25/08/2026
Quando uma mulher com endometriose apresenta sintomas intestinais, é tentador concluir que “tudo começa no intestino”.
Mas a ciência ainda não permite fazer essa afirmação.
O que sabemos é mais interessante.
Nos últimos anos, diferentes estudos encontraram alterações na microbiota intestinal de mulheres com endometriose. Uma meta-análise publicada em 2025 reuniu 11 estudos, envolvendo 1.727 mulheres, e encontrou diferenças em alguns parâmetros de diversidade e composição da microbiota entre pacientes com e sem a doença.
Isso faz sentido biologicamente porque as bactérias intestinais participam de mecanismos relacionados à inflamação, resposta imunológica e metabolismo do estrogênio, três processos importantes na fisiopatologia da endometriose.
Mas existe uma diferença enorme entre associação e causalidade.
Ainda não sabemos se a disbiose contribui para o desenvolvimento ou progressão da doença, se a própria endometriose modifica o ambiente intestinal ou se existe uma relação bidirecional.
E os estudos ainda apresentam resultados heterogêneos. Uma revisão publicada no _Human Reproduction Open_ em 2025 concluiu que ainda não há evidência suficiente para definir uma assinatura específica de disbiose intestinal característica da endometriose.
Por isso, neste momento, não existe base científica para substituir o tratamento estabelecido da endometriose por probióticos, dietas de “modulação da microbiota” ou te**es comerciais de microbioma.
A microbiota é uma área promissora de pesquisa. Não é, até agora, uma resposta definitiva para a endometriose.
E saber diferenciar essas duas coisas também faz parte de uma medicina baseada em evidências.
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
* Li Y, et al. Front Microbiol. 2025;16:1552134.
* Facciotti F, et al. Hum Reprod Open. 2025;2025(4):hoaf061.
* Crestani B, et al. Medicina. 2026;62(2):351.
* Torraco A, et al. Medicina. 2025.