06/08/2024
Olho para cima, bebendo de fonte antiga, no caminho "ideal" dos antepassados. Vai dar certo, quero crer; é o que dizem ser o caminho. É isso o que supostamente vai resolver minha vida.
"Como? Olhar para cima?"
Talvez para dentro, e fazer minha realidade se aproximar de minha crença. Fazer minha razão compartilhada se aproximar de minha loucura privada, redistribuindo o peso de importância. De meu corpo explorado, tecer minha alma integrada; da pedra lascada esculpida em lágrimas, fazer água cristalina potável.
"E bebê-la, fazendo vida da dor que te matava."
Quero crer que querer é poder, e sustentar minhas ambições de ser; aquelas que implicam o pagamento em moeda de tempo e afeto, de felicidade, de amor e reconhecimento...
Vamos lá, eu aguento.
"Vejo os que podem e não querem. Os que querem e não podem. Os que querem o proibido, que não querem o possível. Os que querem querer, só pra saberem ter algo a buscar, mantendo a falsa chama acesa e ativa, para seguir na vida cronicamente vazia, cheia de materialidade e certeza. Cativos da mania ou da melancolia, se perdem nos extremos: perdidos de si mesmos em grupos fechados, ou ensimesmados, sem grupos, segregados.
Naufragados na própria subjetividade gelada ou expostos como desertos semiáridos vaidosos."
Os extremos se tocam nadando no nada...
E a produtividade capitalista demandada?
"É isso o que importa?"
As portas para a criação da verdade própria, para a historicização das experiências afetivas mal sentidas, mal vividas, mal lembradas... trancadas.
"Que valor tem sua vida subjetiva em relação com a objetividade das suas metas buscadas?"
Vitor Kubo Castejon
"Metalmorphosis", David Černý, escultura