28/08/2026
VII Congresso de Psicanálise de Brasília
17 a 19 de setembro de 2026 no UDF
Escutar o nosso tempo: psicanálise e os impasses do laço social
Informações e inscrições: site e WhatsApp (61 996576062) - link na bio
Para Lacan, o sujeito se constitui na linguagem, pelo Outro, e essa constituição é inseparável de uma falta que não se resolve. O Real é o que não cessa de não se inscrever: não há acesso, apenas contorno. Analisar é fazer o sujeito habitar sua divisão, não suprimi-la. Para a tradição do Yoga, o sofrimento decorre de avidya — o desconhecimento que leva o ser a se identificar com aquilo que não é. Dissolvido esse desconhecimento pelo discernimento (viveka), o sofrimento não é administrado: cessa.
Esta mesa parte de uma proposta que leva ambas a sério e recusa a síntese fácil. A Filosofia da Essência — programa desenvolvido em Homo Espiritualis: Uma Vida além do Ego — aceita o diagnóstico lacaniano sobre a constituição do Eu pelo Outro e pela linguagem, e diverge radicalmente de sua conclusão. Sustenta que a essência precede a existência, invertendo Sartre e Heidegger, e que o que sofre é o Eu Manifesto — não o que há de mais real no ser, anterior à história, à memória e à linguagem.
A heresia é precisa: a proposta não sugere que a falta seja preenchível, mas que ela seja efeito de uma identificação equivocada. Se há experiência possível dessa dimensão anterior — e a tradição védica sustenta que há, por via contemplativa —, então não se trata de acessar o Real que Lacan declara impossível, mas de reconhecer que o sujeito que o experimenta como impossível não é o que há de mais fundamental no ser. A falta deixa de ser estrutura e passa a ser sintoma de uma confusão dissolvível.
A mesa não se propõe à conciliação. Cada participante apresenta sua leitura, e a hipótese central é submetida a contraponto: o que a experiência meditativa oferece à clínica, onde a proposta colide com os fundamentos da teoria lacaniana, e se a distinção entre o Eu Essencial e o verdadeiro self winnicottiano — o primeiro ontológico, o segundo psicológico — se sustenta sob exame. O debate entre os expositores e a abertura ao público integram o formato.