06/05/2026
Abril foi um mês pouco presente por aqui, mas muito vivido no meu tempo.
Eu gosto de estar nas redes, me atravesso por conteúdos que me fazem pensar, refletir, experimentar algo novo. Mas, junto disso, também encontro a pressa, a comparação, a sensação de que é preciso acompanhar um ritmo que nem sempre é o meu. E, nesses momentos, escolher pausar se torna um gesto de cuidado. Um respiro necessário para recuperar o fôlego e voltar a mim.
Foi um mês intenso. Sigo fazendo essa travessia entre São Paulo e Rio de Janeiro, mas, em abril, estive ainda mais presente no Rio, percorrendo a cidade, conhecendo novos lugares, me permitindo viver os espaços com mais tempo e presença.
Também precisei lidar com uma dor persistente na lombar. Um incômodo que, mais do que físico, me convocou a refletir sobre equilíbrio. Entre movimento e pausa. Entre insistir e respeitar limites.
Me dei conta de como o excesso, mesmo quando vem de algo considerado “bom”, como a atividade física, pode deixar de ser cuidado quando ultrapassa aquilo que o corpo consegue sustentar. Assim como o descanso, que é necessário, também perde seu sentido quando se transforma em imobilidade constante.
O corpo, de algum modo, fala. E, quando escutado, pode nos ensinar sobre medida, ritmo e presença.
Nesse intervalo de menor presença online, também encontrei espaço para a leitura. Li “Solitária” e “Meridiana”, de Eliana Alves Cruz. Sua escrita me atravessou. Não se trata apenas de ficção, escancara aspectos de uma realidade marcada pelo racismo estrutural, ainda tão presente e atuante. E isso me fez pensar sobre como certas experiências não são apenas individuais, mas atravessadas por contextos históricos, sociais e políticos. Sobre como o sofrimento, muitas vezes, não pode ser compreendido fora dessas dimensões.