08/05/2026
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Células contra o câncer
Um caso no Brasil voltou a chamar atenção por mostrar o avanço de uma das áreas mais modernas da medicina contra alguns tipos de câncer.
Pacientes com linfoma em estágio avançado passaram por uma terapia chamada CAR-T, que usa células de defesa do próprio organismo para combater a doença. O tratamento é feito a partir da coleta de linfócitos T, células do sistema imunológico que são modificadas em laboratório para reconhecer e atacar células cancerígenas.
Depois dessa reprogramação, as células são devolvidas ao paciente com uma nova função. Elas passam a circular pelo corpo buscando alvos específicos presentes no tumor. Por isso, a CAR-T é considerada uma forma de imunoterapia personalizada, feita a partir do próprio paciente.
No Brasil, casos de grande repercussão mostraram remissão rápida em pacientes com linfoma que já não respondiam bem aos tratamentos tradicionais. Em um desses casos, exames indicaram remissão completa em cerca de um mês. Em outro, houve desaparecimento dos sinais detectáveis dos tumores em menos de 30 dias.
Esses resultados emocionam porque muitos pacientes chegam à CAR-T depois de anos de quimioterapia, radioterapia, transplantes ou outras tentativas sem resposta suficiente. Para quem já tinha poucas alternativas, uma remissão rápida representa uma mudança profunda no tratamento e na qualidade de vida.
Mas a notícia precisa ser contada com responsabilidade. Remissão não significa cura garantida. O paciente precisa continuar em acompanhamento, porque a doença pode voltar e porque a terapia também pode causar efeitos adversos importantes, exigindo estrutura hospitalar especializada.
A CAR-T também não serve para todos os tipos de câncer. Até agora, os melhores resultados ocorrem em alguns cânceres do sangue, como linfomas, leucemias e mieloma múltiplo. Em tumores sólidos, como câncer de pulmão, mama, intestino ou pâncreas, a técnica ainda enfrenta desafios maiores.
O avanço brasileiro é importante porque pesquisadores buscam produzir a tecnologia no país, com possibilidade de reduzir custos e ampliar acesso no futuro. Hoje, o tratamento ainda é complexo, caro e disponível apenas em centros especializados e protocolos específicos.
Você acha que o Brasil deveria investir mais para ampliar o acesso a terapias celulares contra o câncer?