09/03/2023
Ir para as ruas, como estratégia de agência política, enfraqueceu-se durante a pandemia. Fomos tomados/as pelo medo da infecção, a angústia da proximidade do outro e as manifestações violentas de forças de segurança que passaram a ser declaradamente instrumentos de opressão (já no carnaval nenhum dos três elementos citados anteriormente parece ter sido um problema 😏).
E sem as ruas, o que nos resta? A práxis política: participação ativa na vida do Estado, adesão e participação nas atividades do seu partido de escolha, a ação direta e a comunicativa.
Mas isso é tão defasado, né? Uma proposta do século dezenove!
Parece que cansamos disso! O problema da política é a ideologia, e como seria bom um Estado sem isso, puramente técnico, com intervenções baseadas em dados, guiadas por algoritmos que buscam tão, e somente, o bem estar de todos/as, prevendo nossas demandas, corrigindo nossos erros, dirigindo nosso progresso inesgotável!
Só que não.
Por trás de toda tecnologia, inteligência artificial, algoritmos e interpretação de dados existem mentes humanas, com afetos humanos, ideologias humanas e aspirações ao poder demasiadamente humanas.
Em suma os tecnoregimes infocráticos não tem nada de técnico, impessoal, puramente utilitário e deontológico. O que acontece é o uso da tecnologia para a manutenção do regime psicopolítico, e sobre esse tema, tenho uma outra postagem que pode explicá-lo e seu impacto sobre a vida pessoal psíquica de cada um/a de nós.
Será que a infocracia é a solução, ou só nos alienamos do eterno problema da disputa de poder e lugar de fala entre seres humanos?