31/08/2026
Eu tinha 15, 16 anos. Era o menino que evitava espelho. Que entrava numa sala e já sabia onde sentar para ninguém olhar muito. Que sorria, mas por dentro carregava um peso que ia muito além do corpo.
Sobrepeso. Autoestima destruída. E um cérebro que funcionava de um jeito que eu ainda não entendia — o que eu descobriria anos depois ser o TDAH.
Eu não sabia o nome do problema. Só sabia que algo estava errado.
E tem um detalhe que me marcou muito: eu quase não tirava foto nessa época. Evitava câmera, evitava registro. Anos depois, quando quis montar um antes e depois para me inspirar — ou inspirar alguém — fui procurar e não encontrei nada. Nenhuma foto sem camisa. Nenhum registro daquele momento. Como se uma parte de mim quisesse apagar aquela fase da história.
Até que um dia eu comecei a me mover. A me alimentar diferente. A me olhar no espelho e, pela primeira vez em muito tempo, gostar um pouco do que via.
Foi aí que aconteceu algo que mudou tudo:
Eu senti o que é se transformar.
E no momento em que senti isso, soube — com uma clareza que raramente se tem aos 16 anos — que precisava passar essa sensação pra frente. Que queria ser a pessoa que ajuda alguém a sentir o que eu estava sentindo.
Mas o caminho até aqui? Nada linear.
Comecei nutrição muito novo. Parei. Tentei administração. Não era eu. Tentei direito. Também não. Montei um negócio. Não deu certo.
Cada vez que eu me afastava, algo me puxava de volta.
Voltei pra nutrição. Busquei ajuda. Comecei a tratar o TDAH. E aí, pela primeira vez, mergulhei de cabeça — sem olhar pra trás.
Hoje, com 10 anos de formado, posso dizer com absoluta certeza:
Eu escolhi a profissão certa. Ou ela me escolheu.
De domingo a domingo, eu vivo a nutrição. Já acompanhei milhares de transformações. E cada uma delas me lembra do menino que eu fui — e do quanto uma mudança de hábito pode reescrever uma história inteira.
A todos os colegas nutricionistas: Feliz dia do nutricionista.
Que a gente continue exercendo essa profissão com responsabilidade, com ciência e com propósito.
Porque a ferramenta que temos nas mãos — o alimento — é uma das mais poderosas que existem para transformar vidas.
31 de agosto é nosso. 🙏💚