31/07/2026
🧬 Trajetórias de vida com HIV: o novo paradigma da AIDS 2026 | Infectologia UNESP em sintonia com o futuro da ciência
Um dos temas centrais da foi a mudança de paradigma no cuidado às pessoas vivendo com HIV. O foco deixa de estar apenas na supressão viral e passa a considerar toda a trajetória de vida: tempo de tratamento, recuperação imunológica, determinantes sociais, qualidade de vida e envelhecimento saudável.
Essa visão foi reforçada pela Lancet HIV Commission on Ageing and HIV, apresentada durante a conferência, mostrando que até 2040 metade das pessoas vivendo com HIV no mundo terá mais de 50 anos, exigindo uma reorganização dos sistemas de saúde.
Na Infectologia UNESP, essa realidade já começou.
Apresentamos na AIDS 2026 os primeiros resultados do doutorado de Pietra V. Stanicki, sob minha orientação. Em uma coorte de 1.020 pessoas vivendo com HIV, 576 (56,5%) já têm 50 anos ou mais, superando as 444 (43,5%) com menos de 50 anos. Além disso, o grupo ≥50 anos apresentou 89,8% de supressão viral, contra 83,3% nos mais jovens, menor falha virológica (2,5% vs. 10,1%), maior tempo de tratamento e maior uso de esquemas simplificados.
Esses dados mostram que envelhecer com HIV, quando há acesso contínuo ao tratamento e acompanhamento especializado, pode significar estabilidade clínica e excelentes resultados.
O SAEI de Infectologia de Botucatu já acompanha mais pessoas vivendo com HIV acima de 50 anos do que abaixo dessa idade, antecipando, na prática, o cenário projetado pela Lancet para 2040. Até onde sabemos, este foi o primeiro centro brasileiro a documentar essa inversão demográfica em sua coorte.
Este é apenas o começo. O projeto segue em andamento e novas análises irão aprofundar o entendimento sobre as diferentes trajetórias de vida das pessoas vivendo com HIV.
Encerramos nossa cobertura da AIDS 2026 reafirmando nosso compromisso de transformar ciência em cuidado e inovação em mais qualidade de vida. 🌎🧬❤️