13/09/2026
Era um sábado qualquer.
Despretensiosamente, fomos ao clube jogar tênis. Um pouco depois, sentamos no bar e pedimos um café.
Ao nosso lado, estava um senhor de quase 80 anos, que havia levado o neto na esperança de encontrar um amigo para brincar e, quem sabe, lhe dar um pouco de sossego.
O menino, como tantas crianças dessa idade, chamava o avô deliberadamente para mostrar cada pequena descoberta:
“Olha vô, meu chute!” “Olha isso, vovô…”
Até que encontrou meu filho.
E, como é próprio das crianças, em poucos minutos pareciam velhos amigos.
Foi essa breve amizade entre os dois que abriu uma brecha para que o senhor puxasse conversa conosco.
Foi então que descobrimos que meu filho e ele tinham o mesmo nome.
E começaram as histórias.
Quantas lembranças da história da nossa cidade. Quantos acontecimentos guardados na memória de quem viveu tantos anos.
Fiquei pensando que as histórias mais bonitas da vida nem sempre estão nos livros. Muitas vezes, estão nas pessoas.
Cada ruga carrega uma lembrança. Cada palavra traz um pedaço de uma vida inteira.
E talvez o que muitas pessoas mais precisem, nessa fase da vida, seja simplesmente alguém disposto a parar e ouvir.
Eu adoro ouvir essas histórias. Talvez porque, quando escuto, percebo que não são apenas histórias sobre o passado. São pedaços de uma vida que, de outra forma, poderiam se perder.
Naquele sábado, fiquei pensando na nossa própria velhice.
Que histórias contaremos aos nossos netos?
Não eram histórias extraordinárias.
Pelo contrário.
Eram relatos nostálgicos de fatos cotidianos, de uma cidade que já foi diferente, de pessoas que já passaram, de momentos que pareciam pequenos quando aconteceram.
Mas que, muitos anos depois, se transformaram em memória.
Talvez seja isso que o tempo faz: transforma o cotidiano em história.
E talvez o maior privilégio de envelhecer seja ter tantas histórias para contar e encontrar alguém disposto a ouvi-las.
Que a pressa e o desejo de estar sempre conectado e ao mesmo tempo tão "desconectado", não nos faça perder momentos como esse, que são ouro em pó.