16/06/2026
Como disse o padre Fábio de Melo, de nada adianta tanto conhecimento se você ainda não é especialista em si mesmo.
Na psicanálise, o analista não pode conduzir o paciente para além dos seus próprios limites emocionais e do seu próprio processo de autoconhecimento. Na essência, “cego não conduz cego”, como diz a Bíblia. A profundidade e a eficácia de uma análise dependem de quanto o próprio analista elaborou suas próprias questões e fantasias no divã.Essa noção surgiu inicialmente ligada à necessidade da análise pessoal do analista (a sua própria terapia). Para Freud, o profissional precisa conhecer a fundo seu próprio inconsciente para conseguir escutar o outro sem interferir com suas próprias “interferências” (pontos cegos ou resistências).
Assim, a formação do analista apoia-se tradicionalmente em um tripé: análise pessoal, estudo teórico e supervisão. Afinal, conduzir alguém em direção ao desconhecido de si exige, antes, a disposição de ter percorrido os próprios caminhos do inconsciente.