04/06/2026
Hoje me despeço de um ciclo.
E não, ainda não é o ciclo da amamentação — porque eu sigo amamentando. Apesar de um desmame noturno que vem acontecendo gradativamente, pelo bem da nossa relação com a amamentação e também pelo bem do sono do Léo.
Mas hoje me despeço da nossa poltrona de amamentação.
Eu nunca imaginei que viver a amamentação na pele fosse mudar tanto a minha forma de enxergar o cuidado, os pacientes, a maternidade e o puerpério.
Foi nesse espaço que vivemos dias intensos. Dias de choro, insegurança, medo… medo de que talvez as coisas não dessem certo pra gente.
E eu sei que existem pessoas que dizem que não precisa de uma poltrona de amamentação — e eu até concordo. A poltrona, por si só, não faz a amamentação acontecer.
Mas, pra mim, ela representou o nosso lugar. O nosso cantinho. O nosso espaço. Era ali que eu me dedicava exclusivamente ao Léo e oferecia o melhor que eu tinha naquele momento. E isso permaneceu por um ano e dois meses.
Hoje me despeço dessa poltrona porque a amamentação tomou outro lugar na nossa vida. Hoje o Léo mama como quer, na posição que quer. Cresceu demais pra caber dentro do meu colo naquela poltrona.
Me despeço como quem diz um “até logo”, porque eu desejo viver isso outras vezes.
Mas ao mesmo tempo em que me despeço, eu agradeço. Agradeço por tudo o que vivemos aqui. E desejo, de verdade, nunca esquecer o que esse cantinho representou pra nós.
Que essa vivência fique pra sempre no meu coração.
E, de alguma forma, também no coração — e na primeira infância — do Léo.
Com amor,
Jaque.