15/06/2026
A filhinha do papai e da mamãe deixa de ocupar esse lugar e passa a viver a função de ser mãe. E por que isso dói tanto?
Muitas mulheres não conseguem perceber o tamanho da mudança que acontece em suas vidas depois da chegada de um filho. Aos poucos, o bebê passa a ocupar um lugar muito específico na rotina, nos pensamentos, no corpo e até na forma como essa mulher passa a enxergar a si mesma.
Ainda existe uma ideia muito forte de que um filho vem para preencher vazios dentro de um relacionamento. Mas f**a uma pergunta importante: esse vazio realmente existe? E, caso exista, será que um filho consegue ocupar esse lugar?
Quando uma mulher chega adoecida pela sobrecarga da maternidade, é importante olhar não só para a rotina dela, mas também para tudo aquilo que ela aprendeu sobre o que é “ser uma boa mãe”. Porque vivemos em uma sociedade que exige desempenho máximo o tempo inteiro. É preciso dar conta do trabalho, da relação, da casa, da aparência, da vida social e, claro, da maternidade também.
Mas existe algo muito importante que quase ninguém fala: é impossível dar cem por cento de si o tempo todo.
A chegada de um bebê muda muita coisa internamente. Aos poucos, começam os questionamentos, as culpas, as comparações e aquela sensação constante de nunca estar fazendo o suficiente, como se qualquer falha fosse sinal de incapacidade.
Existe também uma fantasia muito pesada colocada sobre as mães: a de que elas suportam tudo, dão conta de tudo e conseguem fazer tudo acontecer. Mas a verdade é que não. Isso nunca existiu. Sua mãe também não conseguiu estar presente o tempo inteiro. E talvez o sofrimento comece justamente quando você acredita que precisa conseguir.
Viver a maternidade também é lidar com perdas. Perda de tempo, de energia, de silêncio, de liberdade e até de partes de si mesma que antes pareciam muito presentes.
E o ponto não é fingir que essas perdas não existem. O ponto é conseguir olhar para elas sem culpa e entender qual é o peso disso na sua vida.
Fez sentido?