Verônica Valente

Verônica Valente psicologia e psicanálise

Hoje é Dia dos Pais.E escrevo essa carta para agradecê-lo. Meu pai me deu um lugar de igual.Nem acima, nem abaixo. Igual...
09/08/2026

Hoje é Dia dos Pais.

E escrevo essa carta para agradecê-lo.

Meu pai me deu um lugar de igual.

Nem acima, nem abaixo. Igual.

Parece simples, mas talvez essa tenha sido uma das maiores coisas que ele poderia ter me dado.

Ele nunca me ensinou que eu precisava ser menos porque era mulher. Nunca me colocou num lugar de inferioridade. Ao contrário, me permitia discordar, questionar, argumentar, apontar, confrontar. Podíamos ter embates. Podíamos pensar diferente. Eu podia estar diante dele e sustentar aquilo em que acreditava.

E ele continuava me olhando como igual.

Hoje compreendo a dimensão disso.

Ele me ensinou que ocupar um lugar no mundo não significa ocupar um lugar maior do que o outro, mas também não aceitar um lugar menor.

Que todos temos direitos, deveres, limites, desejos e responsabilidades. Que ninguém precisa ser mais para que o outro possa existir. E que ninguém precisa ser menos para que o outro se sinta grande.

Foi assim que meu pai me preparou para a vida.

Ele foi embora cedo demais, mas deixou em mim uma espécie de chão. Um chão que eu não sabia que carregaria por tantos anos.

Talvez seja por isso que, mesmo diante das dificuldades, eu tenha aprendido a me posicionar. A escolher. A sustentar minhas decisões. A enfrentar o mundo sem acreditar que eu precisasse pedir autorização para ocupar o meu lugar.

Construí minha vida a partir desse lugar que ele me deu.

Construí minha casa, minha profissão, minha família, meus três filhos. Construí também minhas quedas, meus recomeços, minhas lutas e tudo aquilo que ainda estou aprendendo a construir.

E, olhando para trás, percebo que há muito dele em tudo isso.

Não porque ele tenha me ensinado a ser forte o tempo inteiro.

Mas porque me ensinou que eu podia ser.

Podia ser quem eu fosse.

Podia pensar.
Podia discordar.
Podia escolher.
Podia ir.

E talvez amar alguém seja também isso: deixar no outro uma liberdade tão profunda que, mesmo depois da partida, ele continue caminhando.

Hoje eu não quero falar apenas da saudade.
Quero falar da gratidão.

Obrigada, pai, por ter me dado esse lugar.

O lugar de igual.
Nem mais.
Nem menos.
Ao lado.
E foi desse lugar que eu aprendi a caminhar pelo mundo.

Passamos a vida tentando controlar o incontrolável, como se fosse possível decidir o que o destino colocará à nossa mesa...
08/08/2026

Passamos a vida tentando controlar o incontrolável, como se fosse possível decidir o que o destino colocará à nossa mesa.

Mas a vida não nos entrega um cardápio. Ela nos oferece um banquete diferente a cada amanhecer. Alguns dias são fartos, outros escassos. Alguns trazem encontros, outros despedidas. Nenhum deles corresponde exatamente ao que imaginamos.

Sofremos quando insistimos em desejar apenas o que não nos foi servido. E, enquanto esperamos pela mesa ideal, deixamos esfriar o alimento que a vida nos ofereceu.

Viver é negociar com o real. É reconhecer que nem tudo será possível, mas que sempre haverá algo possível. É escolher, entre o que existe, aquilo que pode nutrir a alma.

Quem não aprende essa delicada negociação permanece faminto, não porque lhe faltou alimento, mas porque recusou o pão à espera do banquete perfeito.

Que cada amanhecer nos dê a coragem de escolher o que é possível. E que cada anoitecer nos encontre agradecidos por tudo aquilo que, enfim, pudemos degustar.
Verônica A Valente

Psiquê era alma,e, como toda alma,só sabia sentir, mas nãosabia o que dizer.Amar era seu destinoe também sua ferida.Pois...
05/08/2026

Psiquê era alma,
e, como toda alma,
só sabia sentir, mas não
sabia o que dizer.
Amar era seu destino
e também sua ferida.
Pois só os que podem ser feridos podem amar,
garantia o cupido.
Por isso, quem ama, ama no escuro, ama
sem ver, sem saber,
sem nem compreender.
Só foi atravessado pela flecha,
garantia o cupido.
Porque amar
é sempre um pouco isso:
um salto naquilo
que não se pode garantir.
Arrastado pela curiosidade
de tocar a chama.
Mas, quando a luz revela o outro,
revela também o que há em nós:
o medo de perder,
o medo de não ser suficiente,
o medo de que o amor
não sobreviva ao olhar.
E esse abismo revela
a falta,
o desamparo.
Mas talvez só aí, depois da revelação,
a história realmente começa.
Porque amar
não é habitar o paraíso,
mas atravessar tarefas impossíveis
sem garantias de retorno.
Mas é sobre suportar
a ausência,
a espera,
a queda.
E talvez seja isso o amor:
não nos poupar da condição humana,
mas nos arrancar,
mesmo que por instantes,
do sono profundo da desistência.
Amar
é continuar.
É escolher,
mesmo ferido,
mesmo incompleto,
mesmo sem garantias.
É aceitar
que ser humano
é tarefa dura,
quase impossível,
mas não solitária.
Porque, no encontro com o outro,
algo em nós respira de novo.
E viver,
no fundo,
talvez seja apenas isso:
ter alguém
que nos acorde
quando já não conseguimos mais
sozinhos.
Garantia o cupido.
Verônica Valente

17/07/2026
29/06/2026

Não se perder no outro, se manter inteiro é um desafio em qualquer relação.

O post fala de uma relação onde a insegurança de um depende da busca de validação do outro, uma mistura perigosa.

Mas se analisarmos com relação a estrutura, ambos falam de um lugar narcísico.

Então não é sobre tentar se livrar desses sentimentos.

É sobre compreende-los.

Verônica Valente

22/06/2026

Endereço

Avenida Do Contorno, 5823/Savassi
Belo Horizonte, MG
30110-017

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