoma, porque isso sim vai poder se assentar em níveis mais profundos, te ajudando a internalizar certas coisas que podem te transformar em uma outra medida.

Claro que esse processo não é sem sofrimento ou sem frustração, muitas vezes você vai se ver repetindo as mesmas coisas de sempre, mas faz parte do percurso para que algo vá se sedimentando e, assim, você possa atravessar isso.

Será que repetimos algo que nos faz sofrer porque somos masoquistas, sabotadores, impostores? Ou tem algo mais nessa his...
20/05/2026

Será que repetimos algo que nos faz sofrer porque somos masoquistas, sabotadores, impostores? Ou tem algo mais nessa história que não estamos querendo perceber…?

Tem vezes que você tenta de tudo diante de algum problema com o outro. Você tenta mudar o jeito de falar e a forma de re...
13/05/2026

Tem vezes que você tenta de tudo diante de algum problema com o outro. Você tenta mudar o jeito de falar e a forma de reagir, pensando que ao mudar uma posição sua no “tabuleiro”, do outro lado algo também poderia se mover. Pode sim produzir efeitos, pois às vezes quando você deixa de ocupar certo lugar na dinâmica, o sintoma do outro perde um pouco da sua sustentação. E aí a engrenagem deixa de girar exatamente da mesma forma. Mas nem sempre isso basta, porque tem vezes que o outro não vai suportar essa mudança de posição e vai resistir e tentar te capturar pro mesmo ciclo de antes. Ou simplesmente não vai interferir tanto na forma dele de manifestar o próprio sintoma. Por isso, há situações em que o único manejo possível é "sair de cena": seja literalmente no momento em que a briga está acontecendo, saindo de perto, colocando um basta num sentido literal até que a poeira abaixe; seja se distanciando de uma forma mais generalizada, dando menos abertura para esse outro interferir na sua vida; seja se colocando fora da cena simbolicamente, sem se responsabilizar tanto com a forma do outro de ser e sem dar tanta consistência pro sintoma do outro. Isso não significa indiferença, mas reconhecer um limite na sua forma de se relacionar com esse outro. Por isso que em alguns casos "sair de cena” não é desistência, mas uma forma de não se deixar ser engolido pela cena.

E você…quer ser o objeto preciso que vai preencher a falta do outro? Quer apontar a falta para depois se apresentar como...
15/04/2026

E você…quer ser o objeto preciso que vai preencher a falta do outro? Quer apontar a falta para depois se apresentar como a solução? Quer apontar o furo para depois tapá-lo?

Você fala muito e diz pouco? Ou fala pouco e diz muito?
18/03/2026

Você fala muito e diz pouco? Ou fala pouco e diz muito?

Muitas pessoas imaginam que iniciar um processo com um psicanalista já significa começar uma análise. Mas na prática não...
11/03/2026

Muitas pessoas imaginam que iniciar um processo com um psicanalista já significa começar uma análise. Mas na prática não é bem assim!

Frequentemente o percurso começa a partir de uma “psicoterapia psicanalítica”, onde o paciente ainda está numa posição de se queixar do seu sofrimento querendo respostas e soluções. As questões costumam até ser mais localizadas, como um relacionamento com problemas, crises de ansiedade, impasses no trabalho, cansaço extremo, entre outras coisas. Faz parte buscar um alívio inicial desses problemas e tentar se organizar diante deles.

Mas, com o tempo (muitas vezes até longo), algo começa a se deslocar. Aquilo que parecia ser um problema isolado, começa a se revelar uma repetição. Uma forma de funcionar na vida que não leva mais a querer necessariamente resolver, mas sim entender mais sobre isso – DESEJAR SABER SOBRE SI. Claro que essa passagem não é automática e nem rápida, muitas vezes o lugar de desabafo ainda ganha espaço. Com o tempo o que se busca, com o avanço do trabalho, é que a posição do sujeito desloque e o que antes era apenas uma queixa vire uma interrogativa: qual é a minha responsabilidade nisso que se repete? O que eu quero com isso? É nesse ponto que a implicação subjetiva começa a aparecer e é aí que uma análise pode, de fato, começar.

Nesse momento o sofrimento não desapareceu, mas o sujeito não está apenas tentando se livrar dele mais. Ele começa a buscar se haver com o seu próprio modo de desejar e g***r que está em jogo ali. Encarar suas particularidades, contradições e fantasmas não é algo fácil, muitas vezes envolve resistência. Por isso, ninguém começa uma análise de cara! Mas podemos dizer que talvez ela começa quando a pergunta passa a interessar mais que a resposta… ou quando a resolução é encarada como uma ilusão e o sujeito desloca da lógica da eliminação para buscar se virar melhor com tudo isso.

04/03/2026

Nunca se falou tanto em diversidade, mas ao mesmo tempo nunca se patologizou tanto a diferença. Nem toda diferença precisa ter um causador biológico com estatuto neural, às vezes é história, posição subjetiva, modo de gozo, fantasia. Nem toda diferença é uma doença, pode ser até uma solução. Nossas particularidades, peculiaridades e singularidades não são necessariamente um problema, mesmo que disfuncionais no sentido de produção. Mas podem produzir muitos efeitos interessantes na nossa história…precisamos nos perguntar mais não sobre o nosso diagnóstico, mas o que fazemos com a nossa própria diferença!

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Avenida Prof. Cristóvam Dos Santos, 420, Belvedere
Belo Horizonte, MG

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