Um simples complexo

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Um simples complexo Psicólogo clínica, clínica antropocultural e hipnoterapia.

“Culpar-se é estranhar-se, é não se reconhecer, é a pessoa descartar dentro de si própria o alienígena. O entendimento n...
25/06/2026

“Culpar-se é estranhar-se, é não se reconhecer, é a pessoa descartar dentro de si própria o alienígena. O entendimento neutraliza este estranhamento, esta auto-hostilidade, abre o caminho para a paz interior. Ao fim e ao cabo, a terapia é uma versão mais elaborada do ‘Conhece-te a ti próprio do Sócrates”. (Scliar, 2007)

27/05/2026

Essa conjunção é paradoxal? Complementar? Como te mobiliza? Ou te paralisa?

18/05/2026

Pergunta simples, resposta nem tanto.

Livro excelente recomendado pela amiga e colega , a autora vai das dimensões pessoais da manifestação do racismo branco ...
18/01/2024

Livro excelente recomendado pela amiga e colega , a autora vai das dimensões pessoais da manifestação do racismo branco até seu impacto institucional, mostrando como o pacto narcísico da branquitude perpetua o/a branco/a no poder e exclui a/o negra/o.

De maneira acessível e pungente a autora me deixou desconfortável e atento ao fenômeno do racismo e sua manifestação em mim. Ótimo! Esse desconforto tem que ser parte do meu cotidiano psi, me deslocando do conforto epistêmico e lugar de poder e segurança terapêutico, me pondo em contato comigo e me questionando como faço clínica.

Dito isso gostaria de lembrar aos meus e minhas colegas brancos e brancas: você não é europeu. Sua branquitude não vale na Europa ou nos Estados Umidos. A todo momento que você não questiona seu lugar de fala, agência e privilégio, é mantida a dominação (pós)colonial do nosso país e continente, enquanto persiste o triste e ilusório orgulho de ser um/uma branco/a de segunda categoria. Olhe para essa branquitude que vai além da cor da pele e conta uma história de opressão e dominação, de violência e privilégio e se pergunte se isso faz sentido para nós latinos/as, os oprimidos dos opressores, que reproduzem sua opressão na população negra do país.

O pacto narcísico da branquitude pode existir sem crítica e desconstrução num consultório psi? O “NÃO” é categórico e inegociável.

Ir para as ruas, como estratégia de agência  política, enfraqueceu-se durante a pandemia. Fomos tomados/as pelo medo da ...
09/03/2023

Ir para as ruas, como estratégia de agência política, enfraqueceu-se durante a pandemia. Fomos tomados/as pelo medo da infecção, a angústia da proximidade do outro e as manifestações violentas de forças de segurança que passaram a ser declaradamente instrumentos de opressão (já no carnaval nenhum dos três elementos citados anteriormente parece ter sido um problema 😏).

E sem as ruas, o que nos resta? A práxis política: participação ativa na vida do Estado, adesão e participação nas atividades do seu partido de escolha, a ação direta e a comunicativa.

Mas isso é tão defasado, né? Uma proposta do século dezenove!

Parece que cansamos disso! O problema da política é a ideologia, e como seria bom um Estado sem isso, puramente técnico, com intervenções baseadas em dados, guiadas por algoritmos que buscam tão, e somente, o bem estar de todos/as, prevendo nossas demandas, corrigindo nossos erros, dirigindo nosso progresso inesgotável!

Só que não.

Por trás de toda tecnologia, inteligência artificial, algoritmos e interpretação de dados existem mentes humanas, com afetos humanos, ideologias humanas e aspirações ao poder demasiadamente humanas.

Em suma os tecnoregimes infocráticos não tem nada de técnico, impessoal, puramente utilitário e deontológico. O que acontece é o uso da tecnologia para a manutenção do regime psicopolítico, e sobre esse tema, tenho uma outra postagem que pode explicá-lo e seu impacto sobre a vida pessoal psíquica de cada um/a de nós.

Será que a infocracia é a solução, ou só nos alienamos do eterno problema da disputa de poder e lugar de fala entre seres humanos?

O dever de ser dos nossos pais e avós foi substituído pelo nosso poder de vir a ser: a auto-aprimoração e auto-otimizaçã...
15/02/2023

O dever de ser dos nossos pais e avós foi substituído pelo nosso poder de vir a ser: a auto-aprimoração e auto-otimização são as ordens do dia, ou melhor, os desejos do dia. Entretanto nos iludimos ao imaginar que o fazemos pelo nosso bem-estar, pelo nosso projeto existencial. Quem pede, coage, seduz o sujeito em direção a essa agência individual é o capital neoliberal, que leva a ele/ela a ideia de que a vida é empreendimento.

Assim vamos adiante, despejando toneladas de bytes de informação sobre quem somos e o que desejamos, como estamos nos tornando melhores, mais eficientes e mais saudáveis, ou mais revoltados/as, sempre dentro das opções oferecidas pelas ontologias capitalistas.

Alimentamos incessantemente as redes sociais, sites, portais, apps com dados sobre nossas existências. Não recebemos nada por isso a não ser uma singela secreção seritoninérgica e um reforço efêmero do nosso instinto social. Já as empresas e seus proprietários/as, acumulam petabytes de psicogramas que serão capitalizados comercializados com o intuito de nos “satisfaze/saciar” e os enriquecer/empoderar.

De Big Data ao micro targeting, do esvaziamento voluntário da agência política do sujeito que se torna um/a espectador/a da vida intima dos políticos, da gamificação do cotidiano até o adoecimento mental dos seus/suas jogadores/as, a Psicopolítica é a nova ordem das sociedades humanas.

O corpo não será mais disciplinado, a vigilância não será mais a ferramenta do controle institucional, as estatísticas perderão seu poder generalizante. Agora será proposto o consumo de emoções sem impacto existencial (fast-food para a alma); a perene competição entre seres humanos (uma mistura grotesca de Hobbes/Friedman/Darwin - muito mal lido) e o healing e soft-skills como sendo panaceia e técnicas de existência, que não são mais do que grandes ajustes de treinamentos do RH neoliberal para seus sujeitos/produtos. Tudo feito certinho pra você, porque afinal de contas, quem te conhece melhor do que você mesmo? Seus dados.

Livro acessível e revelador. Recomendo MUITO sua leitura.

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