08/07/2026
Muitas vezes escutei e falei, em datas comemorativas, que "o presente é a presença". Nunca essa frase, dita de forma corriqueira, sem pensar muito, fez tanto sentido como faz agora.
Em um Coletivo de Psicanálise, um colega, também professor, disse que é importante, em tempos em que o professor precisa fazer malabarismos em sala para ter a atenção dos alunos, que haja atenção para uma questão cultural. Não necessariamente com essas palavras ele falou, mas foi por aí, e eu entendo plenamente o que ele estava dizendo.
Há um tempo tenho tido muitas reprovações nas disciplinas ministradas por mim, por frequência. Se tem uma coisa de que não abro mão é da presença dxs alunxs, não só pelas questões burocráticas, acadêmicas e legais, mas pelo mínimo necessário para uma formação no ensino superior em Psicologia.
Por muitas vezes, o mais importante nessa profissão da escuta é estar presente de fato.
Neste semestre, não tive muitas reprovações por frequência. As turmas estiveram presentes e me presentearam com perguntas, questões, conflitos e aprendizados.
Também recebi lembranças de alguns, que quiseram, com gentileza, me dar algo para guardar ou me adoçar: bolos, chocolates e bolachinhas — deliciosos; velas aromáticas e cremes — cheirosíssimos; chaveiro e canecas de uma delicadeza ímpar. A palavra mais bonita que consigo expressar sobre isso é: muito obrigada.
Mas volto ao início: em tempos em que o tempo é precioso, a atenção é rara e o investimento no tempo é pouco, o maior presente é a presença.
Obrigada, gente!