18/10/2025
"Você gosta de ser médica?"
Recebi essa frase ao fazer um teste de memória com minha paciente e fiquei reflexiva.
Não sou daquelas pessoas que sempre sonhou em ser médica desde criança. Acho que nem entendia muito bem o que significava isso. Eu era curiosa. Queria entender como as coisas funcionavam, e meu interesse sobre o funcionamento do corpo humano sempre me causou um certo fascínio.
A escolha pela medicina veio, a princípio, pela curiosidade. A neurologia também, pois entender o cérebro e as emoções seria ainda mais fascinante e desafiador.
Mas muitas vezes durante a faculdade e a residência de neurologia eu ainda me sentia frustrada. Via que todo aquele conhecimento teórico muitas vezes não fazia sentido na prática, pois a condição humana é muito social e frágil, não passível de ser resolvida com um único remédio ou fórmula milagrosa. Sentia que não estava "resolvendo" nenhum problema, muito menos "salvando vidas" com aquela medicina protocolar.
Até entrar "de cabeça" nos cuidados paliativos. Foi quando virou a chavinha aqui dentro e eu abri meus olhos para uma nova forma de cuidar das pessoas (e não só as muito adoecidas, mas absolutamente todas as pessoas). Aprendi que o cuidado não vem só dos remédios e protocolos, vem de algum lugar aqui dentro. Passei a entender qual o meu propósito dentro da profissão e da minha vida também.
Desde então amo a medicina e amo ser médica! E tomei como missão de vida tentar mostrar como a medicina pode ser boa, humana, de carne e osso, de gente para gente. Por isso me tornei professora 😅.
Essa semaninha de outubro junta, então, as minhas grandes paixões, pois temos dia do professor, dia do neurologista, dia do médico e o dia mundial de conscientização sobre os cuidados paliativos 🩵
Feliz dia aos colegas de profissão, que a gente possa cada vez mais exercer o cuidado de maneira ética, responsável (sem charlatanismo!) e humana 🩺